Videoanálise

Antes de qualquer coisa, tenha em mente que DLC Harley Quinn's Revenge é uma continuação direta de Batman: Arkham City. Se você ainda não completou o game e não quer ter nenhuma surpresa estragada, pare por aqui e volte a jogar imediatamente!

Dito isso, voltemos à análise.

De toda a galeria de vilões do Batman, o Coringa é o mais icônico. A figura do palhaço enlouquecido é o exato oposto da seriedade que o Homem-Morcego representa. No entanto, quão louco pode ser um bilionário que se veste de morcego à noite? E qual o nível de sanidade de alguém que percebeu que o mundo é uma piada de mau gosto em que só nos resta rir das desgraças? São duas forças contrárias que se complementam. Um só existe por conta do outro.

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Porém, o que acontece quando um dos personagens simplesmente morre? Quem terminou Batman: Arkham City já sabe que o Coringa não conseguiu a cura da doença que o estava matando e partiu dessa para a melhor. O final do game é surpreendente e consegue concluir muito bem o tom épico de toda a trama. No entanto, a pergunta que ficou no ar é: como Gotham City lidou com a morte do vilão?

É o que descobrimos em Harley Quinn’s Revenge, o novo DLC da Rocksteady que chega aos consoles para dar continuidade à excelente trama vista no ano passado. Diante da morte de seu amado, a vilã Arlequina simplesmente enlouquece e, considerando o Batman o culpado por sua perda, ela retorna em busca de vingança.

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Enfim, a dupla dinâmica

Mais do que descobrirmos as consequências da morte do Coringa, o conteúdo adicional se destaca por trazer o Garoto-Prodígio para as ruas de Arkham City. Apesar de muitos jogadores já terem controlado Robin nas salas do desafio, é em Harley Quinn’s Revenge que temos a possibilidade de conferir como o aprendiz de Bruce Wayne trabalha em campo.

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O fato é que Tim Drake não é mais um menino, mas um jovem tão habilidoso quanto o próprio Batman. Prova disso é que controlá-lo é tão simples e divertido quanto seu mentor, já que os movimentos e golpes são igualmente ágeis e intuitivos. No entanto, ao mesmo tempo em que temos algo semelhante, o herói também apresenta suas particularidades.

Exemplo disso é que, ao contrário do Cavaleiro das Trevas, Robin utiliza um bastão para derrotar seus inimigos. A utilização dessa arma traz novas possibilidades de ataque, principalmente por aumentar seu alcance. Além disso, ele também conta com uma nova galeria de gadgets, como shurikens, granadas e até mesmo um escudo — uma ótima adição para sobreviver aos inimigos equipados com metralhadoras.

O bom e velho Batman

Mesmo com as novidades, Harley Quinn’s Revenge ainda é o excelente jogo que todos adoramos em 2011. Boa parte daquilo que ajudou a fazer com que Batman: Arkham City caísse no gosto do público está de volta. Isso significa que, além de combater os capangas da Arlequina — que estão com um novo visual —, você ainda terá que abusar das habilidades forenses do Homem-Morcego e passear por Arkham City em busca de pistas sobre o paradeiro dos policiais sequestrados pela vilã.

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O detalhe é que o Robin também traz todas essas características, mesmo que à sua maneira. O modo detetive e as ferramentas de furtividade também estão presentes de maneira adaptada, assim como já havia sido feito com a Mulher-Gato e o próprio Asa-Noturna.

A queda do morcego

Depois da excelente história de Batman: Arkham City, a Rocksteady não iria retornar à cidade-prisão se não tivesse uma ótima justificativa. Como descrito no início desta análise — e no próprio título do DLC —, Harley Quinn’s Revenge é uma história de vingança sobre uma mulher que acaba de perder o homem de sua vida.

Para isso, Arlequina elabora um plano para atrair o Batman de novo a Arkham City em uma tentativa de compensar seu luto. A história começa quando o Cavaleiro das Trevas simplesmente desaparece e o Robin precisa encontrá-lo. Nas cerca de duas horas de jogatina que a expansão oferece, podemos perceber que a vilã consegue ser tão sádica e imprevisível quanto seu querido “Mr. J.” um dia foi.

Além disso, os caçadores de easter eggs vão ter muito trabalho procurando novas dicas do que a Rocksteady pode trazer em uma possível sequência. Os indícios de uma possível gravidez voltam a ser discutidos, principalmente quando encontramos o vilão Scarface transformado em um bebê-Coringa em um berço.

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“Esse documento não prova nada!”

Você deve estar estranhando o fato de a análise começar falando sobre a relação entre Batman e Coringa se, até agora, nada foi dito especificamente sobre isso. É porque esse ponto é o principal defeito de Harley Quinn’s Revenge. Por mais promissor que o enredo seja, ele peca por ser extremamente superficial e incapaz de trabalhar questões que ele mesmo levanta.

Em determinado momento do DLC, Robin e Oráculo conversam sobre o quanto Bruce Wayne ficou abalado com a morte de Talia e, principalmente, do Coringa. A impressão que temos desde o final de Arkham City e que é ampliada nessa expansão é de que ele realmente está de luto pela morte de seu arqui-inimigo. Esse abalo psicológico é tão intenso que todos os seus companheiros temem pelo seu bem.

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No entanto, não sentimos esse pesar. O Batman não hesita em nenhum momento e nem parece estar realmente sofrendo pela recente tragédia. É o mesmo herói de sempre. E não adianta argumentar que “ele é um ninja treinado para isso”, já que Tim Drake e Barbara Gordon perceberam seu abalo.

Isso pode parecer uma crítica boba, mas faz muita diferença para quem espera algo tão grandioso quanto o título do ano passado. A impressão que temos é que o tamanho do DLC impediu que esse ponto fosse mais bem trabalhado — algo que se reforça com o final decepcionante. A Rocksteady nos acostumou com sua ousadia, mas desapontou por se manter em um lugar seguro desta vez.

Arkham City reduzida

Lembra quando dissemos que tudo aquilo que fez Batman: Arkham City ser um sucesso está de volta? Na verdade, nem tudo. Esqueça a liberdade de passear pelos cantos da cidade-prisão, pois Harley Quinn’s Revenge vai limitá-lo a um único bairro.

A decisão até faz sentido, tanto em termos de história quanto de desenvolvimento, mas é inegável que restringir um dos pontos mais interessantes e divertidos do game é um tanto quanto frustrante.

vale a pena?

Harley Quinn’s Revenge tem seus defeitos? Com certeza, uma vez que nem mesmo o game original conseguiu alcançar a excelência. Contudo, mesmo com os deslizes, o DLC consegue valer cada centavo pago, sendo uma ótima aquisição para os fãs do herói.

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A superficialidade da trama é algo que não incomoda tanto, atingindo mais aquelas pessoas que já acompanham o personagem nas histórias em quadrinhos. Certamente isso poderia ter sido mais bem trabalhado, mas não é nada que apague o brilho da expansão. Afinal de contas, são cerca de duas horas de conteúdo inédito com novos personagens, inimigos e, principalmente, com respostas para um dos acontecimentos mais marcantes de 2011.

No final das contas, Harley Quinn’s Revenge não é um conteúdo essencial, mas atrativo o suficiente para conquistar todos que estão com saudades de vestir o manto do Cavaleiro das Trevas. Seja para conferir um interessante epílogo ou para honrar a memória de um dos vilões mais icônicos da cultura pop, o DLC é mais do que recomendado.