Videoanálise

Enquanto as adaptações cinematográficas ainda não encontraram a fórmula do sucesso, os games inspirados em histórias em quadrinhos aproveitam o bom momento — Batman que o diga. O personagem estrelou um dos melhores jogos de super-heróis dos últimos tempos e fez com que o gênero voltasse a chamar a atenção do público e da própria indústria.

Em Batman: Arkham City, no entanto, a Rocksteady decidiu ser muito mais ousada, ampliando tudo aquilo que havia sido apresentado no game anterior e adicionando uma série de outros elementos. Além de um cenário ainda maior, temos uma extensa galeria de vilões, novas habilidades e até mesma a presença de uma nova personagem jogável. Porém, será que o estúdio conseguiu manter o clima épico que os fãs esperavam?

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Bem-vindo a Arkham City

Engana-se quem acredita que o Homem-Morcego é o protagonista da história. Ainda que você o controle durante boa parte do jogo, a grande estrela do game é a própria Arkham City. É em torno da cidade-prisão instalada no coração de Gotham que tudo acontece, seja a presença de Batman ou a ascensão e a queda dos grandes vilões.

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Isso significa que ela é muito mais do que uma simples expansão da ilha do jogo anterior. O local possui vida própria, obrigando o jogador a estar sempre atento ao que acontece ao seu redor. Por mais que agora seja possível ir de um ponto a outro do mapa somente atravessando o topo dos prédios, é nas ruas que tudo acontece. Além dos diversos inimigos espalhados pelos becos, há uma infinidade de outros fatos que despertam o interesse do Cavaleiro das Trevas.

Esse é um dos principais destaques de Arkham City. Além da missão principal que dá continuidade à trama, há uma série de tarefas secundárias a serem cumpridas. Algumas são apenas assaltos cometidos por ladrõezinhos pequenos, mas há também aqueles planos bolados por inimigos mais perigosos, como Zsasz e Pistoleiro. Por mais que não seja necessário completar esses desafios, eles são uma ótima forma de estender, e muito, o tempo de exploração da cidade.

Img_normalÉ preciso lembrar também que estamos falando de um lugar dominado por mentes criminosas, ou seja, espere encontrar os vilões se enfrentando por poder. Para deixar tudo mais crível, essa disputa por território fez com que os bandidos se dividissem em gangues, cada uma sendo representada por uma característica de seu chefe. Os capangas do Duas-Caras, por exemplo, usam uma máscara deformada, enquanto o Coringa obriga seus vassalos a pintarem seus rostos como palhaços.

Isso pode ser apenas um detalhe pequeno, mas é algo que, dentro de todo o enorme contexto de Arkham City, torna a cidade muito mais interessante e verdadeira. Adicione a isso a infinidade de segredos e elementos escondidos e você terá motivos para vasculhar cada canto em busca de algo novo. Não é a toa que a Rocksteady adicionou uma pequena bússola no topo da tela e a possibilidade de marcar no mapa a localização de troféus e objetos não coletados. Ou era isso ou você nunca mais os encontraria novamente.

A gata e o morcego

Outra grande adição de Batman: Arkham City é a presença da Mulher-Gato como personagem jogável. Ainda que sua presença não seja obrigatória para dar continuidade à trama — ela deve ser baixada como um DLC a partir de um código que acompanha o game —, controlá-la dá novo ritmo à narrativa e nos permite conhecer um pouco mais sobre o que está acontecendo na cidade. Foi uma ótima forma de combater a pirataria, pois é um conteúdo que somente quem comprou o original poderá conferir.

Mais interessante é saber que ela não é apenas uma versão feminina do herói, pois possui um estilo bem diferente de combate. Ainda que os comandos e a forma de enfrentar os bandidos sejam os mesmos, Selina Kyle é muito mais acrobática em seus ataques e possui gadgets próprios para causar efeitos diversos.

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A exploração da cidade também é bem diferente, e um dos momentos em que fica mais divertido trocar o morcego pela gata. Por não possuir os acessórios do Batman, ela precisa se movimentar de outra forma. Desse modo, ao invés da arma de gancho que ele usa para alcançar o alto dos prédios, a Mulher-Gato usa seu chicote e seus reflexos felinos para escalar. O bacana é que, acertando o timing, ela ganha muito mais velocidade e estilo.

Maior e melhor

Quando as primeiras informações de Batman: Arkham City começaram a surgir, a principal dúvida girava em torno do fato de o título ser apenas uma versão maior de seu antecessor. A própria demonstração presente na Brasil Game Show nos fez temer essa realidade, já que não havia nada de novo, apenas as mesmas mecânicas, acessórios e elementos de Arkham Asylum.

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No entanto, a versão completa do game mostrou algo muito além disso. Existe, sim, um reaproveitamento de elementos do primeiro jogo, mas não sem melhorá-los significativamente. É o caso do sistema de voo, que está bem mais completo. Se antes era possível planar, agora você pode fazer mergulhos ou ”voar” como um morcego pelos céus de Arkham City — algo que pode ser aprimorado com os desafios de Realidade Aumentada, outra novidade da continuação.

A Rocksteady também deu um enorme salto em termos gráficos, o que significa que temos um jogo muito mais bonito. Isso é perceptível nas expressões faciais, abandonando os rostos quase imóveis para algo mais próximo do real e que colabora para construir a atmosfera dramática da trama. O estúdio também se preocupou em melhorar a interface dos menus do “Batcomputador”, que estão bem mais organizados. Na tela de upgrade, por exemplo, além de você ter mais domínio sobre cada tipo de melhoria, há uma gama ainda maior de elementos a serem evoluídos.

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Feira da fruta

Apesar de ser um dos melhores games de histórias em quadrinhos já feitos até hoje, Batman: Arkham City não deixa de ter seus problemas. No entanto, são coisas tão pequenas que dificilmente irão atrapalhar sua experiência. O maior exemplo é o efeito 3D, que apesar de ser quase inexistente, não é algo que vai decepcionar a maioria dos jogadores. O mesmo pode ser dito de alguns deslizes gráficos, como na construção de sombras ou nas texturas de alguns elementos.

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Talvez a maior deficiência da nova aventura do Homem-Morcego esteja nos desafios, que não conseguem escapar da inevitável repetição. Por mais que seja possível controlar Batman ou Mulher-Gato, sua tarefa é a mesma: derrotar todos os inimigos para obter a maior pontuação. É possível adicionar alguns fatores de exigência, uma das novidades no modo, mas não chega a ser algo significativo. Esperamos que a chegada de Robin e Asa Noturna corrijam esse detalhe.

vale a pena?

Batman: Arkham City chega aos consoles para reafirmar a posição como o melhor game inspirado em super-heróis. A Rocksteady conseguiu repetir a façanha do jogo anterior e expandiu o universo do personagem ainda mais. Com uma trama fantástica que surpreende desde a primeira cena, o título ainda oferece legendas em português e horas de exploração em uma cidade repleta de mistérios, vilões e coisas para descobrir.

Em um ano tão repleto de exclusivos de peso, como Gears of War 3 e Uncharted 3: Drake’s Deception, temos um incrível game multiplataforma que desponta como um dos fortes candidatos ao título de melhor jogo do ano. Independentemente de ser eleito ou não, a presença de Arkham City em sua prateleira é obrigatória.

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Batman: Arkham City gentilmente cedido por Compare Games.