As desenvolvedoras de motores gráficos, normalmente, são as locomotivas que começam a puxar a nova geração de consoles. Depois da belíssima demonstração Samaritan, que exibiu os limites máximos da atual era de aparelhos, a Epic Games apresenta agora a Unreal Engine 4, que deve estrelar alguns dos principais jogos do PlayStation 4, Xbox 720 e PC.

Durante a E3 2012, a empresa fez demonstrações ao vivo de todo o poderio da nova ferramenta. Além de divulgar um trailer, que é justamente o assunto do nosso Destrinchamos de hoje, a desenvolvedora também concedeu ao site GameTrailers uma exibição detalhada, que mostra todos os detalhes da nova tecnologia.

Pilar 1: partículas


Antes de mais nada, é importante lembrar que, dificilmente, os saltos entre uma geração e outra terão os mesmos efeitos impressionantes do passado. O pulo da sétima para a oitava era dos games, por exemplo, não terá o mesmo impacto da mudança dos 16 para os 32-bits ou nos deixará maravilhados da mesma forma que ficamos quando os gráficos em alta definição apareceram para quem estava acostumado com os jogos de PlayStation 2.

A força do futuro dos gráficos reside, principalmente, nos pequenos detalhes. Já estamos em uma era na qual é possível criar visuais fotorrealistas. Porém, são as minúcias – como partículas de poeira ou efeitos de iluminação – que entregam que aquilo realmente é um jogo, uma animação que, infelizmente, não reflete todos os aspectos do mundo “de verdade”.

É justamente aí que reside a principal força da Unreal Engine 4. No trailer divulgado pela Epic Games, é possível ver uma série de partículas que voam por aí de forma extremamente realista, acompanhando uma iluminação dinâmica. A luz é afetada pelos elementos que estão à sua frente, e até mesmo faíscas ou flocos de neve apresentam sombras.

Segundo a desenvolvedora, a Unreal Engine 4 é capaz de processar cerca de um milhão de partículas em tempo real. Apesar de ainda não ser possível dar um comportamento independente a cada uma delas, é possível programar uma série de reações, efeitos e movimentações diferentes.


O resultado disso são elementos que realmente se comportam como aquilo que são. Cinzas, por exemplo, não têm a mesma movimentação de faíscas ou gotas de chuva. Isso vale para todas as outras partículas que aparecem no trailer e, acreditem, elas são muitas.

Pilar 2: luz

A iluminação assume um caráter muito mais dinâmico na Unreal Engine 4. Agora, é possível observar as diferentes nuances de luz enquanto o personagem se movimenta pelo cenário. Mudanças nos ângulos de visão significam sombras e reflexos também variados.

A Unreal Engine 4 permite eventos dinâmicos de nascer e pôr do sol. Com o movimento do astro pelos céus, as luzes e reflexos se movem pelo cenário da mesma maneira, com diferenças sutis na iluminação e visibilidade com o passar do dia.


Outra grande novidade são os reflexos que tomam conta do ambiente. Agora, um chão inteiramente verde vai fazer com que todo o ambiente assuma o mesmo tom caso a luz esteja incidindo sobre o assoalho. Quando o personagem utilizar magias de fogo, por exemplo, uma coloração alaranjada será aplicada ao local, sempre em tempo real.

As diferenças entre luz e sombra também aparecem com um efeito nunca antes visto. Em um determinado momento do trailer, a câmera faz uma transição de um local escuro para um claro e a visão do jogador demora alguns momentos para se acostumar. Exatamente como na vida real.

Aqui, porém, já é possível fazer uma crítica. Uma das grandes novidades da Unreal Engine 4 é a aplicação de forma realista do lens flare, pequenos reflexos que aparecem em fotografias e filmagens. Porém, como o nome já diz, esse é um efeito que acontece especificamente em lentes — e não com o olho humano. Teoricamente, então, ele não deveria existir em um game no qual assumimos a visão do protagonista, como um FPS.

Nem tudo é perfeito


A Unreal Engine 4 representa, sim, um grande avanço para o mundo dos games. Na demonstração exibida pela Epic, porém, já é possível perceber algumas falhas que, apesar de não serem graves, continuarão a impedir que os jogos sejam plenamente confundidos com filmes.

A movimentação de elementos fluídos, como é o caso da lava vista no vídeo, ainda está longe de ser natural. Também é possível perceber algumas texturas chapadas, principalmente nos momentos em que estamos vendo áreas externas, com neve e rocha unidos como se fossem uma coisa só.

Por fim, as partículas dinâmicas tão faladas pelos desenvolvedores ainda aparecem como objetos bidimensionais. Flocos de neve ou faíscas não possuem profundidade, o que pode acabar com a sensação de realismo caso o jogador se aproxime demais deles ou eles sejam utilizados de forma errada por produtores de jogos.

Mesmo com esses pequenos problemas, a Unreal Engine 4 é o que temos de mais avançado em termos de gráficos. De acordo com a Epic, os primeiros games que usam o novo motor gráfico devem chegar às lojas no ano que vem.

Viu algum erro ou gostaria de adicionar uma sugestão para atualizarmos esta matéria? Colabore com o autor clicando aqui!