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É bem verdade que a maioria das franquias de corrida jamais primou por contar boas histórias. Na verdade, entre um drift que pinta o asfalto e um salto que possivelmente embrulharia o estômago de um campeão de rali, você provavelmente acaba nem dando muita atenção para o porquê de tudo aquilo. Quer dizer, quem se importa? Afinal, há velocidade, há adrenalina e, eventualmente, há até belas mulheres feitas de pixels e polígonos virtuais — e, em caso de capotagem, basta reiniciar o game, sem qualquer tipo de prejuízo maior.

Entretanto, um olhar mais atento poderia facilmente encontrar belos nacos de história embalando um bólido poderoso através das corridas ilegais de Need For Speed. Da mesma forma, a clássica trajetória do piloto aspirante em busca de fama e dinheiro de Midnight Club: Los Angeles parece nunca sair de moda.

É claro que ninguém esperaria encontrar em um simulador de corrida um culto organizado em torno de uma bomba nuclear não detonada (Fallout 3) ou um artefato alienígena capaz de transformar cadáveres em necromorphs sedentos por sangue e vísceras ou, ainda, a busca de um bruxo malevolente pelo poder lendário de criaturas ancestrais (The Legend of Zelda)... Mas, ei! Alguns até fazem um trabalho bastante decente! Vamos a eles.

Afinal, por que eu estou correndo?Algumas boas tramas que permeiam a alta velocidade nos games

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Um sujeito de Los Angeles conhecido simplesmente como “Player” (muito conveniente, na verdade) muda-se para Los Angeles após receber uma ligação do campeão da cidade, Booke. O que se segue é uma trama um tanto batida, mas nem por isso menos bem contada.

Trata-se, basicamente, do tipo de história que você encontraria em um filme da série “Velozes e Furiosos”: desafie grandes nomes do mundo dos rachas, entregue pacotes “suspeitos”, sempre correndo feito doido pela cidade. Vale um pontinho extra para as animações estilo GTA que despontam entre uma missão/corrida e outra — não por acaso, é claro, já que o game é da Rockstar.

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As suas desventuras sobre rodas em Most Wanted começam com a chegada do protagonista a Rockport City a bordo de uma BMW M3 GTR (E46). A sequência bem poderia ter sido retirada do script de um filme de ação.

Há a policial disfarçada e potencial caso amoroso; o oficial de polícia caricato que promete caçá-lo até as últimas consequências; um antagonista principal, Crarence “Razor” Callahan, que se vale de todo tipo de artifício para acabar com a sua existência. Isso sem falar em uma lista dos 15 pilotos de racha mais procurados pela polícia de Rockport City... No melhor estilo Scott Pilgrim vs. The World.

Ok, Crazy Taxi não tem realmente uma história. De fato, seria difícil imaginar uma franquia mais completamente comprometida com o sumo do estilo arcade. Entretanto, não se pode dizer que não há um motivo gerador por traz da coisa toda.

Afinal, você é um motorista de Taxi — um tanto singular, é verdade — em uma cidade grande abarrotada de clientes que devem ser entregues em seus destinos em limites de tempo realmente insanos. Do contrário, eles acabam simplesmente pulando do carro. Enfim, de certa forma, trata-se de um verdadeiro épico!

  • Star Wars Episode 1: Racer

Star Wars Episode 1: Racer é um daqueles casos típicos de jogos oportunistas pós-blockbuster cinematográfico. Originalmente, o jovem Anakin Skywalker entra em uma única disputa de pods, unicamente para poder comprar sua liberdade. No caso do game da LucasArts, a fórmula é estendida, e você passa a correr para adquirir peças, droids e outras vantagens. Bem, de qualquer forma, há uma história por trás, certo?

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Sim, há uma história por trás de toda a insanidade pirotécnica de Split/Second. De fato, trata-se de algo até relativamente original. Aqui o foco não são simplesmente as corridas, mas sim um programa de TV de proporções épicas, no qual os participantes (suicidas em potencial) ingressam em busca de dinheiro e glória.

Ademais, conforme você completa seu medidor de Powerplay, obstáculos e catástrofes artificiais começam a despontar pelo caminho dos adversários — enfim, não muito distante do que se vê na televisão todos os dias.

Apenas entrar em um carro poderosos e sair queimando pneus não deve ser o suficiente. Pelo menos é desse preceito que parte a desenvolvedora Eden Studios para o seu Test Drive Unlimited. Além de enfiar o pé nos aceleradores de alguns dos bólidos mais desejados do planeta, Unlimited ainda permite que você mantenha sua própria casa — com uma garagem abarrotada de carro, naturalmente — e visite lojas de automóveis para experimentar Ferraris, Bentleys, Jaguares etc. Também é possível correr, é claro.

 

  • Rock N’ Roll Racing

Uma competição intergaláctica entre alguns dos pilotos mais insanos do cosmos. É possível ficar melhor? Bem, que tal se as corridas forem embaladas por alguns dos maiores clássicos da história do heavy rock — embora em MIDI, o máximo que a 4º geração permitia? Para apimentar ainda mais o cenário, simplesmente não há qualquer tipo de regra. A sacanagem é não apenas permitida como abertamente encorajada... Na forma de mísseis, minas e metralhadoras.

Conte a sua própria históriaÀs vezes, uma boa corrida é o suficiente

Img_normalCá entre nós: nem todo jogo de corrida traz consigo uma trama mirabolante — mesmo que incrivelmente batida. De fato, em muitos casos, a corrida é perfeitamente capaz de contar sua própria história. Ou melhor: você mesmo pode forjar a sua narrativa de acordo com as escolhas que toma ao longo da sua jornada rumo ao topo e às capas de revistas especializadas.

Os melhores exemplos para esses casos podem ser encontrados nos simuladores de corrida. Títulos como Forza Motorsport, Gran Turismo e F1normalmente não trazem qualquer tipo de trama preconcebida. Conforme participa das disputas, adquire carros, efetua melhorias e acumula dinheiro, você faz com que a sua história pessoal surja de um cenário relativamente genérico.

Enfim, com ou sem uma trama, no fim das contas, qualquer bom game de corrida parece capaz de contar sua própria história. Não é para menos: trata-se de um gênero no qual a jogabilidade sempre ocupou papel central, mantendo certa ligação, por exemplo, com jogos de pancadaria — ou vai dizer que a vingança pessoal de Chun-Li contra M. Bison é realmente relevante na hora de disparar o bom e velho Cyclone Kick?

No fim das contas, afundar o pé em um acelerador para ouvir o ronco demoníaco de uma Lamborghini com certeza soa como um conto de fadas nos ouvidos de muita gente.

E você? Conhece um game com uma boa história? Ou, talvez, um modo carreira em particular tenha sido memorável? Comente abaixo.

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