Uma frase bem colocada pode ser uma arte. Organizar as ideias em períodos relativamente curtos para distribuir elogios, previsões e “tapas de luva” também deve ser. Desnecessário dizer: os figurões da indústria de games sempre foram bem versados nessa forma de arte em particular, atirando quotes feito shurikens contra a indústria, como forma de autopromoção ou simplesmente para atacar gratuitamente um adversário ou reclamar da dura rotina de trabalho.

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Bem, mas o que andam dizendo as figuras tarimbadas dos games durante os últimos meses? Afinal, se as farpas já correm soltas naturalmente, é claro que certos eventos tornem tudo muito mais intenso (a Electronic Entertainemt Expo, é claro), chegando mesmo a transformar programadores e designers em tarólogos, astrólogos... Capazes de predizer o que nos espera na próxima geração de consoles — algo que pode nem se concretizar, caso você vá na onda de Dave Jaffe.

Enfim, talvez valha a pena dar uma olhada no que andam dizendo os cavaleiros da indústria que, na falta de poder utilizar as armas colossais que projetam em seus jogos, fazem das aspas duplas suas espadas e escudos.

O que andam dizendo os ícones da indústria?Previsões, ataques e humor dos ícones de uma indústria que não para

  • Dave Jaffe compraria um Wii U?

“Veja bem, os consoles estão indo embora. Eu penso que seja o caso de dez anos — talvez menos, mas dez anos é sempre a aposta mais segura, para que você não soe como um idiota. Eis o que eu tenho a dizer: a próxima geração de hardware deve trazer os últimos consoles. E assim deve ser” (Dave Jaffe, em entrevista ao site Games Industry).

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Dave Jaffe foi um dos primeiros a disparar suas impressões diante da apresentação relativamente morna do Wii U durante a última edição da E3. De fato, a frase presciente acima ganhou ainda mais materialidade quando o criador de Twisted Metal e God of War afirmou que simplesmente não viu nada no novo console da Nintendo que o fizesse ter vontade de adquiri-lo.

  • O saudoso Molyneux

“Não muito tempo atrás, as publicadoras suprimiram muitas personalidades interessantes da indústria de games. Nós tínhamos a Bitmap Brothers, e eram sujeitos realmente célebres, mas não era do interesse das publicadoras manter o status dessas pessoas. Se houvesse confiança nessas celebridades, talvez nós não tivéssemos tantas sequências por aí”(Peter Molyneux, em entrevista à Bafta Games).

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Por que há tantas franquias hoje que, aparentemente, duram muito mais do que o necessário? Para Molyneux, trata-se de talentos soterrados por questões mercadológicas. Mas ele vai além: para o criador de Fable, os únicos desenvolvedores que conseguem se manter como ícones atualmente são aqueles alçados ao posto de “astros de rock” — mencionando figuras como Dave Jaffe e Cliff Bleszinski.

  • Não enterrem o Vita antes do tempo!

“Eu acho que, infelizmente, muitas dessas histórias foram escritas antes do lançamento do Vita. Nós sabíamos que havia um mercado. A nossa pesquisa, em quatro anos de criação, apontou que existia um mercado. Nós absolutamente acreditamos isso” (John Koller, chefe de marketing da Sony, em entrevista ao site Kotaku).

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Para John Koller, parte das previsões fúnebres relacionadas ao desempenho supostamente pífio do PlayStation Vita não passam de intriga da oposição. Até porque (ele garante), há um forte reforço a caminho — “a série Street Fighter, a franquia Maddens, os Assassin's Creeds, os Call of Dutys, os PlayStation All-Stars, todos grandes jogos”. Koller também reforçou que as vendas digitais do console normalmente não são levadas em conta por seus detratores.

  • Os jogos viraram um “passeio no parque”? Cliff Bleszinski tem a solução

 “Os jogos se tornaram mais lineares e fáceis, parecendo-se apenas com um amontoado de mini games de contexto. Quanto mais eu jogo, mais eu fico decepcionado (...). Quando foi a última vez que um jogo realmente desafiou você, realmente cobrando algo?” (Cliff Bleszinski, em entrevista ao site Xbox 360 Achievements).

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Cliff Bleszinski parece de saco cheio de jogos que pegam você pela mão e levam, com cuidado, até o seu final. De fato, a frase acima foi acompanhada da bravata: se o novo Gears of War não fizer você suar a camisa, então “nós não fizemos o nosso trabalho”. É claro, para jogadores menos calejados, ele acrescenta: “Sempre haverá o modo casual”.

  • Nintendo e a tentativa de fazer as pazes com o público hardcore

“Se vocês nos perguntarem se tudo o que a Nintendo fez estava certo ou se nós deveríamos utilizar novamente as mesmas táticas, caso a companhia mantenha suas políticas e estratégias, eu diria que algumas questões precisam ser transpostas. Algumas pessoas acabaram sentindo que o Wii não era o seu sistema, mesmo que muitos jogos interessantes tenham sido lançados” (Satoru Iwata, em entrevista ao site CVG).

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Em suma: a Nintendo construiu um dos produtos mais inovadores e rentáveis da história dos videogames com o Wii. O inconveniente? O produto acabou tão inovador que... Para algumas pessoas simplesmente não era mais video game — pelo menos não nos moldes tradicionais, vale dizer.

  • Pobre Black Ops 2...

“Pobre Black Ops 2, você parece cansado, deveria tirar um ano de folga. Estou ansioso pela competição entre FPS deste ano, assim como pela próxima edição da E3 [Electronic Entertainment Expo]. Medal of Honor Warfighter,Battlefield 3, Frostbite 2... Vida longa!”(Kevin O’Leary, gerente de produtos da EA, via Twitter).

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A frase acima marcou o início da última rodada de insultos bem-humorados entre EA e Activision. A questão que fica, entretanto, é: será mesmo que Battlefield pode deixar a suposta estagnação da enxurrada Call of Dutys para trás? Ou se trata apenas de mais uma franquia? Enfim, a opinião de Kevin O’ Leary você já conhece, pelo menos.

  • Ainda não é hora de dar adeus à mídia física

“Eu acredito que os discos ainda vão durar cinco ou dez anos. Eu não tenho uma bola de cristal, mas essa é a minha aposta. (...) Haverá uma nova geração de consoles que ainda utilizará mídias físicas, embora não de forma exclusiva — assim como ocorre com a Xbox LIVE, na qual se pode baixar jogos antigos”(Sean Spector, chefão da varejista GameFly, em entrevista ao site Videogamer).


Em meio à torrente de “coveiros” das mídias físicas, o homem da GameFly resolveu partir em defesa dos nossos bons disquinhos e afins. Parece razoável, é claro. Sobretudo porque a ideia de hibridismo parece razoavelmente de acordo com todas as transições de tecnologias pelas quais passou a indústria de games até hoje — sem falar que é também uma bela forma de se manter em cima do muro ao disparar uma previsão.

  • A periferia do Wii

“Eu sempre pensei que o PlayStation 3 e o Xbox 360 estivessem na mesma geração, mas o mesmo não acontece com o Wii. O Wii moldou um novo nicho para si próprio. Para mim, era como se houvessem duas gerações seguindo ao mesmo tempo” (Shuhei Yoshida, da Sony, em entrevista ao site Eurogamer)

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Shuhei Yoshida, da Sony, foi outro a reforçar o estilo “andarilho solitário” do Wii. Afinal, como considerar que os saltos de geração atuais da Nintendo realmente andam em sincronia com o restante da indústria? (Entenda-se: Sony e Microsoft). É provável que se trate mesmo de um caminho próprio, no fim das contas.

  • Pirateie... Mas não se esqueça de se sentir mal

“Apenas pirateie. Se você ainda gostar dele no futuro, quando puder pagar, então compre-o. É claro, não se esqueça de se sentir mal” (Markus “Notch” Persson, criador de Minecraft, via Twitter).

Fonte da imagem: Reprodução/PCGamer
Quem é que ainda não conhece as opiniões controversas de Markus “Notch” Persson? Mas não, ele não se limita a incentivar a pirataria apenas quando a pimenta está nos olhos do outros. Na verdade, a frase acima refere-se ao próprio Minecraft. Recentemente, “Notch” ainda disparou pedradas como “se alguém copia o seu jogo um trilhão de vezes, você não perderá nem mesmo 1 centavo”, embora o próprio agente da discórdia lembre: quando puder comprar, é melhor fazê-lo.

Fontes: Eurogamer, Games Industry, CVG, Kotaku, IGN, Xbox 360 Achievements, Videogamer

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