Ao começar Gravity Rush, é impossível não ficar encantado com a radiante cidade de Hekseville. Com seu visual quadrinhesco, o cenário onde se passa a maior parte da ação do mais novo exclusivo do PlayStation Vita é simplesmente fabuloso.

Devido a uma amnésia, contudo, a protagonista Kat sabe tanto quanto você a respeito desse universo. “Por que a cidade flutua?”, “onde exatamente ela está localizada?” e “o que são as criaturas que têm aparecido nela?” são perguntas cujas respostas Kat não se lembra – isso se alguma vez as soube.


Em meio a tanto mistério, a desmemoriada heroína não está sozinha. Assim que acorda ela se vê acompanhada de um gato logo batizado (a contragosto) de Dusty. O felino, no entanto, logo se mostra bem diferente de seus companheiros de espécie – isso porque, com a sua ajuda, Kat consegue alterar a direção da gravidade a sua volta.

A partir daí, Kat deve utilizar essa nova habilidade em uma jornada em busca das respostas que procura, ao mesmo tempo em que auxilia os cidadãos de Hekseville a resolver os estranhos eventos que têm acontecido na cidade.

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Que tal cair para cima?

Em um primeiro momento, alterar a direção da gravidade para se locomover é bastante desengonçado. É necessário apertar R uma vez para anular a força que atrai Kat ao chão, mover a tela e então apertar o botão novamente para mudar a gravidade para a direção desejada.

Parece complicado? No começo sim. Assim prepare-se para “despencar” muitas vezes para o lado após errar a parede de um prédio pela primeira vez. No entanto, não demora muito para que você possa ajudar Kat a controlar seus poderes para “voar” gloriosamente pelos céus da cidade.

Img_normalA inovadora mecânica de jogo também oferece alguns desafios bastante interessantes. Como é possível adentrar um território fortemente vigiado por inúmeros policiais? Que tal tentar andar pelas laterais da cidade para que ninguém o veja? Não gostou? Vá por baixo! O que importa é ser criativo para resolver os desafios propostos.

Quadrinho animado

Além de apresentar uma ideia de jogo bastante original e interessante, Gravity Rush também chama também a atenção pelos seus cenários belíssimos – um dos melhores já apresentados no novo portátil da Sony.

O estilo cel-shadingdos gráficos faz com que game pareça uma história em quadrinhos animada, algo que é reforçado pelas fantásticas cenas de transição que abrem cada novo capítulo de sua campanha principal.


Essas animações ainda combinam várias camadas bidimensionais para forjar um pequeno efeito de profundidade – algo bastante interessante e que convida o jogador a mexer o console para visualizar a cena em vários ângulos.

Pronto para o desafio?

Além das missões principais, Gravity Rush também apresenta uma série de desafios secundários não necessários para fechar o jogo, mas que ajudam bastante Kat a evoluir as suas habilidades.

Para habilitá-los, basta restaurar os diversos monumentos espalhados por todos os distritos da cidade. Além de aumentar a reputação da heroína, fazer isso habilita diferentes tipos de desafios. Assim, enquanto em um deles é necessário atravessar a cidade o mais rápido possível, em outro é preciso derrotar o maior número de inimigos dentro de um determinado período de tempo.


Como recompensa, os desafios oferecem gordas quantias das joias utilizadas por Kat para se fortalecer. Assim é possível tornar seus golpes mais fortes, aumentar a sua barra de energia e aumentar o tempo em que é possível manter a gravidade alterada – algo essencial para concluir alguns dos desafios propostos pelo título.

Kat fala a nossa língua

A localização de games para o português do Brasil é um fenômeno que tem crescido cada vez mais nos últimos anos, e Gravity Rush é um dos títulos que reforçam a onda. Totalmente legendado em nosso idioma, o jogo foi muito bem traduzido, sem a presença de expressões ou palavras bizarras a nosso vocabulário – Mortal Kombat, estamos falando de você.

Para quem sentir falta de dublagem, não há motivos para reclamar também, uma vez que os habitantes de Hekseville falam uma língua inventada no melhor estilo “The Sims”. Parabéns para a Sony e a sua preocupação com o público brasileiro.

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Lutar em gravidade zero não é uma ideia tão boa assim

Durante a sua jornada, Kat e Dusty têm de enfrentar centenas de Nevi – criaturas estranhas e misteriosas que têm aparecido na cidade. Enquanto esses seres se apresentam sob diferentes tamanhos e formas, encontrá-las sempre é um pouco desesperador. O único problema é que esse desespero é causado pelos motivos errados.

São poucos os Nevi que realmente causam algum problema a Kat. Graças as suas habilidades especiais, mesmo com pouca vida é tranquilo escapar dos ataques adversários para depois retomar a investida com mais calma e segurança.

Ao mesmo tempo, a localização de todos os oponentes é apresentada na própria tela ao jogador. Contudo, a ausência de um sistema de auxílio à mira torna os combates bastante prolongados e frustrantes. Desse modo, é fácil errar um pequeno inimigo e acabar voando sem querer para longe da batalha, assim como adversários mais ágeis se tornam um problema por ser extremamente complicado de encontrá-los em meio à ação.

Deixe-me ajustar os controles

Há alguns pequenos problemas em Gravity Rush que, embora não estraguem a experiência oferecida pelo game, retiram boa parte de seu brilho. Um deles é a falta de uma opção para configurar os controles.

A minha maior birra nesse sentido fica com o deslizamento gravitacional. Como é necessário segurar os dois cantos da tela para fazer Kat deslizar, é preciso movimentar a personagem com o sensor de movimento do portátil – opção que gera uma grande confusão, uma vez que a câmera também é movida pelo sensor.

Pequenos detalhes que fazem a diferença

Gravity Rush apresenta tempos de loading levemente maiores que o comum. A espera não chega a ser gritante na maioria dos casos, mas nos desafios a história muda. Tudo isso graças a ausência da opção “Retry”.

Desse modo, se o jogador notar que um erro inicial irá impedi-lo de conseguir uma medalha de ouro, por exemplo, é necessário terminar o desafio para ganhar mais uma chance. Outra opção consiste em desistir do desafio, voltar à cidade para então reiniciá-lo. De uma maneira ou de outra, o tempo de espera é significantemente grande para irritar qualquer um.

vale a pena?

Lançado em fevereiro, o PlayStation Vita ainda peca ao apresentar uma biblioteca não muito extensa, com ainda menos títulos excepcionais. Enquanto Resistance: Burning Skies foi uma grande decepção para os donos do portátil, Gravity Rush estava sendo esperado com grande expectativa para ocupar o posto de grande jogo do Vita.

Img_normalAs aventuras de Kat não são exatamente um título próximo da perfeição como muitos esperavam. Enquanto a mecânica de jogo é extremamente interessante e inovadora, ela não é tão explorada quanto se poderia esperar e, em muitos momentos, o game se baseia excessivamente em combates que nada têm demais.

Ainda assim, Gravity Rush é um bom título. Com um estilo visual espetacular, o game é uma das melhores opções para o portátil e é capaz de divertir por bastante tempo. Só é recomendável abaixar um pouco as expectativas para não se decepcionar.