Videoanálise

Hitman é uma franquia de jogos de espionagem e assassinatos nos quais os jogadores são encorajados a utilizarem muita perspicácia para conseguirem cumprir missões silenciosamente. Em vez de ficar distribuindo tiros para todos os lados, é preciso penetrar sozinho em locais muito bem vigiados, utilizar disfarces e erradicar alvos fazendo o menor alarde possível.

É exatamente com essa proposta que a IO Interactive e a Square Enix levaram seis anos desde o lançamento de Hitman: Blood Money para concluir o mais novo título da série, chamado Hitman: Absolution. Trata-se novamente de uma aventura de espionagem que colocará os jogadores em meio a uma trama de espionagem, traição e muitas mortes.

Seguindo a prerrogativa de que a aventura do Agente 47 deveria ter se findado no game anterior, Absolution retoma os problemas de corrupção dentro da própria indústria de espionagem. O protagonista da série, que fez uma limpa nas testemunhas em seu próprio enterro, precisa salvar uma menina que custou a vida da única pessoa em quem ele já confiou.

Img_normal
Certamente, os gamers sabem que muita ação stealth estará presente no novo jogo da franquia, com bastante violência e com os assassinatos mais furtivos do mundo dos games. Como muitos inimigos falam durante a aventura, será que o “matador fantasma” fará jus aos outros quatro jogos que o antecedem? Vamos conferir.

aprovado

Fantasma vivo e com ótima definição

A primeira qualidade que precisamos apontar sobre o game é a tremenda evolução gráfica em relação aos jogos anteriores da série. Para quem não se lembra ou não conhece, o primeiro Hitman foi lançado nos idos de 2001 com qualidade técnica modesta e gráficos compatíveis com o padrão da época.

Depois disso, em Hitman 2 (2002), Contracts (2004) e Blood Money (2006), nenhuma outra sequência apresentou uma evolução tão grande em relação ao jogo anterior e, por conseguinte, com toda a franquia. Os visuais são belíssimos, com texturas tão bem definidas que lembram pinturas.

Img_normal
O principal destaque deste tópico fica por conta das expressões faciais dos personagens. O próprio Agente 47, em certo momento do jogo, passa por um espelho e se reconhece como um homem envelhecido. As rugas já infestam o semblante do assassino silencioso e as emoções são facilmente transmitidas aos jogadores, que acabam se envolvendo mais ainda com o jogo.

Instinto Assassino

Um dos grandes diferenciais de Hitman: Absolution é uma nova funcionalidade chamada “Instinto” do jogador. Com ela, o Agente 47 ganha habilidades surpreendentes de captar a posição de cada inimigo localizado dentro de uma determinada área. Também é possível prever a movimentação dos seres que aparecem marcados na tela quando você utiliza esse modo.

Esta última função, o Instinto, é excelente para preparar ataques surpresas no melhor estilo stealth, no qual você se antecipa ao inimigo e o pega de surpresa. Em momentos em que você está trajando algum disfarce, a funcionalidade também serve para que você possa passar despercebido por pessoas que usam o mesmo uniforme que você, sendo que elas são as únicas que podem identificar sua falsidade ideológica.

Img_normal
Para que os jogadores não se tornem dependentes demais do Instinto, ele é limitado por uma barra de gauge que diminui conforme você a utiliza. Seguramente, trata-se da melhor novidade do jogo em relação aos títulos anteriores da franquia. 

Poder de fogo, de porcelana, de aço...

Uma das partes mais divertidas de Hitman: Absolution é matar os inimigos de maneiras inusitadas. É possível utilizar uma infinidade de objetos para desacordá-los, como estatuetas de pedra, martelos, machadinhas e vários outros objetos espalhados pelos cenários.

As mortes podem ser construídas de maneiras bastante elaboradas, como envenenar um copo de café de alguém. E, em cada ação que você toma, a reação dos personagens envolvidos no contexto sempre varia, e isso incentiva muito a criatividade dos gamers.

Sonoridade impactante

É preciso fazer uma menção ao sistema de som de Hitman: Absolution. Como de costume, a trilha sonora sacra é amplamente explorada, com músicas de qualidade orquestral. Qualquer produção cinematográfica poderia utilizar a trilha de Absolution com muito orgulho.

Os efeitos sonoros continuam de primeira linha, com destaque especial para quando você quebra o pescoço de um inimigo. Durante o gameplay do BJ, o Gabriel (que estava testando o jogo) se contorceu muito ao ouvir o som dos ossos do pescoço sendo estraçalhados. “É de arrepiar!”, disse ele.

Jogando mais de uma vez

Uma qualidade notável de Hitman: Absolution é que você pode jogar mais de uma vez cada missão sem enjoar. As várias maneiras de concluí-las contribui muito para o aumento de tempo de “playability” do título. Porém, é em outra ocasião que a jogatina se prolonga mais.

Img_normal

No modo Contracts, os gamers podem aceitar desafios propostos por outros jogadores ou montar suas próprias missões. O nível de cada contrato pode ser escolhido por quem os preparar, e as recompensas geralmente valem a pena — sem contar o sentimento de orgulho de matar um alvo antes de seu concorrente.

reprovado

Liberdade premeditada

Em um game cuja prerrogativa aponta para a vastidão de maneiras diferentes de cumprir um mesmo objetivo, o mínimo que esperamos é poder descobrir um jeito inusitado de realizar tal tarefa. Algo que surpreenderia até mesmo a equipe de criação do próprio jogo, que poderia ficar de boca aberta ao descobrir uma possibilidade inédita até então para eles.

Porém, não é nada disso que encontramos em Hitman: Absolution. Ao contrário, quanto mais você se aprofunda no universo das missões de assassinato, mais preso você vai se sentindo para completar as tarefas. Em outras palavras, parece que os desenvolvedores espremeram as possibilidades que conseguiram evidenciar em cada capítulo e deixaram que os meios no cenário propiciassem tais feitos.

Img_normal
Você pode matar um chefão do crime de Hong-Kong atirando na cabeça dele, envenenando sua comida com um peixe tóxico, empurrndo-o em uma caldeira fervente ou abatendo-lo furtivamente enquanto ele embarca em sua motocicleta. Nada além disso...

Linearidade de relações

Outro ponto que merece ser destacado é a falta de variação na interação com os itens presentes nos cenários. Por exemplo, em certo local há um balcão, sobre o qual existe uma estatueta de pedra e uma maçã. A pequena escultura de pedra pode ser pega e usada para distrair os inimigos, enquanto a fruta não pode sequer ser tocada.

Essa desigualdade de possibilidades na interação com os objetos de cenário é outro fator que mostra o quão limitante pode ser a jogabilidade analisada de um ponto de vista mais aprofundado. Nesse mesmo pensamento, a jogatina como um todo se torna um tanto linear (para não dizer limitada).

Img_normal
Uma vez que a sua liberdade é presa e a história entrega algumas cutscenes previamente montadas, podemos seguramente afirmar que Hitman: Absolution é um jogo muito mais linear do que livre.

Texturas sólidas e fuga da proposta

O último apontamento sobre Hitman: Absolution é quanto aos belos gráficos. A textura contínua de algumas partes denuncia que o visual do jogo está mais para um quadro pitoresco do que para uma simulação realista de aventura. Em termos gráficos, isso pode ser notado em locais nos quais o Agente 47 entra na água e ela não responde ao deslocamento do personagem.

No que diz respeito ao andamento do jogo, o momento no qual o protagonista retira a roupa dos inimigos abatidos e se disfarça com elas é sofrível. O ato da troca de roupas parece aqueles improvisos teatrais que as crianças fazem, “fingindo que estão trocando de roupa”. Não que isso torne menor o glamour de Hitman: Absolution, mas certamente poderia ser melhorado para tornar o jogo impecável.

vale a pena?

Quando os primeiros títulos de consoles e computadores baseados em obras de Tom Clancy foram desenvolvidos para os games, a aventura stealth começou a despontar no cenário mundial. Então, a IO — uma subsidiária da Eidos — apresentou ao mundo Hitman, o assassino silencioso e mortal.

Continuando a alta qualidade da franquia, Hitman: Absolution não é um recomeço ou uma reestilização para a série, mas sim uma prova de que os jogos de espionagem estão atingindo patamares espetaculares. A qualidade gráfica de Absolution chega a impressionar, e a jogabilidade está mais refinada e aprimorada.

A trama de Hitman: Absolution não fica devendo nada para os jogos baseados em obras de escritores de grande renome. O enredo vai se construindo devagar, entregando para os jogadores apenas pequenos detalhes do que está acontecendo para que eles idealizem a história conforme o sentido de cada uma das missões cumpridas.

Claro que o game conta com alguns pontos negativos, mas, na soma das qualidades e defeitos, Hitman Absolution garante o título de melhor jogo da franquia feito até hoje. Para compensar ainda mais o ato da compra, o modo de jogo Contracts aumenta exponencialmente o tempo útil de jogatina. Portanto, Hitman: Absolution vale muito a pena!