No PSP, os games da franquia Monster Hunter são sucesso absoluto, e duas versões (das três lançadas para o portátil) encabeçam a lista dos games mais vendidos para o console. Com todo esse sucesso, parece óbvio que outras desenvolvedoras tentariam se aproveitar da fórmula, criando títulos semelhantes para pegar carona na onda criada pela Capcom.

Lord of Arcana se encaixa nesta definição. Carregando o nome de peso da Square Enix, responsável pela distribuição do título, o jogo da Access Games adiciona um pequeno fator à trama. Em vez das batalhas terem como único objetivo alcançar o topo do ranking de caçadores, os personagens estão em busca da Arcana, pedra lendária que daria poderes sem fim a seu possuidor.

Img_normal

A maneira de se obter o artefato, porém, é a mesma do já clássico game da Capcom. Ande por aí aceitando missões e aumentando seu nível dentro da liga dos caçadores, até finalmente chegar aos altos escalões e partir em busca do grande prêmio. A premissa simples, tão bem executada por sua criadora, não funcionou tão bem nesta reimaginação para o PSP.

aprovado

Tradicional e lento

Assim como na vida real, Lord of Arcana é um jogo que progride aos poucos. Apesar de começar com um personagem já poderoso e com habilidades diversas, todo este poder é anulado quando a história começa para valer. É a partir daí que o jogador pode criar sua própria história e trabalhar seu guerreiro para ocupar o posto mais alto do ranking de caçadores.

Isso acontece de forma gradual, com missões mais simples e inimigos fracos no início, sem exigir muito do jogador. Aos poucos, porém, o trabalho começa a ficar mais difícil e utilizará constantemente as habilidades que são adquiridas pelo personagem. Aos poucos, também, o guerreiro conquista missões mais elaboradas até partir para o objetivo final e localizar Arcana.

Img_normal

Esta característica cai como uma luva ao estilo de RPG tradicional deste título. Como as batalhas não acontecem em tempo real (o jogador é levado a uma arena específica para combater os inimigos a cada encontro pelos cenários), não dá para esperar que a evolução do personagem progrida de forma diferente. Espere o pacote completo: procura por itens pelas dungeons, pontos de experiência ao fim de cada combate e utilização de magias e summons durante as lutas.

Personalização total

Como na maioria dos games deste gênero, Lord of Arcana começa com a personalização de seu guerreiro. O trabalho envolve seleção de estilos e cores para o rosto e cabelo. Além disso, a voz do personagem também pode ser selecionada entre alguns modelos disponíveis. Tudo isso é feito de maneira objetiva, com poucas, mas abrangentes opções.

Img_normalO estilo de arma utilizada também é escolhido antes do início da aventura. A opção é feita entre espadas, maças, lanças e machados, cada arma com seu próprio estilo de combate. Armas maiores, por exemplo, não permitem a utilização conjunta de escudos, e a maior força de ataques pode nem sempre compensar a diminuição na defesa. Tudo depende de como o jogador pretende seguir.

Tudo isso, porém, pode ser revertido a qualquer momento, em lojas disponíveis no próprio game. A aparência física do guerreiro também pode ser alterada. Apenas o sexo do personagem é fixo até o fim da aventura.

Guerreiros conectados

Um dos principais pontos positivos de Lord of Arcana é o modo online. Pela internet, até quatro guerreiros podem se unir e partir juntos para completar as missões do game. A funcionalidade pode ser especialmente útil para os novatos que, ao lado de amigos mais graduados no ranking, podem embarcar em missões de níveis avançados e aceImg_normallerar o desenvolvimento de seu personagem.

Os jogadores podem se conectar por meio de uma conexão com a internet ou pelo sistema ad hoc do PSP. No segundo caso, apenas dois guerreiros podem se unir nas batalhas, e é necessário que ambos possuam o game. A dupla, porém, pode se unir a mais dois combatentes por meio da conexão Wi-Fi.

reprovado

Duas mãos esquerdas, literalmente

Apesar de ser um game exclusivo para o portátil da Sony, Lord of Arcana não parece ter sido um game desenvolvido para o posicionamento de botões do PSP. Como na esmagadora maioria dos games de ação, a câmera é controlada de maneira independente à movimentação do personagem, de forma a oferecer uma melhor visualização dos cenários.

Enquanto o sistema funciona perfeitamente em joysticks com dois analógicos, no PSP a movimentação do guerreiro é controlada pela alavanca, enquanto o direcional cuida do posicionamento da câmera. O resultado é um conjunto de comandos que não pode ser utilizado ao mesmo tempo, já que ambos são localizados à esquerda no console.

É impossível andar e movimentar a câmera ao mesmo tempo. Por isso, muitas vezes o jogador se verá sendo atacado por inimigos que não viu se aproximando, por não conseguir enxergar todo o cenário da maneira devida. Lutas contra chefes de fase ou monstros muito rápidos também podem se tornar um problema graças a isso.

Repetição burra

Prepare-se para não pensar muito. Com poucas opções de monstros, Lord of Arcana apresenta inimigos que atacam o jogador sempre da mesma maneira e, normalmente, tiram a mesma quantidade de energia a cada golpe. Isso torna a formulação de estratégias praticamente inútil, já que apenas bater repetidas vezes resolve o problema.

Img_normal

Durante as lutas também é possível contar com a ajuda de summons, que sempre agem da mesma forma contra os inimigos. Para finalizar um monstro, o personagem pode executar o Coup de Grâce, golpe fatal que acaba com o inimigo de forma fulminante. O movimento, porém, é sempre igual e nem mesmo é necessário, já que a janela para executá-lo significa que o oponente já está morto de qualquer maneira.

As dungeons normalmente contam com apenas uma ou duas batalhas por área, e costumam ser completamente desoladas. Ou seja, não há muitos elementos nos cenários, que não são nada detalhados e atrativos. O resultado visual é completamente sem graça.

Bugs e uma quest impossível de se terminar

Lord of Arcana também apresenta sérios bugs em sua programação, capazes de estragar completamente a experiência, que já não é muito boa. Uma das primeiras quests do game consiste em obter cinco exemplares de um tipo específico de pedra, encontrada ao se matar determinados inimigos.

Durante nossos testes, ao obtermos a quinta pedra, a missão não foi encerrada. Por ter um limite de tempo para ser completada, acreditamos que ele deveria chegar ao fim e continuamos caçando itens. Chegamos a um total de oito artefatos, três a mais do requerido para completar a fase. Porém, quando o cronômetro chegou a zero, fomos surpreendidos com uma mensagem informando que havíamos falhado na missão, e deveríamos refazê-la. Img_normal

Glitches também foram encontrados durante as batalhas, quando alguns ataques não eram computados como efetivos pela CPU. Além disso, existem problemas com o sistema de colisão que, muitas vezes, não reconhece quando o guerreiro está de frente para outros personagens e, assim, não habilita a opção de conversar com eles.

vale a pena?

Se você é fã de Monster Hunter, este game talvez possa aplacar sua sede por novos títulos da série até o lançamento do próximo. Diversas características que tornaram o game da Capcom um sucesso estão aqui, mas aparecem com graves problemas de jogabilidade, ação repetitiva e um bom modo online.

Lord of Arcana, porém, é uma demonstração de que a fórmula original ainda não pode ser copiada com perfeição, e que os caçadores de monstros da Capcom ainda continuam absolutos neste quesito. Como nada parece impedir o sucesso da série Monster Hunter, novas reimaginações do tema devem surgir para o PSP mas, por enquanto, prefira o original.