Quando a Arrowhead Game Studios lançou Magicka, ainda no começo deste ano, ela ocupou o primeiro lugar em inúmeros sites de distribuição e venda de games no mundo todo. Dizer que é um RPG, do gênero hack´n´slash (caminhando e matado) bem parecido com Diablo, não é uma descrição muito precisa.

Talvez enfim apareceu um jogo inovador. Sim, de uma maneira a parodiar várias repetições no mundo dos games MMO e RPG, de forma ordenada e com qualidade. Quem assistiu ao famoso filme do Ben Stiller, “Trovão Tropical” (Tropic Thunder), entende melhor a comparação. Inúmeras situações que sempre acontecem são unidas em um jogo só.

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Começando com um encontro com um vampiro antigo, poderoso, que manda você procurar um general de campanha. No caminho, não por coincidência, você encontra um mago benevolente, que lhe abre os caminhos da magia e dos feitiços. Logo que ele lhe dá o primeiro conselho, você já cai em uma “dungeon”.

Tão logo o jogador consegue se libertar da masmorra, encontra o tal acampamento militar — que subitamente é atacado por um troll gigante! Qualquer semelhança com praticamente todos os Massive Multiplayer Online existentes não é mera coincidência. É dessa forma que de formam os “clichês”. E da união deles, com outros elementos novos, e mais absurdos ainda, que nasce Magicka.

Imagine todos os clichês acima, inseridos no final da década de 1960, quando os mágicos e feiticeiros foram chamados para ajudar os americanos na Guerra do Vietnã. O protagonista é um mago, vestindo a habitual túnica colorida, com capuz escondendo o rosto. Em uma das mãos um grande cetro, com uma pedra na ponta, que lança feitiços. Na outra mão, uma metralhadora M-60.

O que eles estão fazendo nesta confusão? Ajudando a salvar o mundo do comunismo. Isso mesmo. Enquanto os inimigos estão sendo metralhados, atirando lança mísseis, um feitiço de cura pode ser usado, ou quem sabe um ataque de chuva de meteoros. 

É dessa forma que se desenvolve Magicka: Vietnam. Uma expansão do primeiro jogo, que traz dois novos desafios. O primeiro deles é o modo “Vietnam survival”, que como o próprio nome já indica, o objetivo é sobreviver. O jogador começa dentro de um quadrado, envolvido por algumas pequenas cercas, aberto nos cantos.

Os ataques dos inimigos são divididos no que o jogo chama de “ondas”. Cada uma dessas “ondas” de ataque traz uma série de algozes, misturando orcs, trolls, os novos duendes “vietcongs”, com diferentes espécies de monstros, além de um ou dois baús vivos, os quais o jogador pode encontrar itens ou magias, assim que os aniquilar. Em realidade bastante similar ao modo arena do título original.

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O segundo, e muito mais divertido, modo é o “Vietnam Rescue Mission”. O intuito da missão é cumprir uma série de objetivos, dentre os quais, destruir instalações de armamentos e rádios dos inimigos vietnamitas, além de resgatar prisioneiros de guerra, e roubar alguns planos antes que eles sejam colocados em prática.

Para tanto, o jogador contará com carabinas, metralhadoras, lança míssil, além das habituais magias, tanto para curar, quanto para atacar. Ambos os modos contam com a possibilidade de se jogar sozinho, ou se unir em até quatro jogadores cooperativos.

A jogabilidade é surpreendentemente envolvente, a qualidade da combinação dos elementos atiça até os mais antigos feiticeiros. Os controles são bastante precisos, só um pouco confusos nos primeiros vinte minutos.

Cada um dos oito elementos pode se misturar com qualquer outro, em várias quantidades, gerando a cada nova amálgama um poder específico, diferente e útil em várias situações. Muito efetivos nos campos de batalha ou para habilitar passagens e portas.

Como de praxe para um DLC, a qualidade gráfica é idêntica ao do primeiro game. Vale aqui fazer uma menção aos sons. Extremo ponto de destaque, a trilha sonora é empolgante e muito útil. Bom, mas vamos ao que interessa.

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A proposta

Reunir a maioria dos elementos legais de um gênero de jogo, e colocá-los todos juntos em uma só experiência é muito perigoso. Para começar, só o fato de definir os melhores elementos já gera muita contestação e dificuldade. Fazer dessa forma, então, com o intuito de tornar a obra uma paródia, corre o forte risco de cair na temida “comédia pastelona”.

Magicka: Vietnam consegue fazer piada de uma forma séria. Claro que ele é pretensioso, mas é enormemente divertido jogar com os magos pelas selvas verdes e plantações de arroz, metralhando inimigos.

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Depois de mais ou menos uma hora de jogo, os feiticeiros vão ganhando intimidade com a ambientação verde. Cada vez ficando mais adaptados ao ambiente. Dentro de pouco tempo a mais, a inusitada situação se torna mais e mais corriqueira, a ponto de que em algum momento parece até apropriado os magos estarem ali, na guerra.

A mistura de armas com spells

Definitivamente a magia de cura, ou a barreira de proteção são as mais úteis em embates contra muitos inimigos. As armas são ótimas, mas os inimigos são muito variados. A resistência ao fogo de alguns duendes, por exemplo, faz com que alguns feitiços de gelo resolvam a questão. Tudo isso, sem precisar parar de atirar por mais de alguns segundos. A nova atração das combinações de magia, disponível nesta expansão, é a chamada napalm.

Modo cooperativo

Os dois modos desta expansão parecem terem sido desenvolvidos para jogadores cooperativos. O jogo fica muito melhor quando jogado por um grupo de magos, do que quando se está sozinho, inclusive bem mais fácil.

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Trilha sonora de primeira

O que chama mesmo a atenção são os sons, em geral, do jogo. A música é ótima e funcional. Explico: em todas que vezes que o som das guitarras rasgar o ar, pode estar certo — os inimigos estão chegando. 

Os tiros são uma experiência a parte, em se tratando de um RPG. Consequência de um tratamento diferenciado dado a este atributo do game, uma vez que os efeitos sonoros foram revisados pelo experiente grupo da EA DICE, responsável por Battlefield: Bad Company 2 Vietnam.

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São só dois mapinhas e uma arena

Para começo de conversa, é um pouco frustrante uma atualização com uma proposta relativamente bastante diferente da original, como é o caso de Magicka: Vietnam, ser tão pequena.  Apenas os dois modos não são suficientes para entreter por muito tempo. Sendo que os dois parecem bastante iguais.

O modo missão acrescenta poucos cenários diferentes, enquanto o survival nem isso faz. A sensação é de que o jogo simplesmente poderia ter vindo com o original, e pronto.

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Brutalmente difícil se jogado sozinho

Logo que o jogador começa a se aventurar no Vietnã, a primeira característica que lhe aparece é: o jogo é muito difícil. Este cenário muda bastante no caso de se conseguir mais três aliados. Em quatro jogadores, a possibilidade de se avançar na história melhora bastante, uma vez que as magias podem ser usadas no grupo.

Qual o problema do jogo ser difícil? Não é possível salvar a campanha, nem mesmo existem checkpoints. Ou seja, em pouco tempo jogando sozinho, morrendo a cada doze ou treze segundos, a experiência começa a se tornar assaz frustrante.

Inimigos com visão biônica

A impressão que se tem é que os inimigos podem lhe ver de muito longe, bem antes de você poder começar a vê-los. Não obstante, eles podem lhe acertar desse longínquo lugar, parecendo que usam snipers. Quando isso ocorre com armas maiores, bem como lança-míssil ou morteiro, é morte na hora.

Lembre-se que o jogo não pode ser salvo em nenhuma parte. Todas as vezes em que se morre, de volta ao começo. Então, você pode estar atirando em um ou dois inimigos bem em sua frente, quando sem mais nem menos é alvejado por um míssil. E tudo começa outra vez...

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vale a pena?

Olha... Valer, vale. Infelizmente, por mais que haja uma tendência a se querer gostar do jogo e sua proposta instigante, os defeitos se destacam mais que as qualidades. Para quem nunca se aventurou no universo de Magicka, a experiência é válida. Mas só se for um apreciador do gênero de RPG, ou MMO.

Ainda, na hipótese de você já ter jogado o primeiro jogo, não tem porque não experimentar essa segunda versão. Agora, se você não é um apreciador por natureza de Role Playing Game, ou mesmo de multiplayers, é grande a chance de se arrepender nos três primeiros minutos.

Em síntese, trata-se de uma expansão do jogo Magicka, que só possui dois modos extras, com poucos cenários. Se o jogador não jogou o primeiro, melhor nem tentar esse. A diversão ganha muito com o fato de o tema mudar, se passa em meio a uma guerra, porém perde enormemente na dificuldade, junto com não poder salvar o progresso. No fim das contas fica com nota pior que o primeiro.