vale a pena?
Com uma longa história, a franquia Metal Gear sempre conseguiu manter uma linha de jogo única, contendo uma narrativa cinematográfica, presença constante de diálogos, humor peculiar e apelo tático próprio, tudo isso nas mãos do diretor de jogo Hideo Kojima. Desde os primórdios do primeiro título, em 1987, houveram aqueles que gostaram incondicionalmente dessa mecânica e aqueles que a detestaram. Esse fato permanece nesta versão do Metal Gear — uma simples readaptação de Metal Gear Solid 3 Snake Eater —, que simplesmente acrescenta um foco de câmera variável em terceira pessoa, modo de jogo online, os 2 primeiros jogos da franquia em versão emulada além de outros pequenos extras. Não há, portanto, mudança considerável alguma no jogo em si, sendo mais uma diversão para os fãs do que para o grande público.

Snake Eater

Antes do jogo iniciar o jogador tem a opção de escolher entre 4 níveis de dificuldade além do estilo de jogo, dando a opção “Estou jogando Metal Gear pela primeira vez” ou a possibilidade de se escolher estilo da primeira, segunda ou terceira versão da série. Após isso uma cutscene apresenta o protagonista, Snake, prestes a saltar de um avião, em uma contexto situado no pós Segunda Guerra, em plena guerra fria. A missão é resgatar um cientista que detém conhecimentos bélicos importantes, e está sendo coagido a trabalhar para a União Soviética.

O cenário disso tudo se dá principalmente em florestas, bem distante dos corredores e contêineres apertados das outras versões. Os mapas estão mais abertos e, apesar dos caminhos serem lineares, com poucas alternativas de rotas, a impressão é a de um jogo maiores possibilidades táticas de emboscadas e ataques furtivos. O controle para tanto não está nem um pouco amigável para os iniciantes, havendo muitas possibilidades escondidas. O ideal é o jogador ficar atento aos movimentos apresentados em uma das opções do menu inicial do jogo, que contém os golpes, maneiras de se enforcar e andar discretamente do Snake. Contudo, dentro dos diálogos diversas dicas, algumas bastante simples são apresentadas ao jogador. Essa maneira de ensinar a jogabilidade possui dois pontos negativos: o primeiro é que descontextualiza totalmente a história, remetendo o jogador a um aspecto externo à história; o segundo é que ele se soma aos infindáveis diálogos que existem entre Snake e seus superiores. É curioso notar que ele atente às ligações em plena batalha, congelando a ação e permitindo um bate-papo sem limites.

Snake-camaleão

Uma das novidades interessantes apresentadas é a presença de vários tipos de camuflagem a serem usadas nos diversos terrenos, cada uma concedendo um bônus especifico. Não só a roupa pode variar mas também a pintura aplicada no rosto. Esse bônus é apresentado em uma porcentagem de 0 a 100, onde 100 por cento indica invisibilidade total aos inimigos. A quantidade de barulho e a posição de Snake no mapa também conta. Quando ele está em agachado ou se arrastando entre a grama, este número aumenta consideravelmente. Por falar em grama e obstáculos passíveis de servirem como esconderijo, é bom ficar sempre atento a itens escondidos dentro deles, pois é muito provável que exista algum.

O sistema de vida e cura funciona de maneira diferente e bastante inventiva. Em vez de ficar coletando inúmeros kits de curas espalhados pelo mapa, o jogador agora deve coletar frutas e caçar animais para manter seu nível de stamina (resistência) alto. Depois de caçar os animais, Snake pode comê-los, dando inclusive uma resposta sobre o gosto do alimento. Comer demais um mesmo tipo de comida diminui a eficácia, ou seja, a melhor opção é variar o cardápio. Esse parâmetro também mede o quanto o protagonista pode se suportar quando dependurado nas bordas de um precipício ou ponte e a velocidade com que se recupera sua barra de life. Eventualmente ele pode inclusive sofrer fraturas e cortes mais graves, sendo necessário aqui o uso de equipamentos médicos especiais, cabendo ao jogador curá-lo no local onde foi atacado. Ainda quanto às frutas, algumas delas são venenosas e podem deixar Snake doente. Neste caso, a única opção para cura é um antídoto.

Que a força esteja nos seus dedos

Uma das coisas que chama a atenção é a quantidade de opções da jogabilidade. Além das maneiras clássicas de se despistar um inimigo, tal como bater em um obstáculo para produzir sons que o atraia, é possível jogar uma fruta envenenada e fazer com que um incauto inimigo esfomeado a coma. A presença de equipamentos como sonar fazem uso da função de vibração , tremendo em resposta à presença de inimigos móveis por perto. O sistema de organização do inventário é mais intuitivo, dando a opção ao jogador de deixar disponível na tela do jogo apenas os itens que lhe interesse, acessados através dos botões L2 e R2.

Algo que o jogador deve ter ciência antes de procurar dar golpes como estrangulamento é o fato de que muitos dos comandos dependem da força aplicada ao pressionar o botão em questão. Para conseguir agarrar com sucesso um inimigo por trás, deve-se apertar firmemente o botão correspondente. O mesmo vale para quando se está segurando suspenso em um obstáculo pois Snake só conseguirá subir são e salvo caso L2 e R2 sejam apertados com força ao mesmo tempo.

Solid “Novato” Snake

A apresentação gráfica realmente tem uma proposta cinematográfica. Já no início, os créditos das vozes e criação são apresentados tal como se fosse em um filme. As cutscenes são bastante emocionantes e contém um apelo típico dos filmes de ação. Apesar dos diálogos não serem brilhantes, em especial nas perguntas que revelam o despreparo técnico do Snake (um novato aqui, já que seu comportamento não condiz exatamente com a de um combatente altamente preparado), o jogo contém uma história interessante. Os personagens, mesmo os inimigos, são cativantes e faz com o que jogador facilmente seja imergido na história. O gráfico em si também contribui para tanto, através das florestas densas, das luzes dinâmicas e dos personagens bem desenhados.

A trilha sonora é excelente assim como os efeitos sonoros. É fácil perceber como a intensidade e a ambiência variam conforme a situação. A presença de um microfone direcional, que amplifica os sons de determinada direção, contribui ainda mais para tornar mais relevante o papel auditivo neste jogo. As músicas contém uma boa dose de vibração, em especial nas recorrentes cutscenes.

Quanto às velhas versões para o antigo MSX

No segundo disco do jogo, chamado Persistence, estão inclusos emulados as duas primeiras versões de Metal Gear. Uma boa notícia para os fãs e mesmo para aqueles que estão lidando agora com a série, já que muitas características do jogo nunca mudaram. O destaque deste jogo cabe, entretanto, ao modo Snake Vs. Monkey. Aqui o protagonista deve derrotar inúmeros macacos frutos de uma experiência científica estranha, através do uso principalmente de uma pistola de água e granadas de estonteamento. O modo online também contribui bastante para aumentar o valor desta nova versão, através da adição de mapas pré-definidos e possibilidade de vários jogadores atuando simultaneamente.

Para aqueles que jogaram a versão Snake Eater

Com essas opções, principalmente o foco de câmera móvel em terceira pessoa, Subsistance se torna um jogo dispensável para aqueles que já jogaram Snake Eater. A não ser para os fãs mais fervorosos, não há nada essencialmente novo nesta versão. A experiência muda um pouco e as estratégias variam ligeiramente, mas não o suficiente para justificar uma nova compra. Para aqueles que nunca tiveram contato com este título, realmente vale a pena dar uma tentativa.