Já faz mais de oito anos desde que a mais aclamada das franquias de ação e espionagem marcou presença em um console da Nintendo, com Metal Gear Solid: Twin Snakes no Game Cube. Depois de tanto tempo, a Kojima Productions resolveu aproveitar o boom do portátil com gráficos tridimensionais para marcar o retorno triunfal de Snake à casa do Mario.

Porém, o título escolhido para essa ocasião não foi a mais nova continuação da série ou mesmo um spin-off único, mas sim uma versão que foi lançada em 2004 e que já recebeu dois outros relançamentos. 

Será que essa nova revisita às origens de Big Boss e dos “La-Li-Lu-Le-Lo” consegue agradar ou mesmo surpreender os fãs da série? Fique ligado nesta análise do BJ e descubra!

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Gameplay aprimorado

Um dos principais desafios que os produtores da Kojima Productions certamente encontrariam com essa adaptação é retransmitir a ótima jogabilidade da versão do PlayStation 2 para o 3DS. Nesse quesito, pode-se dizer que Metal Gear Solid 3D: Snake Eater foi bem-sucedido.

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Como o tamanho da tela principal do portátil não é dos maiores, a presença o display adicional foi muito bem-vinda. Como era de se esperar, mapas, codecs e menus adicionais foram todos posicionados na tela touch da parte de baixo, deixando a sua visão principal apenas com o Snake, o cenário, e nada mais.

Até mesmo os contadores de pontos de vida e da munição da arma equipada foram parar lá, garantindo que você tenha o máximo de visibilidade de tudo à sua volta. Todas aquelas ações que tornam Snake Eater inconfundível, como trocar de camuflagem ou o tratamento cirúrgico em campo, podem ser acessadas e acionadas usando a tela touch, eliminando todos aqueles menus de texto que estavam no PlayStation 2 e 3.

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Vale lembrar que Metal Gear Solid 3D é baseado na versão Subsistence da obra original, permitindo que você tenha acesso aos recursos adicionados posteriormente, como a habilidade de andar agachado em vez de apenas de pé ou rastejando. Os sensores de movimentos do 3DS não ficaram de fora e é possível usá-los para se equilibrar na “corda bamba” ou nas pontes, mas a resposta deixa um pouco a desejar.

Ótimos gráficos

Aqueles que temiam que o visual cinematográfico de MGS3 não seria bem representado no portátil da Nintendo podem ficar tranquilos. Em muitos aspectos, essa versão de Snake Eater supera os gráficos do PlayStation 2, ficando praticamente igual ao que se vê no Metal Gear Solid: HD Collection remasterizado para o PS3.

Tanto a ação que se desenrola na tela principal quanto os menus desenhados no display de baixo estão muito bem apresentados, e há uma grande quantidade de detalhes na tela superior. Destaque para o arranjo encontrado para conciliar o mapa de navegação com os botões dos itens no display touch, que ficaram muito bem combinados.

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Progredir pela selva ou lutar contra a unidade de Ocelot com o recurso do 3D ativado é mais interessante do que esperávamos. Apontar a sua arma e criar uma boa linha de visada entre você e o alvo é mais fácil com a visão tridimensional, sem falar das cutscenes que também ficam mais bonitas assim.

Um híbrido entre jogo e filme

Por mais que esta já seja a terceira vez que Metal Gear Solid 3 ganha uma nova versão remasterizada, é impossível deixar de mencionar a grandiosidade do enredo do game. Aqueles que ainda não puderam experimentar o jogo em suas edições anteriores vão se surpreender com a profundidade da história, que parece ultrapassar os limites do video game para se transformar em uma experiência verdadeiramente cinematográfica.

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Mesmo aqueles que já reviveram o prólogo de toda a saga crida por Hideo Kojima (como eu) com certeza não deixarão de se divertir enfrentando alguns dos chefões mais brilhantes do video game ou se esgueirando pelas selvas da Rússia com o auxílio de uma tela extra em 3D.

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Queda de framerate

Infelizmente, é impossível não notar as repentinas quedas de fluidez dos gráficos em alguns momentos, como se o hardware do 3DS não tivesse dando conta do recado — principalmente em cenários grandes e abertos.

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Desligar totalmente o recurso do 3D até ajuda, mas ainda não elimina totalmente o problema. Tudo bem que isso não prejudica nem um pouco da jogabilidade ou beleza do game, porém a falha certamente é algo que poderia ser evitado e difícil de ser ignorado.

Controles complicados

Salvar o mundo não é tarefa fácil em circunstancia alguma, mas poderia ser um ou pouco menos dificultada se não fosse pelos controles de Metal Gear Solid 3D. Para driblar a falta de um direcional analógico direito, a Kojima Productions decidiu usar a mesma solução do PSP e usar os botões A, B, X e Y apenas para controlar a câmera.

Essa “gambiarra” até funcionou razoavelmente bem com Metal Gear Solid: Peace Wallker, mas o tamanho reduzido dos botões do 3DS torna a simples ação de olhar para cima mais desajeitada do que deveria. Pior ainda é o fato de o botão que troca entre as posturas ficar logo abaixo do direcional esquerdo, praticamente impossibilitando que você ande e se abaixe ao mesmo tempo.

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Sabendo que um direcional a mais seria muito bem vindo, a Konami adicionou suporte total ao Circle Pad Pro, o acessório que adiciona um controle direcional extra ao portátil. Ainda assim, é triste que você tenha de comprar um periférico a mais só para poder desfrutar de um jogo sem se perder com os controles.

Um grande jogo para uma tela pequena

Diferente do igualmente aclamado MGS Peace Walker feito especiamente para o PlayStation Portable, Metal Gear Solid 3 foi desenvolvido com o intuito de ficar bem ajustado em consoles de mesa plugados a televisores na sala de estar. Por esse motivo, os cenários são todos complexos, com muitos detalhes e cheios de vida.

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Sendo assim, fazer com que tudo isso caiba em uma tela de 3,5 polegadas não traz resultados tão positivos. Muitas vezes, é difícil distinguir se algo que está embaixo de uma árvore a apenas sete metros de distância de você é uma fruta, um cachopa de abelhas ou o The End esperando para pegá-lo de surpresa.

vale a pena?

A volta da renomada franquia de Hideo Kojima à um console da Nintendo foi muito bem marcada com Metal Gear Solid 3D: Snake Eater. Agora, os fãs da Big N não só podem conferir um início de uma das histórias mais mirabolantes dos video games, mas também vão poder fazer isso na mais aprimorada de todas as versões já disponibilizadas.

Como era de se esperar, o número reduzido de botões em relação aos consoles de mesa acabou sendo um dos empecilhos mais notáveis, mesmo com a ajuda da tela auxiliar. Ainda assim, a profundidade da experiência proporcionada por este híbrido entre video game e filme faz da obra uma parada obrigatória para todos aqueles que possuem um Nintendo 3DS.