No ano passado, a Netherrealm realizou o sonho de milhares de fãs e trouxe um novo Mortal Kombat digno dos tempos áureos da série. Ao levar o jogo de volta às suas origens, tivemos um excelente título de luta em nossos consoles e comprovamos que os grandes clássicos não envelhecem. Porém, como a franquia se sairia em um portátil?

É exatamente isso que a produtora tenta responder na versão para PlayStation Vita do game. Um ano após seu retorno triunfal, o torneio mais sangrento dos jogos volta a dar as caras com a promessa de ser muito mais do que uma simples adaptação, mas uma experiência completamente nova com base nos recursos exclusivos que o aparelho de bolso da Sony tem a oferecer.

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A morte na ponta do seu dedo

O principal acerto da Netherrealm em relação à edição portátil de Mortal Kombat foi exatamente saber aproveitar tudo aquilo que o Vita tem a oferecer. Seja pela touchscreen ou pelos sensores de movimento, o game traz vários conteúdos inéditos que justificam o novo lançamento.

O uso da tela para facilitar comandos na batalha é uma das novidades mais úteis. Assim como já aconteceu em Ultimate Marvel vs. Capcom 3, você pode tocar na barra de especial para ativar a utilização dos X-Rays Attacks, sem ter de se preocupar em apertar vários botões ao mesmo tempo. É uma facilidade que economiza alguns preciosos segundos entre um combo e outro.

Os próprios Fatalities foram simplificados com um mecanismo semelhante. Ainda que seja possível usar os comandos tradicionais, você pode simplesmente desenhá-los na tela para fazer com que seu personagem execute o oponente de maneira rápida e sangrenta.

Mas o grande destaque fica por conta da nova Torre de Desafios adicionada com exclusividade no PlayStation Vita. Além da já existente na versão para PS3 e Xbox 360, a nova coletânea de missões inclui várias tarefas que se aproveitam desses recursos únicos do aparelho. São mini games que envolvem desde os sensores de movimento para equilibrar o personagem até mesmo uma réplica de Fruit Ninja com pedaços de corpos humanos.

Adeus DLCs

Uma das principais reclamações dos fãs em relação à versão para consoles de Mortal Kombat foi a grande quantidade de DLCs, seja por conta dos personagens inéditos ou dos Fatalities exclusivos. Para a alegria de quem não quer pagar mais nenhum centavo por isso, a edição do PlayStation Vita já acompanha todo esse conteúdo.

Assim como já acontece na chamada Komplete Edition, você poderá jogar com Skarlet, Kenshi, Rain e Freddy Krueger, além de ter acesso às roupas clássicas de Scorpion, Sub-Zero e Reptile sem ter de desembolsar mais nenhum centavo.

O bom, o velho e o melhorado

Com exceção desses recursos feitos especialmente para o Vita, trata-se do mesmo Mortal Kombat lançado no ano passado. Isso significa que os modos e demais características, incluindo a campanha principal que conquistou tanta gente em 2011, estão de volta.

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Mas isso não é nada negativo. Tanto para quem já conferiu o game em sua versão para consoles de mesa quanto para quem está tendo seu primeiro contato com o retorno da série, esse resgate de conteúdo é muito bem-vindo, principalmente porque a Netherrealm se preocupou em corrigir algumas falhas existentes no PS3 e Xbox 360. O melhor exemplo disso é a adaptação para o português, que retorna sem as falhas grotescas que os fãs conferiram no ano passado.

A jogabilidade também não sofreu grandes alterações. Com exceção de algumas adaptações positivas (e algumas negativas, como será explicado adiante), a mecânica básica permanece a mesma, o que significa que ainda é fácil realizar combos e ataques especiais — uma ótima notícia para novatos e para quem já está habituado ao game.

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Fatality nos olhos

Como fazer com que o conteúdo que é normalmente armazenado em um Blu-Ray — e mais seus DLCs — seja levado para um console portátil em que o arquivo não deve ultrapassar os 3 GB de espaço? A solução, infelizmente, é diminuir a qualidade visual de maneira grosseira.

É praticamente impossível olhar para Mortal Kombat e não perceber que os gráficos foram reduzidos consideravelmente. Ainda que isso não seja tão gritante nas animações do modo história, as cenas de luta são bem pobres e não condizem com toda a promessa gráfica que a Sony fez para o PlayStation Vita. Em muitos momentos, parece que estamos diante de um PSP melhorado.

Além de eliminar praticamente todas as texturas, o game ainda reduziu a modelagem dos personagens, deixando-os muito poligonais. Quando a câmera se aproxima nas aberturas de lutas ou nos Fatalities, isso fica bem claro, evidenciando o quanto a adaptação comprometeu a estética geral.

Mas a ida ao PlayStation Vita não custou apenas no visual. Mortal Kombat também possui sérios problemas de desempenho, principalmente quando você executa os X-Ray Attacks. A taxa de quadros por segundo praticamente despenca e você percebe que todos os movimentos ficam mais lentos do que o normal por alguns segundos.

Saudades do meu Dual Shock

Por mais que a Netherrealm tenha se preocupado em adicionar recursos exclusivos para Mortal Kombat, é inegável a falta que o controle tradicional faz à jogabilidade. Os botões L2 e R2 são ausências sentidas, principalmente nas lutas em dupla.

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Nos consoles de mesa, bastava um único botão para que seu companheiro entrasse em cena para ajudá-lo a espancar o oponente. No Vita, por outro lado, isso é feito a partir da segunda alavanca analógica, o que acaba criando algumas situações desconfortáveis.

O maior exemplo disso está exatamente nos combos conjuntos. Se já era preciso um pouco de prática fazer isso utilizando os gatilhos do Dual Shock, imagine como é complicado usar o pino direito. Pode parecer apenas um detalhe, mas faz muita diferença na prática, já que você precisa interromper os comandos tradicionais para chamar seu parceiro.

vale a pena?

Mesmo com alguns deslizes na adaptação, Mortal Kombat se sai muito bem em sua estreia no portátil da Sony. A Netherrealm fez um excelente trabalho na adaptação, principalmente por se preocupar em adicionar conteúdos exclusivos que aproveitem o que há de melhor no PlayStation Vita. Os problemas gráficos são facilmente compensados com a inserção desses novos conteúdos.

Ainda que isso pareça ser apenas um extra, esse tipo de cuidado faz muita diferença, principalmente para quem já possui o título em sua versão para consoles de mesa. Os elementos adicionados no portátil ampliam a experiência do game e fazem com que a batalha de bolso entre a Raiden e Shao Khan seja ainda melhor do que já vimos anteriormente.