vale a pena?

Need for Speed Carbon chega ao PSP com uma versão quase exclusiva, modificada para se adequar às limitações do console. Mas apesar das mudanças é uma forma interessante de jogar Need for Speed no portátil, e pode agradar mesmo quem não é fã da série.

O resultado é melhor do que o esperado

Jogos multi-plataforma (lançados para vários consoles ao mesmo tempo) muitas vezes apresentam um problema comum: os consoles menos poderosos sofrem com versões que possuem menos recursos, gráficos piores e uma simplificação da jogabilidade. A melhor opção - caso a desenvolvedora realmente queira lançar o jogo para vários consoles – é criar um jogo exclusivo para cada console específico. Infelizmente isso demanda um esforço consideravelmente maior do que simplesmente pegar o jogo de PS2 e comprimi-lo para o PSP, por exemplo.

No caso de NFS Carbon foi aplicada uma solução intermediária; a versão PSP apresenta muitas características de seus “irmãos maiores” (Xbox360, PC), mas teve a jogabilidade modificada para melhor se adaptar ao PSP. É certo que muita coisa foi simplificada, mas o resultado é melhor do que o esperado, e o modo como foi feito funciona bem no portátil.

Persistindo no erro

A série Need for Speed nunca foi conhecida por um enredo primoroso, mas a cada novo título de NFS a Eletronic Arts insiste em tentar preencher os intervalos entre corridas com histórias ingênuas, que não empolgam nem contribuem para a experiência de jogo. As histórias de vingança, revanche entre pilotos e busca de memórias perdidas são apenas péssimas desculpas para justificar o avanço linear, algo que parece incontornável nesse gênero.

Em Carbon seu personagem perdeu a memória depois de um acidente, o mesmo onde seu irmão morreu. O acidente aparentemente foi causado por um terceiro indivíduo, procurado pelo seu personagem e principal motivo para os desafios e corridas do jogo. A partir dessa premissa, o que temos então é basicamente uma colcha de retalhos de acontecimentos, que permeiam a conquista de cada território e tentam dar personalidade aos personagens, mas que são totalmente dispensáveis do início ao fim do jogo.

Como a história é completamente genérica ela não interfere no decorrer dos estágios, e você pode ignorar cada segmento com segurança. Não existem opções a serem feitas ou caminhos a escolher, basta seguir a ordem sugerida e concentrar-se em vencer as corridas. O avanço é feito através da conquista de vários territórios da cidade, que estão nas mãos de diferentes líderes e gangues. Ao entrar em cada território é necessário vencer entre 5 a 9 eventos diferentes, para então abrir a possibilidade de enfrentar o líder do território. Vencendo estes eventos você conquista aquele bairro, abre novas opções de carros e tuning, e pode recrutar novos membros para seu grupo.

Sinta-se o membro de uma gangue

A maior diferença de Carbon em relação aos seus antecessores é que agora você realmente se sente como participante de uma gangue, um grupo de pilotos com carros envenenados que dominam as ruas. A sensação é mais real desta vez, porque seus companheiros correm ao seu lado e você pode controlar as ações deles, no papel de chefe do grupo.

Em quase todas as corridas você pode selecionar dois membros de seu grupo para acompanhá-lo, sendo que eles possuem 3 classes diferentes: brawler, que atropela carros inimigos tirando-os de ação; assassin, que solta correntes com espinhos pela pista, fazendo com que os carros inimigos parem por um certo tempo; e os drafters, que correm à sua frente gerando um vácuo no qual você pode entrar com o carro, aumentando sua velocidade. As classes são completadas por subclasses, como o mechanic, que aumenta a potência do seu carro quando está correndo com você. As opções de pilotos aumentam conforme você conquista mais territórios, já que os membros de outras gangues se oferecem para correr ao seu lado.

Para utilizar seus companheiros em uma corrida, basta apertar um botão. É bastante simples e funciona bem na maior parte do tempo, permitindo que você consiga recuperar nos últimos segundos uma corrida que parecia perdida. Aliando, por exemplo, o uso de uma carga completa de nitro com o uso de dois companheiros brawlers, é possível ultrapassar os 3 carros inimigos, mesmo a poucos metros do final. Isso torna as corridas mais emocionantes, e estimula o jogador a poupar os recursos disponíveis a fim de garantir que tudo vá bem até a conclusão da corrida.

O único problema é que seus companheiros parecem ficar alucinados quando você dá uma ordem de ataque; eles aceleram e ultrapassam o seu carro muito rapidamente, a fim de caçar os inimigos, e isso pode fazer com que eles batam em você, caso você esteja no caminho. Mesmo que você saia da frente, ainda assim não está seguro. Quando os brawlers tiram um inimigo da corrida, eles o fazem sem se preocupar com a trajetória que você estava seguindo, e isso pode ocasionar uma batida para você também, caso não consiga desviar a tempo. Seus companheiros são bastante úteis para recuperar uma corrida quase perdida, mas o seu uso é quase uma roleta russa, pois você nunca sabe como eles se comportarão.

Felizmente os comandos respondem bem em Carbon, e você agradecerá por isso nas várias e várias oportunidades em que escapará de raspão de uma batida que considerava certa. O sistema de nitro, derrapagens e o uso do freio de mão são exatamente os mesmos das outras versões de consoles, e não é necessário nenhum esforço para se adaptar aos controles no PSP.

Tunning, néon e muita velocidade

Carbon é um jogo muito bonito no PSP, seguindo a linha estética de NFS Underground: as pistas são todas noturnas e com tema urbano, percorrendo trechos residenciais, comerciais, freeways, viadutos e autopistas bastante característicos da série.

Não são cenários criativos, mas são bem feitos, com efeitos de luz dos postes, reflexos da pista nos carros, pôr-do-sol e tudo que estamos acostumados a ver em NFS. É bom ver que o portátil da Sony tem capacidade para apresentar um jogo com esse grau de detalhe, pois continuamos esperando por Gran Turismo Mobile que não deve ficar devendo nada às versões de GT no PS2. Em Carbon também foi implementado o modo de livre circulação pela cidade, que não serve para muita coisa em termos de jogabilidade (é mais fácil acessar os eventos pelo menu do que dirigir até eles), mas que pelo menos permite que se possa admirar todos os detalhes e tamanho da cidade.

Os modelos dos 29 veículos disponíveis também impressionam, e naturalmente eles podem sofrer uma série de modificações visuais. Não são tão variadas como as versões de console, mas suficientes para personalizar de forma satisfatória o carro do seu personagem e os de seus companheiros. É possível deixar todos os carros do seu grupo com a mesma aparência, por exemplo. Já as modificações de performance (motor, turbo, etc.) são simples, e só causam mudanças na velocidade final do carro, aceleração e facilidade de realização das curvas.

Os menus e a apresentação geral do jogo são visualmente agradáveis, novamente seguindo a linha de Underground, mas com alguns aperfeiçoamentos. A história é ocasionalmente contada através de animações bem-feitas, como histórias em quadrinhos em movimento; um estilo que fica muito bom no PSP, como já visto em Metal Gear Solid Portable Ops. O preço da beleza visual são algumas “travadas” durante as corridas; não são muito frequentes, mas atrapalham bastante quando acontecem, notadamente quando se corre  entre grandes prédios, ruas estreitas ou áreas comerciais com muitos detalhes.

Outro problema ocorre quando seus companheiros conseguem efetivamente tirar um dos inimigos da pista. Aleatoriamente (pois não é sempre que isso acontece), o jogo pára a ação e dá um zoom para mostrar o choque entre seu companheiro e o carro inimigo. Enquanto dura o zoom, o jogo momentaneamente toma controle do seu carro, devolvendo-o para seu controle em um lugar diferente do que você deixou. Tudo acontece de forma rápida, mas atrapalha muito o andamento da corrida e sua concentração. O recurso é tão ruim e mal-implementado que consegue ser pior do que os slow motions nas batidas que aconteciam em Need for Speed Underground.

Ouça o ronco dos motores

A trilha sonora de Own the City é mais interessante do que títulos anteriores, embora isso dependa mais do gosto particular do jogador do que propriamente da seleção feita pelos desenvolvedores. Mesmo assim, a trilha é coesa, possuindo menos temas de rap, comum em outros jogos da série, e mais temas sombrios ou industriais.

Mas o maior atrativo é a possibilidade de carregar as suas músicas preferidas no cartão de memória do PSP, podendo escutar sua seleção preferida durante o jogo. É uma ótima opção para um jogo como Need for Speed, tão dependente de músicas e efeitos sonoros como complemento da diversão. Os efeitos sonoros dos carros perderam muito de sua potência na versão para o portátil, sendo que todos os roncos de motores ficaram mais ou menos padronizados. Não há uma distinção sonora entre motores que foram turbinados por exemplo, o que faz certa falta para os apreciadores de jogos de carro.

Toda a velocidade na tela do PSP

Apesar da simplicidade desta versão em comparação ao Carbon visto no 360 ou no PC ainda assim é um ótimo jogo, se adaptando de forma excepcional à uma experiência portátil. Fãs da série Need for Speed têm em Carbon uma boa opção para seu PSP; basta estar preparado para uma experiência diferente, mais concentrada nas corridas e velocidade , que deixa de lado a ênfase dada ao tuning em outras versões.