vale a pena?
Após a retomada de fôlego da série Need for Speed com as corridas ilegais dos últimos títulos Need for Speed Underground 1 e 2, surge uma seqüência que diverge um pouco dos cenários noturnos e no foco das corridas pois, além dos duelos com pilotos, o jogador deve escapar da polícia. Ora, sempre houveram aqueles que se questionaram: “Onde estão os policiais em uma cidade de bandidos como esta?”. Críticas à parte, o jogo é muito bom, inovador e coerente com o espírito Need for Speed.

Mas uma aventura do herói sem rosto

Como nos antecessores, persiste o modo carreira em que o jogador deve ultrapassar os mais diversos obstáculos para terminar o jogo. Quanto ao enredo, o protagonista é um corredor que acaba de chegar em Rockport, uma cidade repleta de corredores entretidos em disputas que desafiam a lei e, conseqüentemente, a polícia a todo instante. Na apresentação inicial com cenas em flashback, vários pilotos são derrotados pelo protagonista, provocando assim insatisfação e inveja. Eis então que um piloto enquadrado em uma lista na qual existem somente feras, a chamada blacklist (lista negra), é desafiado.

O que seria uma corrida fácil passa a ser um pesadelo. Após sabotar o seu carro, o desafiante Razor Callahan  vence a corrida e com isso, segundo as regras da prova, tem o direito de tomar posse de seu veículo. Assim, qualquer um se pergunta: “como ele (o protagonista) pôde deixar tudo isso passar em branco? Com um indivíduo bancando o perverso e vil trapaceando-o?” Sim, em vários momentos do jogo tem-se a vontade de insultar o personagem incorporado, afinal ele não diz uma palavra, não mostra o rosto e não tem nenhuma reação diante de tanta safadeza. A situação só fica pior com a prisão que se segue à derrota.

Enfim, nem tudo está perdido. Sem um carro como prova do crime, Sargento Cross (que irá ser um incômodo o jogo inteiro) fica obrigado a te libertar. Quando tudo parece perdido, a bela Mia Townsend indica um local seguro para manter o carro não modificado, sua única arma que fornecerá a oportunidade de vencer toda a blacklist, e assim recuperar sua honra e o carro sabotado, uma BMW M3.

O modo Carreira conta com diversas corridas já presentes nas versões anteriores: Sprint (desafios  longos que primam pela alta velocidade em um trajeto de um ponto a outro, Lap Knockout (a cada volta da corrida, o último colocado é eliminado), Drag Race (arrancada) e Circuit Races (vence quem completar em primeiro lugar). Para desalento de alguns, estão ausentes os modos Drift , Race X e Underground Race League. As novidades ficam ao encargo do modo Tollbooth e Bounty: no primeiro a meta é alcançar determinados checkpoints em um tempo pré-estabelecido, e no segundo deve-se achar armadilhas espalhadas pelos mapas para despistar os policiais que estão no seu encalço. Bônus são concedidos caso viaturas e propriedades públicas sejam danificadas. O mesmo vale para infrações de trânsito. O dinheiro aumentará com o número de corridas vencidas e perseguições bem sucedidas.

Rockport, um bom lugar para se correr

Lembrando NFSU2, existe uma grande e variada cidade a ser explorada: Rockport. Constam ali diversas lojas para incrementar o visual e a performance, além  de adquirir novos veículos. No menu principal existe a opção de ir para sua casa rapidamente (Jump to Safe Home) e de lá ir para qualquer corrida, o que economiza bastante tempo. Uma pena que o mesmo não ocorra com as lojas, já que neste caso é necessário viajar até o local desejado, contudo, caso isto ocorresse, não haveria espaço para as emocionantes perseguições e encontros-surpresa com os policiais. O jogo, como se pode deduzir pelo título, tem como atração principal as perseguições. Elas possuem várias peculiaridades: além das armadilhas que despistam ou destroem as viaturas, a perseguição se torna mais quente à medida que o heat level sobe. Este parâmetro,  controlado pelo avanço e quantidade de infrações no jogo, define quantos policiais estarão atrás de você e quais serão as táticas implementadas para interceptar o seu veículo. Além de cerco em grupo, helicópteros e dispositivos que furam o pneu do carro, nas últimas missões Sargento Cross irá pessoalmente perseguí-lo na posse de um veloz Corvete C6 especial.

As cutscenes são interessantes e ambientam constantemente o jogador na história, apresentando doses de humor muito peculiares à série, apesar de ficarem escassas no meio da carreira. A soma da atuação não convincente de atores reais – jovens com poses de homens machões ou garotas fúteis e estereotipadas – com um cenário 3D  acabam provocando, não raro, risos, em vez de temor ou apreensão.

A inteligência artificial é mais um dos pontos negativos, pois não está bem coordenada, pendendo entre o fácil e o extremamente difícil sem lógica aparente. Jogando numa das primeiras partidas utilizando o Golf Gti logo após ganhar do primeiro rival da blacklist, vimos o oponente arrancar com uma velocidade incrível. Estranhamente, quando tudo parecia perdido, ele parecia estar dando chance, ficando muito mais lento e às vezes errando ao tentar pegar caminhos obstruídos.

As pistas estão bem feitas, tendo extensões variadas e possibilitando um jogo no melhor estilo arcade. Existem diversos atalhos, agora mais difíceis de serem detectados, exigindo freadas bruscas, que são compensadas por um corte considerável do trajeto. O clima varia constantemente, sendo possível presenciar chuvas torrenciais e entardeceres  belíssimos. No geral, reina uma sensação de outono bastante relaxante em contraste com a adrenalina da velocidade.

Speedbreaker, matrix para um jogo de corrida?

Outro estilo de jogo possível é o modo Challenge. Aqui, pequenas missões são pré-estabelecidas  das mais diversas formas, como escapar da polícia em determinado tempo, causar uma quantidade específica de dano aos carros policiais ou simplesmente cumprir uma rota em certo tempo. A cada vitória, mais pistas são liberadas, cada uma delas com carros novos. Uma possibilidade de testar veículos inacessíveis no modo carreira e saber sua performance antes de adquiri-los, portanto.

Speedbreaker é mais uma novidade. Este elemento especial pára o carro repentinamente em câmera lenta, permitindo curvas mais fechadas e o acesso aos atalhos mais difíceis. As perseguições também são intrincadas, exigindo o conhecimento do mapa, da ameaça policial de cada região e de locais onde é possível acelerar o tempo de Cooldown (período em que os policiais não sabem onde você está mas permanecem procurando-o). O visual do carro e o progresso no jogo interferem também no quanto você está sendo procurado, portanto é prudente mudar a cor e o carro de vez em quando para despistá-los.

Muitos carros licenciados, com gráficos de qualidade

Os gráficos estão ótimos, como é de costume na série. O cenário é completo e tem um visual bastante agradável, distante das noites solitárias dos títulos Underground. As texturas realmente fazem o jogador ter um pouco da sensação de estar dirigindo um dos inúmeros supercarros do jogo. Lamborghini, Porsche, Mercedez, Mustang estão entre os mais de 30 veículos licenciados. A engine da Electronic Arts dá uma gama grande de detalhes, permitindo que os donos de computadores mais antigos (também) usufruam deste game.

Quanto à versão do Xbox 360, o exagero de efeitos nas animações, Cutscenes e nos momentos de maior velocidade foram amenizados do que na versão para PC, sendo mais homogêneos e realistas. As luzes e a profundidade do cenário estão impecáveis, entretanto, há pouco reflexo no carro, e estes possuem um certo contraste acentuado contra as demais texturas, dando um ar ligeiramente artificial ao veículo. O controle de marchas é prejudicado quando o nitro é acionado no modo de marchas manual, afinal o dedão da mão direita acaba sendo requisitado duplamente, no botão B e no manche direito, exigindo, assim, mudanças na configuração de controles padrão. O serviço da Xbox Live, para os pagantes, oferece muito mais desafio, afinal, seja pelo ranking, seja pelo score geral no Xbox live, existem diversos jogadores dispostos a alcançarem os melhores carros para lhe derrotar. Nas partidas que disputamos não houve Lag (intervalo de envio e recebimentos de dados para o servidor) ou qualquer dificuldade adicional, porém nem sempre o tipo de corrida que o jogador deseja disputar tem concorrentes disponíveis online, devendo-se criar uma sala o modo de jogo almejado. De resto, o serviço funciona de maneira simples e direta.

Músicas diversas mas não tão famosas

A trilha sonora, ao que parece, está cada vez mais em segundo plano para a Electronic Arts. Não existem faixas memoráveis dentre as músicas licenciadas, com exceção de uma remixagem do Jamiroquai. No geral, os estilos predominantes são o rap, o techno (mais especificamente drum and bass) e alguma faixa de rock pesado. Não são destaques, porém de maneira alguma tiram o mérito do jogo. Nas perseguições podemos ouvir nitidamente aquelas típicas trilhas de perseguições televisivas estadunidenses, tensas e dramáticas, contribuindo para a emoção do momento. Isso sem falar na escuta da rádio dos policiais, onde é possível ouví-los tramando qual artimanha irão usar para lhe deter. O som dos veículos tem um sabor especial, variando a cada mudança de carro, peças de performance e terreno percorrido. O ronco do motor acaba, por fim, sendo a melodia almejada.

O melhor da série para Xbox 360

Tendo-se em conta toda a série, quantidade de veículos e possibilidades de corridas, Need for Speed Most Wanted é sem dúvida o melhor título de todos eles. A riqueza de possibilidades do modo perseguição, a variedade de veículos e uma cidade cheia de desafios e caminhos ocultos são mais do que suficientes para muitas horas de jogo.