O que vem à sua cabeça quando falamos de jogos de ritmo e ação? Provavelmente, algum título de dança, como a série Dance Dance Revolution. Já os jogadores mais novos devem se lembrar da franquia Guitar Hero, que conquistou o mundo com sua fórmula divertida e cativante.

Há quem diga, erroneamente, que os jogos de ritmo e dança se limitam a estes dois tipos de game: dança e simuladores de banda. Mas, felizmente, o gênero se estende muito além. E, incrivelmente, temos muitos títulos com propostas que superam facilmente os grandes sucessos de venda do gênero.

Incrivelmente, boa parte dos títulos de ritmo que espantam por sua proposta inovadora surge nos consoles de bolso. Quer alguns exemplos? No Nintendo DS temos várias opções para quem é fã de uma jogabilidade baseada no ritmo da música, como Elite Beat Agents e Rhythm Heaven. O PSP também oferece diversos jogos do estilo, como DJ Max e até mesmo Rock Band.

Entretanto, o nome mais impactante quando o assunto é ritmo no PSP vem de uma criação da própria Sony. Estamos falando de nada menos que Patapon, um título desenvolvido pela divisão nipônica da Sony e que simplesmente deu novos significados aos botões da face do portátil. Esqueça o tradicional “quadrado” e “círculo” e seja bem-vindo ao mundo do “Pata” e do “Pon”.

Lançado em 2007, o simpático game exclusivo para PSP colocava o jogador na pele de uma espécie de ser divino que tinha como objetivo cuidar do exército dos Patapons. Mas, em vez da ação tradicional, o jogador fazia tudo usando o poder da música, graças aos tambores sagrados que guiavam todo o grupo dependendo de como eram tocados.

Sendo assim, tínhamos uma mistura de ritmo e ação que realmente deu certo, principalmente pelo fato de trazer bastante estratégia para um gênero que, normalmente, oferece propostas não muito profundas. O resultado? Um verdadeiro sucesso, tanto nas vendas quanto na crítica.

Logo, os usuários recebem uma sequência, intitulada Patapon 2. A grande novidade desta versão era o multiplayer via ad-hoc, que permitia uma jogabilidade ainda mais intensa ao lado das carismáticas figuras do game. O segundo título chegou às lojas em 2009 e também cativou o público, fortalecendo de uma vez por todas a franquia.

Agora, a terceira versão chega à nossas mãos. Novamente, temos toda a essência do título preservada, mas com aprimoramentos que, certamente, eram muito aguardados pelos fãs. Um multiplayer muito mais robusto, com suporte online, e uma nova abordagem na campanha são apenas alguns dos motivos para você entrar nesta dança. E vamos em frente — Pata, Pata, Pata, Pon!

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Aquecendo para a luta

Conforme mencionamos anteriormente, nos outros jogos da série Patapon, o jogador agia como um ser divino, agindo indiretamente durante os conflitos de guerra. Em Patapon 3, você passa de divindade para herói, já que encarna uma das três figuras místicas do universo do game.

Sendo assim, no inicio do game o jogador tem a chance de escolher qualquer um dos três heróis místicos. Temos um guerreiro que empunha um arco e flecha, outro que prefere utilizar a lança e o terceiro, habilidoso com a combinação escudo e espada. Eis uma mudança que altera significativamente a abordagem de Patapon, dando novos, e bem-vindos, ares à franquia.

Além disso, o terceiro jogo não oferece mais aquela multidão que acompanhava você nos dois primeiros jogos. Todo o exército que marcou presença no game está congelado, esperando para ser salvo pelo herói místico. Mas, mesmo assim, você tem ao seu dispor alguns valentes guerreiros que conseguiram se safar da terrível maldição que assolou as pequenas criaturas.

Agora, o jogador é acompanhado de três outros guerreiros, que podem ter um papel fundamental durante as batalhas. Você é o poderoso herói que comanda todos, mas seus súditos podem salvar sua pele e fazer toda a diferença nos combates quando estiverem bem equipados e com as táticas corretas.

Em suma, temos uma abordagem diferente dos dois primeiros jogos, com heróis carismáticos o suficiente para adicionar ainda mais personalidade às criaturas que já cativavam a todos os jogadores nas demais edições da franquia.

Ataque!

Mesmo com algumas mudanças em sua estrutura, Patapon 3 continua mantendo o mesmo esquema dos jogos antecessores — mas com algumas pequenas mudanças, obviamente. Para quem não sabe, você deve utilizar os botões da face do PSP para executar os comandos. Cada um deles representa um tambor encantado e a combinação de determinados sons resulta em diversas ações.

Você pode avançar, atacar, defender, saltar e até invocar criaturas místicas ao combinar comandos exatos. Para isso, basta desferir uma sequência diferente utilizando as cinco batidas mapeadas nos botões da face. Ao pressionar círculo, círculo, quadrado e círculo, seus personagens atacam, por exemplo.

Tudo isso deve ser feito dentro do ritmo estabelecido pelo jogo. Então, é bom prestar atenção nas quatro batidas que definem o tempo, assim como no retângulo que pisca na tela com o objetivo de auxiliar visualmente a jogabilidade. Depois de um pouco de prática, você já deve dominar tranquilamente o esquema, notando o quão divertido, e diferente, é a experiência de Patapon.

Após desferir uma série de batidas com precisão, o jogo recompensa você com o modo Fever, que deixa tudo mais animado e, obviamente, mais poderoso. A terceira versão do game é um pouco mais camarada do que as demais, já que os comandos executados pelo jogador não precisam ser precisamente sincronizados com a batida para que sejam reconhecidos. Mesmo assim, há recompensa para quem tem um bom ouvido e domina bem o ritmo.

Aprimorando a aventura

Logo no inicio do game, você perceberá que quem realmente faz a diferença em seu esquadrão é o herói principal, escolhido no início do game. Seja o arqueiro, espadachim ou lanceiro, o protagonista sempre mostra sua superioridade, com ataques distintos e cheios de estilo, capazes de devastar tranquilamente boa parte dos oponentes.

Mesmo assim, seus servos não devem ser subestimados. Ao decorrer da jornada, novos tipos de unidades são desbloqueados e elas ganham novas habilidades e equipamentos. Ao todo, temos 21 classes distintas, além das variantes do herói. Certamente, elas cairão como uma luva em determinados momentos em que alguns elementos dominam as forças inimigas.

Usar a estratégia ainda é fundamental para as vitórias nos conflitos de Patapon 3. Quando os ataques de um arqueiro, por exemplo, não estão funcionando bem, o jogador pode trocá-lo por um curandeiro e investir nos ataques de curta distância.

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Para melhorar ainda mais o seu esquadrão, temos missões extras que são desbloqueadas ao decorrer de sua jornada. Nelas, você pode repetir a jogatina quantas vezes quiser — não é possível jogar novamente as missões principais da campanha — adquirindo bastante pontos de experiência e evoluindo significativamente seu esquadrão.

Essas missões bônus ainda contam com descrições que permitem ao jogador saber se a fase é ideal para coletar recurso ou para ganhar bastante pontos de experiência, algo que facilita muito a jogatina e previne momentos de frustração. Além disso, os inimigos de grande porte deixam baús com tesouros que podem ser desde equipamentos até armas mais raras.

O jogador tem a chance de customizar seu esquadrão da maneira que bem entender, editando as armaduras, escudos, elmos e armas que serão utilizadas por cada um dos soldados. Se você não estiver com muita paciência para toda essa estratégia, então fique tranquilo utilizando a opção que evolui e personaliza automaticamente os guerreiros.

Estonteante

Sem dúvidas, além de toda a fórmula clássica e viciante de Patapon, o terceiro game também traz a incrível arte criada pelo artista francês Rolito. Com isso, temos ambientes cheios de estilo e personagens que esbanja personalidade. Tudo é muito bem feito e, desta vez, temos animações ainda mais elaboradas. Patapon 3 merece sua atenção pelo seu design peculiar.

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Basta observar os chefes, por exemplo, que trazem formatos e tamanhos variados, alguns deles até ultrapassando os limites da tela. Fora isso, os panos de fundo agora são mais vívidos, dando um destaque ainda maior para toda ação que rola na frente da tela.

O áudio simplesmente dispensa comentários. As músicas do game se adéquam com o desempenho do jogador, sofrendo alterações quando tudo está indo por água abaixo ou quando você está detonando nas batidas. Temos também vozes características das pequenas criaturas, que mais uma vez encantam com seu charme. Em termos de apresentação, Patapon continua dando um show quase perfeito.

Rítmo em equipe

Como se não bastasse a longa campanha do game, Patapon 3 também traz um multiplayer. E, felizmente, o modo para vários jogadores é ainda superior ao que vimos no segundo jogo. Além do modo tradicional, via ad-hoc, você também tem a chance de competir com outros jogadores ao redor do mundo.

Aqui, temos um modo semelhante aos jogos do gênero tower defense, no qual duas forças oponentes combatem para chegar ao outro lado do campo de batalha. Obviamente, a batalha é intensa, principalmente quando as duas equipes se chocam.

Temos também as corridas, na qual as equipes partem a toda velocidade pare chegar no final da “pista” disponibilizada. Durante o caminho, contudo, você terá de explodir obstáculos, o que torna a corrida muito mais intensa.

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Achou muito? Então que tal um modo cooperativo? Patapon 3 também oferece esta possibilidade. Praticamente qualquer missão do jogo pode ser desfrutada com a companhia de um amigo que também tenha um PSP. Como se não bastasse, o jogador pode acessar as masmorras especiais que estão bloqueadas quando você joga sozinho.

É possível, também, visitar os esconderijos de outros jogadores para comprar itens que só são encontrados nas lojas destes locais. Lá, temos preços especiais e várias armaduras e armas raras. Há até mesmo um sistema de clãs para facilitar a jogatina e a comunicação entre os usuários de Patapon 3. É impossível não passar algumas boas horas ao lado do multiplayer do game.

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Poucas coisas fora de ritmo

Patapon 3 melhorou bastante em relação aos antecessores, mas, mesmo assim, ainda sofre com algumas batidas fora do tempo. Primeiramente, a estranha opção Pause que, desta vez, está disponível, mas é desbloqueada apenas se o jogador conseguir completar perfeitamente a primeira fase do tutorial do game. Algo que, até agora, não conseguimos entender o motivo e certamente poderia ser livre para todos.

Outro problema é o nivelamento dos personagens. Subir o nível de seus companheiros pode ser uma tarefa difícil se você resolver deixá-los um pouco de lado para investir em outros soldados, já que, mesmo em fases mais avançadas, as criaturas com pouca experiência não sobem de level rapidamente.

Infelizmente, um dos problemas que mais nos incomodou foi a falta de estratégia exigida pelo game. Mesmo que ela ainda existe, você pode tranquilamente vencer o game utilizando a força bruta em vez das táticas. Basta adquirir equipamentos poderosos e atacar incessantemente. Um pouco mais de planejamento e menos força para seus soldados e, principalmente, seu herói seriam ideais para que a jogatina durasse ainda mais.

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vale a pena?

Patapon 3 acerta corretamente a batida da diversão com sua fórmula tradicional que vem acompanhada de vários aprimoramentos. Além do esquema viciante já conhecido pelos fãs, o game também oferece um multiplayer muito mais robusto, com opções online e várias alternativas para desfrutar ao lado dos amigos.

Tudo isso ao lado de uma campanha que pode durar, facilmente, 40 horas para ser completada. E, depois de terminá-la, você ainda terá a oportunidade de investir em seus demais guerreiros para conferir o resultado.

Patapon 3 é um show, tanto nos visuais quanto no áudio, se tornando facilmente um dos jogos mais viciantes que conferimos no PSP. Não deixe de conferir!