MMO, gerenciamento, estratégia... Este game tem de tudo!
O gênero de simulação de cidades começou pequeno, como muitos no mundo dos games, mas hoje já podemos dizer que atingiu proporções gigantescas. Desde o humilde SimCity, original do nome, até os ambiciosos jogos de tycoon da atualidade, a evolução certamente permitiu colocar nas mãos dos jogadores megalópoles inteiras. E Cities XL vai ainda mais além.
Escala é tudo
O escopo do jogo é tão grande que de início fica até difícil se situar. É um simulador de cidades? É um MMOG? É um jogo de evolução, ao estilo Spore? Difícil responder com precisão, mas um pouco de tudo está presente. A jogabilidade básica é, obviamente, a da construção de uma cidade funcional que possa se expandir e tornar-se uma grande metrópole.
Neste aspecto, o jogo possui grande similaridade a outros do gênero, embora suas ferramentas sejam muito mais funcionais, intuitivas e — este fator não pode ser esquecido — numerosas! Existem tantas opções que o travamento de grande parte dos edifícios no início é necessário, e não opcional.
O que o game faz de uma forma bastante interessante. Ao invés de utilizar um sistema de datas ou qualquer outro fator arbitrário e fora do controle do jogador, ele baseia os destravamentos de novas tecnologias e edifícios em parâmetros práticos, como população. Desta forma, o jogador pode ir levantando os edifícios de que necessita conforme sua cidade vai crescendo — afinal de contas, um vilarejo com dois mil habitantes não precisa de um shopping center.
Neste sentido, os fãs do gênero se sentirão em casa, já que os procedimentos básicos são os mesmos: construir uma estrada, colocar casas em torno dela e partir daí. Algo excelente que tira o peso das costas do jogador de dever construir usinas elétricas, de água e tudo o mais logo de início é uma construção que produz um pouco de cada recurso. Assim, sua pequena cidade será facilmente suportada enquanto você foca em seu desenvolvimento; mais para a frente somente é que é necessário especializar as tarefas.
Aqui vale lembrar algo genial: existem bolsões de recursos, e somente neles é possível construir determinados tipos de usina. Por exemplo, terreno fértil é necessário para a agricultura; lençóis freáticos subterrâneos são necessários para captar água; reservas de petróleo são necessárias para processar combustível, e por aí vai.
Muito interessante também é a facilidade de construção das diversas “zonas” do game. É possível construir em retângulos pré-definidos, de forma livre ou individualmente. Algo bastante interessante que permite ao jogador construir sua cidade de forma similar a algo real, e não mais uma das milhares de cópias de Manhattan, como outros títulos fazem.
Na demo que jogamos ainda existiam vários aspectos do game que estavam bloqueados, e que só poderão ser conferidos na hora do lançamento. Mas o que já estava disponível era muito mais do que suficiente para horas de diversão.
Base igual, base diferente
Algo que deve ser ressaltado é o esquema de mão-de-obra do jogo. Ele divide os trabalhadores em quatro categorias: não-qualificados; qualificados; executivos; e Elite. Cada um deles possui capacidades e necessidades diferentes, sendo que os vários tipos de empresas e serviços necessitam de uma combinação variada deles, então não adianta ter uma cidade somente com executivos — e nem seria possível.
Você começa sua módica vila com apenas o primeiro tipo, e em seguida vai atraindo as pessoas mais qualificadas. Cada uma delas trabalha em setores específicos e se contenta com diferentes tipos de coisa. Por exemplo, classes mais abastadas irão querer mais lazer, enquanto as menos favorecidas prezarão muito mais pela segurança.
Saber equilibrar esta balança é algo bastante delicado, divertido — e complexo. Mas, felizmente, o jogo coloca à disposição uma quantidade absurda de ferramentas para acompanhar os mais diversos aspectos de sua cidade. Desde a satisfação dos habitantes até a proporção de oferta e demanda de produtos, passando pelo tráfego e pela quantidade de lojas per capita, tudo pode ser visualizado através de estatísticas, tornando a tarefa muito mais prazerosa.
As adaptações de sua metrópole às necessidades mais imediatas de seus cidadãos também podem ser feitas de forma mais rápida, já que você ganha dinheiro — ou perde — a uma velocidade bem mais rápida do que a maioria dos outros jogos. Além disso, o jogo salva constantemente para que você não perca nada em nenhum momento com relação aos outros jogadores. Eu disse outros jogadores?
O grande trunfo
O game é jogado online. Ruim para uns poucos, bom para muitos outros. Isto permite à desenvolvedora elaborar todo um aspecto social que complementará a jogabilidade básica de forma espetacular. O que ocorrerá é a inserção do jogador em um determinado planeta, que possuirá milhares de outras cidades como a sua.
Para isso, existem alguns passos essenciais. O primeiro é criar um avatar — bem detalhado, como em vários outros games atuais — que representará o seu “prefeito”. Ele será utilizado não somente para representar você, como para realizar negociações, visitar outras cidades e unificar os vários municípios que você poderá ter.
Isto feito, você deve escolher, no planeta — que é visualizado de forma espetacular na tela — onde ficará sua futura metrópole. As diversas localizações pelo globo possuem características e recursos diferentes, então cada uma se adapta melhor a um determinado tipo de cidade. Algumas podem ser atrações turísticas, outras nem tanto... Algumas são ricas em petróleo, outras em água.
Somente a partir daí é que você começa a construir, mas a experiência online permeia todos os aspectos do jogo. Desde rankings até comércio, passando por jornais com novidades e uma integração ao site do game que permite utilizar várias outras ferramentas de gerenciamento, a coisa toda é bastante imersiva.
Imersão, inclusive que é muito bem realizada através do sistema de câmera. É possível ter uma visão de todo o terreno em que você pode construir ou chegar tão perto que você parece um cidadão. E tudo sem carregamento, em uma tacada só — só depende do seu computador aguentar o tranco.
Cities XL é certamente uma promessa muito ousada, e se conseguir atrair um público considerável a experiência será excelente. Pelo que vimos, está no caminho certo — mais do que certo. Resta agora aguardar por mais alguns meses para finalmente conferir e, se tudo der certo, correr para o abraço.