A colonização do “Novo Mundo” é o objetivo principal por trás de Civilization IV: Colonization. Tendo sido lançado originalmente em 1994, Colonization vem agora com a ótima engine de Civilization IV e muitas novas possibilidades, incluindo estruturas e modos de jogo.A “terra de ninguém”Diferentemente da evolução através da eras — com partidas que abordavam enormes intervalos de tempo —, Colonization compreende apenas o período aproximado que vai de 1600 até 1800, época em que a colonização das Américas andava a todo o vapor. Por tanto, nada de investimentos em tecnologia nuclear dessa vez.
Basicamente, a idéia é fundar as bases da sua colônia, entabular um relacionamento (amigável ou não) com a população indígena local e acumular recursos e poderio bélico que permitam, por fim, o tão esperado grito de independência que irá livrar a colônia dos laços da terra mãe. Para tanto, Colonization disponibiliza quatro opções de colônias: inglesa, holandesa, francesa e espanhola. Cada uma com suas vantagens e pontos fracos.As colônias inglesas estarão sob os comandos de George Washington e John Adams. Um colonizador inglês pode esperar um enorme fluxo de imigrantes.Já os holandeses deverão responder a Peter Stuyvesant, o homem responsável tanto por trazer o chá às colônias quanto por acompanhar de perto a construção do local que hoje é conhecido como Nova Iorque. Os holandeses levam vantagem na parte mercantil, podendo contar com um mercado bem mais estável.Os franceses são liderados por Samuel de Champlain e Louis de Buade de Frontenac. Champlain não só foi o fundador de Quebec como também é conhecido hoje como o pai da “Nova França”. Os franceses possuem um melhor relacionamento com os nativos locais, o que pode ocasionar vários bônus e facilidades.Diferentemente, os espanhóis são simplesmente odiados pela maior parte dos nativos, com certeza graças aos seus métodos bem menor ortodoxos de colonização. Liderados por Simon Bolivar, que foi o organizador da independência de uma grande parte da “Nova Espanha” — incluindo Venezuela, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, os espanhóis contam como bônus que favorecem exatamente a sua forma de colonização, permitindo que façam uma verdadeira devastação entre os povos locais.A julgar pela intensa atividade colonizadora da época abordada por Colonization, é realmente estranho que o jogo conte apenas com quatro nações, já que várias outras também tiveram papéis marcantes na demarcação do “Novo Mundo”, tais como Itália e Alemanha. Enfim, uma deficiência que poderia muito bem não existir.A tão sonhada independênciaEvoluir uma terra de colonos desarmados, famintos e com a moral baixa até a posição de grande metrópole abarrotada de patriotas orgulhosos e beligerantes não é das tarefas mais fáceis. Além de se valer das vantagens trazidas pela colonização escolhida (vide subtítulo anterior), cabe ao jogador utilizar muito bom senso para escolher o momento exato para decretar sua soberania.Caso isso seja feito sem a estrutura necessária, será apenas uma questão de tempo até que as forças subversivas sejam completamente massacradas pelos exércitos da pátria mãe. Para que a coisa toda realmente funcione, deve-se criar toda uma estrutura de apoio (exatamente como aconteceu nos meandros da história até hoje).
| No que tange à parte econômica, a idéia é acumular suficientes recursos para criar um mercado interno estável e auto-suficiente. A partir daí, é bem interessante montar uma força bélica capaz tanto de proteger a colônia de oportunistas quanto de arcar com a retaliação por parte da metrópole quando as guerras por independência tiverem início. A própria colonização, é claro, pode ocorrer de formas não muito pacíficas, já que os nativos normalmente não vão querer ceder o seu território sem resistência. A propósito, conforme já foi mencionado, ter um relacionamento harmônico com os nativos de uma terra pode ser fundamental para que a colônia seja bem sucedida. A amizade com povos locais pode gerar bônus, especializações e até mesmo um reforço para as tropas.
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Entre as tribos indígenas disponíveis em Colonization estão os Astecas, os Dacotas, os Cherokees, os Incas, os Tupis e os Apaches. A aproximação com os indígenas pode se dar de várias formas diferentes. A mais óbvia de todas, seria simplesmente respeitar o seu território e a sua soberania. Outra, seria utilizar um dos fatores colonizadores mais efetivos da história da humanidade: a religião.
Converter os nativo pode realmente ser bem efetivo, além do que, vai trazer um significativo aumento para a mão-de-obra. Porém, é claro, pode-se esperar alguma reação contra esse método.
O apoio do povo
Porém, nada em uma terra pode ser resolvido unicamente através de uma preocupação com números e soberania territorial. A parte mais fundamental deve ser levada em conta: o povo. Para que uma terra deixe de ser colônia e assuma novos ares de soberania e auto-suficiência, deve existir um forte apoio por parte das pessoas que formarão a nação.
Pode-se utilizar várias formas para convencer o povo de que a independência é a melhor saída. Uma sólida estrutura econômica, com muitos recursos e riquezas acumulados, sem dúvida vai ajudar bastante. Um bom investimento em novas tecnologias também será necessário. Entretanto, como um reforço extra, nada como uma sutil propaganda contra a metrópole. A idéia é angariar suficiente respaldo para o momento de levantar a própria bandeira.
Quando, porventura, o sentimento de rebeldia da população atingir 50%, o jogador tem diante de si o momento de desatar laços com a terra mãe. Entretanto, às vezes é bastante sábio protelar esse levante para um momento futuro em que a nação tenha mais recursos para garantir uma soberania — tendo condições para se manter e se proteger. Seria aconselhável, por exemplo, ter pelo menos um poderio militar naval adequado.
Desbravando o território
A julgar pelo cunho histórico de Colonization, qualquer um poderia imaginar que os territórios encontrados no jogo teriam pelo menos uma mínima relação com territórios reais. Infelizmente, não têm. Entretanto, o jogo sem dúvida traz alguns ótimos cenários além de um ótimo editor de mapas.
Não obstante o fago de um determinado rio não se encontrado onde deveria, Colonization ainda compensa com uma sólida estrutura estratégica e bons modos de jogo. Além do desafio para um jogador, pode-se encarar um multiplayer com até 4 pessoas ou mesmo um modo de jogo via email.
Colonization marcou os fãs do estilo quando a versão original foi lançada em 1994 e provavelmente marcará também agora. Trata-se sem dúvida de um ótimo jogo de estratégia com o nível de complexidade e detalhes que normalmente se encontra em um título da premiada série Civilization.É claro que algumas nações a mais ou mapas reais deixariam as coisas um pouco mais interessantes e também garantiriam longevidade ao jogo. Porém, nada que pareça realmente limitar a experiência de jogo.Civilization IV: Colonization deve chegar às lojas até o final do terceiro trimestre.