O título possui gráficos extremamente bem polidos, com texturas de arrancar suspiros até mesmo dos mais entusiastas. E ainda: o jogo é roda muito melhor que seu antecessor, algo extremamente bem-vindo para os jogadores desprovidos de super máquinas. Além disso, a intensidade da ação foi devidamente aprimorada, fazendo com que o jogador fique vidrado na tela de seu computador. A inteligência artificial também é um dos recursos notáveis de Warhead por ser bem elaborada.
Crysis Wars, que incluído junto ao jogo, oferece ainda mais longevidade ao título, com um excelente modo multiplayer. Fora isso, o jogo ainda oferece uma série de mapas novos, que devem aprimorar ainda mais a diversão de Crysis. Tudo por uma bagatela de R$59,90.
O jogo é extremamente curto e não oferece novidades suficientes para atingir o status de seu antecessor. Warhead ainda é quase que totalmente linear, e não há qualquer tipo de incentivo para a exploração do ambiente em que o jogador se encontra. Nada de novidades em relação à nanosuit.
Uma história quase que “sem pé nem cabeça” se une à simplicidade do título, fazendo com que Warhead não passe de mais um jogo do gênero FPS. Várias falhas na trama e a ausência de explicações podem deixar o jogador irritado e até mesmo perdido.
Um novo Crysis?
Primeiramente, não podemos deixar de enfatizar que, mesmo sendo um título à parte, Warhead deixou de lado vários elementos, alguns deles de grande importância, que cunhavam o primeiro título da série. O desafio e a natureza aberta da jogabilidade na maioria das missões foi substituída por uma campanha mais linear, similar ao aclamado Call of Duty 4. O resultado disto é um jogo híbrido: explosivo, repleto de ação em suas 6 horas de jogo sem inspiração e até tediosas, e com alguns poucos elementos alternativos que fogem da linearidade.
Como muitos sabem desta vez você não irá encarnar Nomad — protagonista do primeiro Crysis —, mas sim o Sargento Michael Sykes, conhecido pelos seus amigos como “Psycho” em uma história que se passa paralelamente aos eventos do jogo estreante da franquia Crysis. Muitos jogadores devem se lembrar das breves citações sobre Sykes no primeiro jogo, mas diversas informações só são reveladas em Warhead.
O interessante do novo protagonista britânico é sua personalidade, a qual se distancia da de Nomad. Psycho é o típico camarada que é capaz de deixar sua missão de lado para salvar um companheiro, mas não pense que o cara é tão bonzinho assim. Ao contrário do primeiro protagonista, Sykes possui um caráter muito mais agressivo, e prefere encarar esquadrões inimigos frente a frente, utilizando seu robusto arsenal, a calcular cautelosamente seus ataques discretos.
As belezas de uma ilha paradisíaca
Pela história, você simplesmente recebe ordens do Comandante Emerson, as quais constituem basicamente na eliminação do misterioso Coronel Lee. O soldado norte-coreano possui um container com um conteúdo extremamente perigoso, e deve ser impedido pelo jogador.
Após os primeiros instantes do jogo, é bem provável que a história seja deixada de lado, pois a ação é tão intensa que a trama fica totalmente em segundo plano, mesmo com a ajuda de algumas breves CGs. Em jogo é possível notar claramente a intenção dos produtores em deixar o jogador entusiasmado com tiroteios e explosões. No decorrer de seu caminho, existem vários postos de gasolina e veículos clamando para serem explodidos, demarcados como intervalos para mostrar adoráveis explosões ao jogador.
Exemplificando uma das falhas da história dentro do jogo, temos uma perseguição “incrível” entre Psycho e Lee pilotando “hovercrafts” em plena tundra alienígena. O visual é realmente impressionante, as texturas do gelo são impecáveis e a paisagem desvia a atenção do jogador. Contudo, tudo vai se congela a partir do momento em que o jogador decide simplesmente dar um tempo na perseguição. Lee simplesmente colabora com a atitude do jogador, e aguarda estaticamente até que o protagonista decida voltar para a ação.
Existem diversos casos como este, tanto no início quanto nos momentos finais do game, algo que contribui — absurdamente e de modo ridículo — a favor do jogador. Além disso, várias missões não necessitam do tão bem elaborado traje nano muscular, e muitas delas o tornam supérfluo.
Como se não bastasse, o jogo apresenta várias missões que terminam de forma brusca e alguns momentos em que a história é narrada somente por áudio, deixando de lado o atributo mais atraente do jogo, seus gráficos. Mesmo assim, o jogo ainda consegue se destacar por alguns aprimoramentos notáveis, como a adição de algumas novas armas, as quais podem ser equipadas simultaneamente, e uma granada que desabilita temporariamente o traje dos inimigos.
Soldados muito bem treinados
A inteligência artificial do novo título de Crysis também sofreu diversas mudanças positivas. Desta vez, os inimigos não se assemelham aos Kamikazes do primeiro título e contam com um comportamento semelhante a assassinos, mantendo discrição e se escondendo atrás de arbustos. Os soldados também contam com ataques coordenados, flanqueando o protagonista e realizando diversas ações organizadas em grupos.
As táticas utilizadas pelo oponente chegam a impressionar o jogador. Em um dos momentos de Crysis Warhead, estávamos escondidos atrás de uma pedra, e atacados por inimigos a nossa frente. Enquanto o tiroteio ocorria, um esquadrão inimigo cautelosamente avançava pela retaguarda, preparando para nos pegar de surpresa. Isso ocorre de forma extremamente natural, e certamente é um dos pontos positivos de Crysis Warhead.
O clímax de Crysis também se mantém espetacular em Warhead. Muitas vezes, o jogador enfrenta criaturas gigantescas, que exigem muita habilidade e um total domínio no traje utilizado pelo protagonista. Infelizmente, não existe qualquer habilidade nova disponível no traje. A super velocidade, força, defesa e a invisibilidade continuam sendo as “únicas” vantagens do traje. A Crytek poderia ter adicionado alguns recursos a mais na roupa, mas provavelmente só veremos novos atributos em Crysis 2, a tão especulada seqüência verdadeira do jogo.
Poderia ser melhor
Os gráficos de Warhead conseguem ser ainda melhor que seu antecessor, e o desempenho foi levemente aprimorado. Ambientes gigantescos, repletos de vegetação e com oceanos reluzindo nos olhos do jogador são apenas alguns dos locais encontrados em Warhead. Com certeza, vale à pena conferir a representação visual de Crysis Warhead, pois é a melhor já concebida no mundo dos games.
O mesmo não acontece com a trilha sonora do jogo, que, muitas vezes, se torna repetitiva e chata. Os ambientes são regados com faixas musicais de boa qualidade, mas em lutas contra chefes, por exemplo, a repetição irrita até os menos atentos a este atributo. Contudo, excetuando-se à música, Warhead oferece sons de primeiríssima qualidade, como pássaros cantando e diversos outros ruídos que compõem o universo de Crysis.
Há também um modo para vários jogadores, o qual está incluído junto com o jogo em um disco separado. Intitulado Crysis Wars, o modo oferece boas novidades, como a modalidade Team Instant Action que suporta até 32 jogadores. Além disso, novos mapas exigindo um uso abusivo de seu traje nano muscular e uma série de veículos diferentes também foram inclusos no pacote. Como um presente para os jogadores, uma só cópia de Warhead pode ser instalada e jogada em vários PCs quando interligados em LAN.
Em suma, Warhead não se qualifica com uma seqüência digna de Crysis, a não ser pelos seus gráficos à altura. Sua jogabilidade é simples, agradando a qualquer fã de títulos FPS que aguardam por um jogo intenso. Contudo, alguns atributos do primeiro título foram excluídos, e Warhead se mantém na mesma linha de uma série de jogos do gênero que existem por aí. Seu multiplayer, como sempre, aumenta a longevidade do título.


