Na semana passada, a Codemasters iniciou a etapa de testes abertos do game F1 Online, um gerenciador de Fórmula 1 para navegadores. A ideia é que, enquanto a velocidade e a precisão da pilotagem seriam exclusividade das versões para consoles e PC, o game gratuito seria o nicho daqueles que se interessam por automobilismo de maneira mais técnica.
Na prática, não funciona bem assim. O que se percebe no Open Beta de F1 Online é que a ideia de tecnicismo continua em segundo lugar, ainda ficando atrás da velocidade e do controle. A diferença é que enquanto as edições Xbox 360, PlayStation 3 e PC primam pela precisão na pilotagem, os comandos pelo mouse são o principal defeito aqui.
Tabajara Racing Team

O game começa com um breve tutorial. Tudo é bastante básico, com aceleração e freios sendo utilizados pelos botões esquerdo e direito do mouse, enquanto o cursor serve para controlar o carro. No teclado, estão os botões de ativação das asas móveis e do KERS, dois sistemas que garantem uma potência extra ao motor e ampliam a velocidade.
Durante a “aula”, a utilização desse tipo de controle até faz sentido. Tudo muda, porém, quando o jogador resolve encarar as corridas para valer. É praticamente impossível realizar curvas fechadas sem parar o carro. Caso você bata no muro e precise dar ré, verá sua máquina indo para o lado ou girando em círculos devido ao posicionamento desastrado da seta do mouse. O jeito, então, é usar o reset e perder preciosos segundos (e a corrida).
O segundo passo de F1 Online é criar o logotipo e a marca da própria escuderia. O jogo conta com um sistema de verificação de nomes, que impede a criação de títulos repetidos. Esse mesmo cuidado com a exclusividade, infelizmente, não foi passado às cores e layouts do carro, que apresentam modelos-padrão e pouco inventivos, com tons feios e meia dúzia de opções de estilo.

Por fim, você tem acesso ao prédio da equipe e pode começar a desenvolver novas peças, contratar funcionários e melhorar o seu carro. É aí que entra todo o caráter gerencial do título, já que esse desenvolvimento não vem de graça, mas sim é realizado por meio de pontos obtidos com bons desempenhos nas pistas. Os aspectos técnicos desse trabalho, porém, são totalmente deixados de lado.
F1 Online, então, é uma via de duas mãos. Quanto mais alta a sua colocação ao final das corridas, mais dinheiro será obtido. Assim, o progresso da equipe é facilitado para que mais posições e avanços tecnológicos sejam possíveis. Fazer um gerenciamento adequado dos recursos da escuderia é o principal trabalho do jogador. E isso não é tão complicado quanto parece.
No cockpit dos astros

Além de correr com seu próprio time, F1 Online também permite que o jogador assuma o posto de astros do esporte. As corridas com as equipes reais da Fórmula 1 acontecem em uma opção separada do menu, mas também contam com objetivos e garantem pontos para o gerenciamento da escuderia personalizada.
Assim como nas versões para consoles e PC, F1 Online apresenta reproduções bastante fiéis dos circuitos da vida real. Aqui, eles são vistos de uma perspectiva isométrica e, apesar de apresentarem gráficos mais simples, são facilmente reconhecíveis.
O elenco de pilotos é o mesmo da temporada 2011. Isso quer dizer que ainda temos Rubens Barrichello correndo pela Williams, e nada de Bruno Senna ou Kimi Raikkonen. Isso pode ser explicado por questões de licenciamento, já que F1 Online começou a ser desenvolvido antes da Codemasters ter obtido os direitos para a temporada de 2012. Fica a expectativa, então, que a versão final do game já conte com uma lista atualizada.

Todas as provas acontecem online, contra adversários de verdade, e não é possível jogar sem uma conexão com a internet. Sem falar do típico desrespeito dos jogadores de games de corrida, que preferem lutar contra os outros competidores em vez de vencer as provas, o lag é o grande inimigo das partidas multiplayer. Carros adversários aparecem e desaparecem a todo momento. É bem frustrante realizar ultrapassagens e perceber que o oponente que ficou para trás era apenas um fantasma.
No traçado correto

F1 Online ainda tem um longo caminho pela frente, se quiser se aproximar da representatividade de seu irmão maior. Apesar de ainda estar em estágio Beta, o game apresenta poucos bugs e falhas de desenvolvimento, com os grandes problemas se localizando na escolha equivocada de controles e no lag que permeia toda a jogabilidade.
Seria interessante ver um pouco mais de profundidade no gerenciamento de escuderias ou aspectos um pouco mais técnicos da mecânica da Fórmula 1. Ainda assim, o título está no caminho certo e, se seguir a tradição dos jogos para console, só tem a melhorar com o passar do tempo.

