Atmosfera densa e enigmas intrincados agora com um refinamento bem maior.
Já nas primeiras imagens da Demo de Black Plague, o que se pode afirmar com certeza é: o jogo possui um refinamento muito maior que o seu antecessor. Talvez não tenha gráficos que façam frente aos das franquias reconhecidamente impressionantes nesse quesito, mas a melhora em relação a Penumbra: Overture é, de fato, inegável. Aprendendo um pouco sobre a mecânica do jogoAssim que a demo inicia, tem-se a possibilidade de aprender os movimentos mais básicos através de um tutorial bem simples. Para quem ainda não teve nenhum contato com o sistema de jogo de Penumbra, é uma boa chance de evitar futuras derrapagens em momentos cruciais. É claro que a jogabilidade é muito mais abrangente do que agarrar caixas ou abrir tampas de baús, mas é uma boa forma de se começar (desconsiderando-se o prosaico ambiente de neblina que envolve o tutorial).Iniciando o jogo propriamente dito, o jogador tem a opção de escolher entre três níveis de dificuldade: easy, normal e hard — cada um recomendado para um nível de jogador, sendo o normal aquele que, segundo o jogo, seria o mais indicado para a maioria.Como uma abertura para o jogo, há uma espécie de resumo dos acontecimentos de Penumbra: Overture. Philip, o protagonista, cita então alguns eventos não muito agradáveis que enfrentou na sua busca pelas verdades sobre o desaparecimento do seu pai (como a entrada na mina abandonada, os conselhos do estranho Red ou ainda a solidão que experimentou dentro do complexo); tudo muito bem ambientado através de música, imagens e uma boa locução.
Philip então se vê em uma espécie de escritório abarrotado com todo tipo de coisa: desde algumas pilhas até um colchão velho. Esse é um ótimo momento para se experimentar o sistema de jogo de Penumbra. Pode-se abrir e fechar portas e gavetas, arrastar ou até mesmo arremessar contra parede alguns objetos (dependendo do peso, é claro).Em meio à grande desordem da sala, pode-se encontrar uma morsa e uma moeda velha. De uma forma não exatamente óbvia (o que é um traço bem característico dos puzzles do jogo), é possível utilizar em conjunto essas duas coisas para sair da sala. Vários outros enigmas no jogo seguem esse mesmo esquema: combine uma coisa com outra para interagir com uma terceira; sem dúvida uma ótima característica.Um clima tenso e envolventeAlém de algumas imagens e ambientes bem característicos, outros fatores contribuem para o clima tenso do jogo. Os sons, por exemplo, que parecem muitas vezes vir de dentro da cabeça de Philip, fazem mesmo o jogador questionar a sanidade do protagonista! Dúvida que aumenta ainda mais quando se encontra um prontuário médico (convenientemente encontrado ao lado do cadáver de um médico) falando a respeito de uma estranha doença que causaria, em primeira instância, desorientação e, posteriormente, paranóia e até mesmo dupla personalidade.
Outro fator interessante é a interação do protagonista com o ambiente. Em várias ocasiões, alguns efeitos deixam bem claro que há algo de errado com Philip, como, por exemplo, quando este experimenta uma visão turva ou fica com a respiração nitidamente alterada. Porém, esses efeitos também acontecem quando o personagem entra em pânico.Não propriamente apoteótico, mas interessanteJogando-se a demo de Penumbra: Black Plague, as impressões são, basicamente, as mesmas que se tinha jogando Overture. Embora a série tenha uma jogabilidade inovadora e um clima bastante particular, é evidente que se trata de um projeto com consideráveis restrições financeiras. Porém, mesmo tendo alguns gráficos francamente prosaicos munidos de efeitos não muito impressionantes, as saídas criativas dos desenvolvedores realmente conferem ao jogo um clima único. Tendo ainda essas características e agora também um refinamento plenamente aceitável, pode-se dizer que, ao menos para alguns, Penumbra: Black Plague deve trazer uma experiência bem interessante.