The Witcher é um jogo de RPG a ser lançado a partir de julho de 2007, com temática de fantasia medieval adulta e cenários soturnos desenvolvidos pela Cdprojekt. A desenvolvedora em questão é de origem polonesa e já teve uma ampla experiência com traduções de jogos, notadamente os lançados no universo de Dungeons & Dragons pela Bioware, tais como Baldur's Gate, Icewind Dale e Planescape Torment. Essa conexão entre os dois desenvolvedores parece que vingou, afinal The Witcher usufruirá da mesma engine utilizada em Neverwinter Nights, a Aurora Engine.
A primeira questão que vem à mente é sobre a qualidade gráfica do jogo, afinal Neverwinter Nights já foi lançado há algum tempo de tal modo que, provavelmente, a qualidade gráfica deixará a desejar. Para surpresa geral, isso é um tremendo engano. A qualidade visual, a se julgar pelas screenshots e videos in-game são soberbas, com efeitos de luzes eficazes, texturas e tratamento de cores das texturas dignos de jogos de ponta, demonstrando assim a longevidade da plataforma desenvolvida pela Bioware.
O enredo é baseado em um homem proveniente de uma linhagem de caçadores contra criaturas mágicas chamados The Witchers. Dotados de ampla habilidade com espadas e especializados em matar bestas fantásticas, ele foi criado não para ser um herói, e sim um indivíduo forte em um mundo ameaçado por uma profecia sobre a chegada de uma era glacial e na iminência de um combate entre os povos do norte e do sul. Algo que a CdProjekt fez questão de reforçar é o embasamento completo do jogo em fontes históricas do período medieval e renascentista, sobretudo da região nórdica da Europa. Não bastando isso, existe a promessa de que o personagem e o contexto em que está situado não estão regidos por uma moral dualista: o bem ou o mal. Quanto às quests e a maneira como a trama é exposta, estas podem ser atingidas de diversas maneiras, seguindo uma estrutura não linear.
Os desenvolvedores tiveram o bom senso de divulgar uma série de vídeos sobre os estágios de desenvolvimento, ensinando assim um pouco da maneira como os jogos são desenvolvidos. Os gráficos, como já foi dito, contaram com a Aurora Engine e possuem tonalidades e texturas tipicamente medievais, sombrias portanto, não havendo qualquer referência aos jogos de fantasia infantis com anões, elfos e fadas amigáveis (apesar de alguns destes estarem presentes). A movimentação dos personagens, em especial dos protagonistas, foram sistematicamente captados por atores em mais de 200 tomadas, permitindo uma ampla gama de golpes e animações de morte, finalizações e acrobacias. Os sons possuem harmonias e melodias vagas e distantes, baseados na tradição celta. Já nas lutas, o que ouvimos são os sons de tambores com ritmos fortes e vigorosos.
Enfim, The Witcher promete cometer o feito de acrescentar mais emoção e qualidade em um gênero com títulos fortes porém,e até certo ponto, desgastado. Resta saber se a inexperiência, pelo fato deste título ser o primeiro jogo da desenvolvedora polonesa, irá afetar sua qualidade geral ou manchá-lo com clichês. A alemã Piranha Bytes, por exemplo, não teve êxito em fazer do recém lançado Gothic 3 um sucesso, mesmo já tendo alguma experiência do mercado.