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Ar tonelico II

06/08/08 - 12:02:38
As curvas de Ar Tonelico II desembarcam em terras ocidentais.
Julgar Ar Tonelico II tendo como parâmetro o seu antecessor pode ser algo meio... estranho. O primeiro título realmente não trazia nada de inovador em relação à mecânica de jogo. Tratava-se simplesmente do habitual estilo clássico de RPG japonês, com batalhas em turnos, magias colossais, diálogos com muita pieguice e um estilo estético tirado diretamente de uma competição de “cosplay”.

Não, não está faltando nada. As roupas são realmente essas. O diferencial se encontrava realmente na história. Ou, mais precisamente, na própria estrutura do universo de jogo. Basicamente, o jogador ficava no controle de um personagem (masculino) que servia como uma espécie de guarda-costas para as Reyvateils, que são uma espécie de andróide com terríveis carências emocionais e psicológicas que disparam magias poderosas com o seu canto.

Para ajudar a pobre, bela e seminua boneca a se encontrar, o jogador deveria realizar “mergulhos” (dives) dentro da consciência da personagem — não tinha como ser mais sugestivo, realmente —, além de travar vários diálogos extremamente emotivos, conseguindo assim uma amizade “colorida” que faria com que elas realizassem magias ainda mais poderosas.

Bom, fora as explícitas insinuações de cunho sexual, até aí tudo dentro da normalidade. O que, entretanto, faz da seqüência de Ar Tonelico algo quase malicioso é o simples fato de que, no lugar do personagem masculino, agora entra em cena outra garota, sendo que a estrutura básica, com todo o romance disfarçado, ainda está presente. Não é difícil concluir certas coisa, não é? Pois é.

Uma segunda torre

A história de Ar Tonelico II é realmente bem similar à do primeiro título. Novamente entram em cena as Reyvateils, as torres com poderes místicos, magias devastadoras e aquele universo épico característico que mistura contos de cavalaria com clima de novela mexicana.

Em Ar Tonelico II entra em cena a segunda torre de Ar Tonelico, que é cercada pela região de Meta Falss. Essa torre representa a deusa Freila do Trio de Elemia. A região das Reyvatelis sucumbe agora diante de uma epidemia conhecida como “Infel Phyra Dependency”. Entre em cena Chroah, um cavaleiro sob o comando da igreja de Pastalia, que é mandado até o local para encontrar a fonte do problema e conter a epidemia.

Entretanto, a aventura se mostra bem além de uma simples epidemia, e Chroah deverá tentar desvendar vários mistérios do planeta “Ar Ciel”, além de buscar o “Hino de Metafalica”.

Paus, pedras e hinos

A jogabilidade de Ar Tonelico II permanece basicamente a mesma do seu antecessor, variando apenas em alguns pontos, como na forma como o jogador interage com as “Cosmospheres” das Reyvatelis, que são, mais ou menos, os subconscientes — ou algo semelhante — das criaturas; as cenas desenroladas quando o jogador estiver nos “mergulhos” (dives) dentro das consciências das Reyvateils trará agora efeitos mais significativos para a trama.

Canções: as armas mais devastadoras em Ar Tonelico II.Para quem ainda não conhece o sistema singular de evolução de Ar Tonelico: o jogo traz uma espécie de mistura entre o desenvolvimento dos personagens e a aquisição de novas habilidadles. “Mergulhando” no subconsciente das Reyvanteils, o jogador ficará conhecendo mais a respeito de um personagem do time e, de quebra, ainda adquire novas magias. Entretanto, isso só pode ser feito nos “Dive Shops”.

O sistema de combate seria algo como “paus e pedras quebram meus ossos, mas hinos podem me aniquilar instantaneamente!”. Enquanto um cavaleiro se encarrega da pancadaria, um medidor de magia vai subindo. Após atingir certo nível, as Reyvateils podem entoar hinos de destruição mágica.

Ar Tonelico II também traz a novidade de duas Reyvanteils poderem se juntar para realizar uma única magia, que terá uma proporção muito maior caso as duas estejam “emocionalmente sincronizadas”.

Além disso, existe também uma espécie de medidor de emoção. Quanto melhor as Reyvateils forem tratadas durante o jogo, melhor. A boa atenção dedicada às criaturas vai se reverter em lucros nos campos de batalha — simples assim.

Limite de inimigos

Embora Ar Tonelico lance mão de uma fórmula extremamente utilizada e reutilizada em tantos outros RPGs, algumas modificações muito bem vindas foram feitas. Uma das mais notáveis envolve o fim das infinitas levas de inimigos e encontros aleatórios.

Ao explorar uma nova área de jogo, um medidor na tela mostra qual é a probabilidade de acontecer um encontro aleatório com um inimigo assim como o número de encontros aleatórios restantes naquele espaço. Uma vez que o medidor não esteja mostrando mais nenhum encontro, a área pode ser considerada “limpa”.

É claro que ainda será possível encontrar mais inimigos em um local previamente devastado pelo jogador. Basta para isso que se saia e entre novamente na região. Entretanto, até lá, nenhum encontro inoportuno e fora de hora deve incomodar.

Ainda mais controverso

Ar Tonelico II provavelmente deve trazer mais controvérsia do que o seu antecessor. A amizade extremamente próxima entre as duas garotas que protagonizam e história deve tirar o sono de muito puritano de plantão.

Apenas boas amigas...

Os demais podem até mesmo encontrar alguma diversão em um estilo de RPG já um tanto desgastado, mas nem por isso menos divertido. Além disso, é inegável que o sistema de magias acrescenta alguma novidade ao título; não é necessariamente bom, mas sem dúvida é bem original.


Ar Tonelico deve trazer um novo fôlego ao PS2 em dezembro desse ano.
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