E3 2008: A Volition elevou a sua clássica franquia a um novo patamar de qualidade.
Uma das primeiras coisas que se percebe em Red Faction: Guerrilla é e a nova perspectiva em terceira pessoa, algo que não possui precedentes na série (que sempre deu ao jogador uma visão em primeira pessoa). Entretanto, caso se leve em conta o grande salto qualitativo e até mesmo quantitativo, está é, acredite, apenas uma mudança menor.Guerrilla representa uma verdadeira evolução para a série Red Faction, pegando todos os elementos já bem conhecidos da franquia e acrescentando um nível totalmente inédito de qualidade e possibilidades, trazendo um aprimorado sistema de destruição de cenários além de proporcionar agora ao jogador a possibilidade de ir e vir através do mais completo caos marciano em um universo aberto de jogo.A revolta marcianaPersiste ainda o levante da porção marciana da humanidade contra as forças opressoras e totalitaristas da EDF (Earth Defence Force – Força de Defesa Terrestre). A resistência é constituída basicamente por mineradores e seus descendentes; uma força miserável e totalmente explorada pelo governo terrestre.
O jogador assume o papel de um guerrilheiro da força de resistência da colônia cujo objetivo é acabar aos poucos com a influência da EDF sobre o planeta, seja através da manipulação da moral do povo ou mesmo com métodos menos sutis, como botar abaixo cada construção da organização, tijolo por tijolo.Uma das coisas mais impressionantes no universo de Guerrilla é o seu alto grau de dinamismo, além das várias capacidades de interação. O clima a todo o momento é de caos enquanto a mídia traz constantemente novas informações a respeito de levantes e tumultos em locais próximos e pessoas pedem desesperadamente por ajuda.
O melhor disso tudo, é que o próprio personagem do jogador acaba se tornando um coadjuvante em meio ao tumultuado universo. Não quis aceitar uma determinada incumbência que envolvia tomar parte de um com bate em um local distante? Tudo bem, mas aquele combate vai acontecer da mesma forma.A impressão que se tem é que o cenário não existe me função do jogador. Este é apenas mais um tentando sobreviver em meio ao caos que se instalou no planeta. E isso ainda é grandemente reforçado pelas missões paralelas de cunho altamente mercenário.Pode-se juntar um bom dinheiro simplesmente destruindo construções da EDF ou realizando outros objetivos semelhantes, e nenhum desses acontecimentos será realmente crucial para o desenvolvimento da história principal.Tijolo por tijolo
A mais evidente marca de Red Faction é, sem dúvida, a possibilidade de se destruir absolutamente qualquer estrutura que apareça pela frente no cenário. É claro que Guerrilla também traz essa possibilidade e, portanto, não seria nada realmente especial... não fosse o nada menos que impressionante novo sistema de destruição. As construções agora vem ao chão tijolo por tijolo. Barra por barra. Enfim, cada estrutura é formada por inúmeras estruturas menores, tal qual ocorre em uma construção real; e isso fica realmente evidente quando um prédio enorme vem ao chão.Além disso, destruir algo em Guerrilla assume até mesmo certo ar estratégico, tendo em vista que cada ponto que se acerte em uma edificação gerará um efeito distinto na integridade da estrutura. Para derrubar um prédio rapidamente, provavelmente a melhor escolha seja acertar as suas bases para que todo o resto venha ao chão.
Quem estiver ainda particularmente mais interessado em derrubar coisas do que em se engajar nas revoltas populares, pode lançar mão do modo Demolitions Master. Conforme o nome indica — fortemente —, trata-se de pura demolição.Utilizando apenas um martelo, deve-se destruir o máximo de construções da EDF em menos de três minutos. Após conseguir, pode-se ainda tentar novamente para quebrar a própria marca — e ver novamente cada um dos pequenos ingredientes que formam uma construção vir abaixo, peça por peça. Levante a moral do povo
Em primeiro lugar, para quem ainda não teve muito contado com a franquia, vale enfatizar aqui que quando se diz qualquer estrutura do cenário é, realmente, qualquer estrutura do cenário. Quer entrar apenas abrindo uma porta? Tudo bem. Quer ser menos delicado e simplesmente explodir a coisa toda para passar para o outro lado? Também é possível.
Entretanto, é bom observar que cada demonstração épica de poderio bélico (destruindo estruturas ou propagandas governamentais) vai gerar vários efeitos no clima do jogo. Por um lado, um feito grandioso pode levantar consideravelmente a moral dos cidadãos locais, que provavelmente não hesitarão em pegar uma arma das mãos de um soldado morto da EDF para ajudá-lo na batalha.Entretanto, existem, é claro, alguns efeitos menos desejados. Em primeiro lugar, fazer uma enorme construção ruir vai, com certeza, chamar também alguma atenção menos desejada, atraindo vários soldados fortemente armados até o local. Em segundo lugar, é muito fácil que, em meio ao caótico ambiente, se acerte um ou outro civil, e isso pode ser um golpe bem duro para a sua moral — e uma conquista significativa para a EDF.
Destruição e estratégia
Tudo bem, simplesmente colocar as coisas abaixo e sair matando qualquer coisa que se mexa garante uma boa quantidade de diversão. Entretanto, ter em mente alguma estratégia pode tornar as coisas ainda mais interessantes.
Afora a possibilidade já de escolher o melhor ponto para se atingir uma estrutura, o jogo ainda traz várias armas que permitem emboscadas ou ainda a simples possibilidade de se explodir as coisas de uma forma mais interessante.Que tal proteger os seu território com uma mina terrestre? Ou então deixar uma bomba pronta para ser detonada assim que um determinado veículo passe? Ou, pode-se ainda tão somente explodir de longe um latão com fogo ao redor do qual alguns mendigos se aquecem. Fato é que tanto a ação quanto as armas de Guerrilla garantem uma boa dose de movimentação tática.Para complementar a boa jogabilidade, existe ainda um sistema de defesa bastante funcional. Para buscar cobertura — o que é realmente muito necessário —, basta que o personagem se aproxime de uma parece; ele automaticamente se posicionará na defensiva, permitindo os clássicos desvios para atirar ou ainda um fogo cego.Arsenal clássico (e não tão clássico)Porém, se pode, é claro, fazer as coisas de uma forma mais clássica — e até bem mais sangrenta. A primeira arma que se tem à disposição no jogo é um enorme martelo que já garante uma boa destruição. Além deste, o jogo traz também todo o arsenal clássico de jogos de tiro, como rifles, escopetas e pistolas.Entretanto, algumas armas dão um certo ar de originalidade à ação do jogo. Além dos já mencionados aparatos para se explodir as coisas, tem-se, por exemplo, uma arma conhecida como “grinder”. Trata-se de um disparador de serras circulares. Imagina o que isso pode fazer em um campo de batalha? Exatamente.E como nem tudo é ataque, Guerrilla ainda traz algumas mochilas que se pode encontrar espalhadas pelo campo de batalha. Cada uma delas vai conceder uma vantagem específica enquanto estiver nas coisas. Enquanto que a “rhino pack” acrescenta uma explosão de velocidade (que dura apenas alguns segundos), a “concussion pack” emite uma explosão de energia em volta do personagem.Existe ainda a “firepower pack” que aumenta durante algum tempo o poder de fogo de qualquer arma que estiver sendo usada. Já a ”fleet foot” garante uma fuga rápida de algum perigo e o “Jet Pack”, bom, é um “Jet Pack” — provavelmente uma mão na roda na hora de alcançar o topo de um prédio ou algo semelhante.
16 jogadores simultâneos... com alguma perda
Red Faction: Guerrilla permite um total de 16 jogadores simultâneos em um dos dois modos multiplayer disponíveis: Team Anarchy e Damage Control.
Team Anarchy é o tradicional “team deathmach”, que coloca dois times em um cenário; ganhar quem permanecer de pé no final. Damage Contro, entretanto, enfoca mais a marca registrada da franquia: a destruição de cenários. Cada time controla três tipos distintos de estruturas que garantem muito mais pontos. Deve-se então destruí-las para em seguida reconstruir utilizando uma arma específica para tanto — o que, convenhamos, força um pouco a imaginação.Como já era de se esperar, 16 jogadores enclausurados em um único cenário garante uma pequena perda de qualidade no cenário. Embora não seja nada de fato gritante, existe um certo decréscimo de qualidade no momento em que, por exemplo, se põe um prédio abaixo. Enquanto que durante a campanha principal pode-se ouvir um prédio ranger quando tem sua estrutura afetada e, possivelmente, acabar de ruir, o modo multiplayer exclue esses requintes: a coisa toda vem abaixo e pronto. Nada que realmente afete a diversão, é claro. Além do que, as batalhas multiplayer acontecem de uma forma dão dinâmica — insana mesmo —, que provavelmente só os mais preciosistas perceberão esse tipo de coisa.Demolição requintada, armas sangrentas e um clima rápido e tático ao mesmo tempo. Guerrilla tem tudo para garantir um clima novo aos jogos de tiro — o que realmente é uma grande proeza hoje em dia. Além disso, fãs de longa data da franquia provavelmente vão querer dar uma conferida no ponto em que a Volition conseguiu trazer a sua singular franquia marciana.Para quem quiser conferir a versão Beta do modo multiplayer, vale lembrar que atualmente ela já está disponível. Entretanto, a versão final e completa de Red Faction: Guerrilla deverá estar disponível apenas em algum momento de 2009. Aguarde mais informações aqui no Baixaki Jogos.