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Sega Rally Revo

17/09/07 - 18:13:27
Jogabilidade elementar e primária empuram as máquinas de Rally em Sega Rally Revo.
Logo que a Sega anunciou que sua série de rally — uma das mais prestigiadas do gênero — finalmente receberia uma continuação nas plataformas de sétima geração, o chamariz que a empresa mais destacou foi a deformação da superfície do terreno pela passagem dos pneus dos carros, o que resultaria em corridas dinâmicas e inteligentes, com o controle do carro dificultado. Ademais; ficou claro que o número de veículos e os gráficos não deveriam decepcionar os fãs de corridas no barro.

Agora, com a versão de demonstração do título disponibilizado na Xbox Live, foi possível ter uma idéia bastante aproximada das características reais de Sega Rally Revo: qualidade ruim, falta de realismo mínimo para uma experiência desafiante e gráficos vivos, feitos na medida certa para um jogo que pretende lembrar os momentos nos fliperamas, porém bastante decepcionantes para quem experimentou as luzes belíssimas de Dirt. Com apenas 2 veículos e 2 pistas, Sega Rally Revo não apresenta nenhum ponto forte, sendo uma alternativa viável somente para os nostálgicos e fãs incondicionais da série.

O primeiro traçado analisado foi a pista Canyon. Logo ao escolhê-la, apresentou-se uma pequena ilustração do local onde a corrida se daria — poeira e céu azul dão o clima off-road da pista. Dois ícones pequenos indicam a proporção de terreno asfaltado e sujo; neste caso, 75% de barro e 25% de estrada. O nível de dificuldade também existe, 3 em uma escala de 1 a 5.
 
Enquanto a versão final promete 35, contente-se agora com dois veículos
 
Para percorrer essa mistura, estão disponíveis duas máquinas clássicas do rally, o Subaru Impreza e o Mitsubishi Lancer Evolution. Sem dados técnicos ou qualquer tipo de informação sobre cada um dos veículos, a escolha acaba ficando por conta da estética e do gosto pessoal de cada um, o que é um erro pois grande parte da diversão em um jogo de corrida é explorar as virtudes e superar as deficiências de cada automóvel.

Feita a escolha, existem duas opções de regulagem: uma adequada para terrenos com asfalto e outra para terrenos sem. Neste caso, a escolha é óbvia: 75% de barro? Claro que a segunda opção é a mais adequada.

A partida em si ocorreu como esperado para um jogo da franquia Sega Rally. Os adversários partem em disparada deixando sempre o jogador para trás, independente de sua habilidade no início. A partir daí é correr atrás do prejuízo. Fazendo curvas sem se importar com danos no veículo — por sinal, inexistente, o fato é que o freio será usado raramente e o botão de aceleração, sempre no máximo.
 
Game over, e mesmo assim você é o vencedor
 
No decorrer da partida, vê-se que o carro começa a ficar ligeiramente sujo, mas somente nas partes inferiores do veículo. O capô, vidros e pára-brisa sempre ficam limpinhos, mesmo com vários veículos à frente. As batidas provocam desaceleração pequena, o que é frustrante para quem procura um mínimo de realismo e desafio e ideal para quem não conhece quer se preocupar em manejar mais do que dois botões. A inteligência artificial dos inimigos é um pouco precária, já que eles seguem sempre o mesmo traçado e não se desviam apropriadamente para fazer as ultrapassagens em cima do jogador.

A deformação do terreno realmente ocorre. Basta a passagem de um veículo para que seja criado um sulco profundo na terra, que por sua vez desorienta a direção natural do carro. Para superar isso, ou o jogador procura locais "virgens", fora do traçado mais rápido, ou entra nesses canais e é obrigado a virar o analógico na medida em que o carro sai do lugar. Em ambos os casos, a aceleração e velocidade aparentam permanecerem as mesmas. Para auxiliar na tensão, o controle do Xbox 360 vibra vigorosamente.

Enquanto os 3 últimos corredores dos 6 existentes quase sempre são fáceis de ultrapassar, os dois primeiros consistem em desafios superiores, provavelmente devido aos seus carros mais potentes. Mesmo assim, basta que poucas batidas ocorram e que o jogador não permita que ninguém lhe ultrapasse para que o primeiro lugar e a vitória sejam alcançadas. Quero dizer, vitória não, já que independente da posição que o jogador termine a corrida resulta em um "Game Over", pronunciado com alegria na tela. Que ótima maneira de recompensar a vitória, não?
 
Ainda bem que minha TV tem o botão "Mudo"
 
Como é de se esperar, a jogabilidade seguiu o estilo arcade e apesar do terreno com barro provocar deslizes acentuados no veículo, o controle do carro é facilmente estabilizado, bastando que as curvas sejam feitas um pouco antecipadamente. O freio é usado somente nas curvas do tipo "cotovelo", de angulação de quase 360 graus e, como foi dito, dever-se manter a aceleração sempre no máximo.

Tanto o Subaru quanto o Mitsubishi apresentaram performances similares nas corridas, com o ronco dos motores fraquinhos e tímidos misturados a uma barulheira caótica dos outros carros. Para piorar a situação, a trilha sonora é composta de riffs de guitarras pesados e repetitivos, sobrepostos por melodias de mal-gosto. Resultado disso? Além de confusão para a troca de marchas (marcha manual nem pensar), o resultado são carros sem personalidade em seus motores e uma trilha sonora  insuportável. Não bastando isso, a indicação das curvas narradas a todo instante apesar de ajudar um pouco no começo, logo irritam por aparecerem de forma previsível a cada volta. Regra para qualquer desenvolvoder: variação quando o assunto é narração é indispensável.

O segundo mapa, chamado Tropical, apesar de contar com quatro estrelas de dificuldade, apresentou desafio similar ao mapa Canyon só que com muito mais barro e areia, o que é estranho pois a proporção indicava 65 por cento de asfalto. Aqui o efeito da sujeira dos veículos foi visto de maneira mais forte, com crostas de barro grossas coladas ao veículo.
 
Ainda resta trabalho para a Sega
 
Graficamente, o visual tem cores ricas com iluminação discreta, sem uso apelativo do HDR como estamos acostumados a ver ultimamente. Os cenários estão bonitos e os carros modelados adequadamente, sem serrilhados pronunciados ou texturas pobres.

Sem personalidade para os veículos e jogabilidade repetitiva, além de trilha sonora péssima, o formato disponibilizado de Sega Rally Revo na Xbox Live é uma decepção certa. O desafio do jogo é pequeno, o que o torna adequado para iniciantes e cansativo para veteranos. Caso a Sega não proporcione um desafio único para cada partida, com adversários mais inteligentes e carros com especificações próprias e particularidades, o jogo tende a se tornar um fiasco para uma empresa que já teve momentos de glória na década passada.
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