Quantum Conundrum é o novo título de Kim Swift, a premiada idealizadora do game Portal. A desenvolvedora deixou a Valve para se aliar à Airtight Games, na qual liderou um projeto próprio que resultou no presente jogo. Como não poderia ser diferente, a obra é movida por um enredo cômico, no qual você assume o papel do sobrinho de 10 anos do cientista maluco Fritz Quadwrangle.

O professor ficou preso em algum tipo de fenda dimensional e precisa de sua ajuda para sair de lá. Para tanto, seu tio lhe empresta uma luva que têm o poder de controlar fendas dimensionais dentro da mansão, capazes de moldar a realidade conforme suas necessidades. Ao todo, são quatro possibilidades de alteração dimensional: deixar as coisas 10 vezes mais leves, tornar os objetos dez vezes mais pesados, desacelerar o tempo ou inverter a gravidade.

Para poder usar cada uma dessas habilidades, é necessário que você encontre uma bateria específica, que quando acoplada a um gerador permite que “o poder” seja utilizado. Você só pode usar uma alteração de cada vez, mas pode variar rapidamente entre eles;

Quantum Conundrum é parecido com Portal em essência, mas na prática as coisas são bem diferentes. Será que a dona Kim Swift conseguiu executar sua obra com a mesma maestria do jogo anterior? Vamos conferir.

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De sala a sala

O game tem uma jogabilidade razoavelmente simples: você precisa fazer uso das habilidades que estiverem ao seu alcance para conseguir acessar o próximo portal dimensional. Apesar da aparente pouca variação no objetivo, Quantum Conundrum é um daqueles jogos que consegue entreter por muitas e muitas horas, sem utilizar recursos visuais cinematográficos ou quaisquer outros atrativos visuais.

Por essa razão, os desafios presentes no game são de nível crescente e funcionam com base em uma lógica também crescente. Isso significa que você vai descobrindo a maneira de pensar para bolar as mecânicas de resolver os enigmas mais simples. Assim que eles forem se complicando, você continua usando essa mesma mecânica como base para descobrir como utilizar recursos secundários e até terciários.

Assim, é seguro que cada ambiente propõe uma solução complexa, porém justa.

Resolvido!

A sensação de atravessar puzzles complicados com rapidez é uma das maiores qualidade de Quantum Conundrum. Os desafios de cada ambiente requerem que você pense em maneiras de combinar tempo, espaço e peso. Para uma questão muito complicada, em geral, a resposta certa é “a mais simples”. É exatamente assim que você se sente ao resolver alguma coisa depois de algum tempo empacado. Sensacional!

“Preste atenção no seu tio, pois ele dará bons conselhos!”

Assim como seu irmão espiritual, Quantum Conundrum carrega consigo uma qualidade sonora muito boa. A trilha é excelente, mas o que chama a atenção mesmo são os efeitos sonoros. A voz do professor, que o acompanha durante toda a jogatina, é interpretada brilhantemente pelo ator John de Lancie. Você raramente se sente sozinho no jogo, pois o tio Quadwrangle está quase sempre lá, reclamando ou instruindo.

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Momentos plataforma

Seguramente, as piores horas de Quantum Conundrum são os momentos nos quais você assume o papel de um herói de jogo de plataforma. A perspectiva em primeira pessoa ajuda a complicar mais ainda o deslocamento pela tela, pois em várias ocasiões você se perde um pouco quanto a sua localização geográfica.

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Ainda devido à vista direta do ambiente, é bastante difícil ter a noção exata da distância que seu personagem está do local no qual você deve pular. Uma vez que você se encontra em um patamar inferior e pretende saltar para outro superior, será que o local está dentro do alcance de seu pulo? Só de olhar, é muito difícil saber. Você acaba tendo que tentar para saber, o que faz com que você morra mais vezes do que gostaria.

Visuais pouco convidativos

Os ambientes de Quantum Conundrum são exageradamente repetitivos. Tudo bem que seu tio maluco justifica esse fato dizendo que ele gosta da rotina dos ambientes, tanto é que criou uma máquina de clonagem para que as salas pudessem ser compostas pelos mesmos sofás e cofres...

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Mesmo assim, os corredores poderiam ser diferentes, talvez com outras cores ou adereços. Falando em cores, o visual do game lembra muito Team Fortress, devido aos tons utilizados e a relativa pobreza gráfica. Mesmo sem tanta sofisticação, o jogo consegue facilmente cumprir sua proposta com certa qualidade.

Tra-va-di-nha

A versão de Quantum Conundrum para PC apresenta vários pequenos lags. As “travadinhas” ocorrem quando você aciona alguma alavanca que abre portas ou quando você acessa um local novo pela primeira vez. Tendo em vista que a qualidade gráfica não é tão exigente assim, as travadas não poderiam acontecer.

vale a pena?

Quantum Conundrum é um game que explora a capacidade intelectual dos jogadores, assim como a família Portal já fazia. A semelhança entre os games é notória, porém a variedade nos desafios é diferente. Se você já está acostumado com a forma de pensar para resolver os puzzles do título de Chell, começará a jogar Conundrum com algumas horinhas de vantagem.

Os puzzles propostos em cada um dos ambientes da mansão começam fáceis e vão ficando cada vez mais complexos, fazendo com que você use toda a sua capacidade lógica para conseguir resolvê-los. No entanto, por mais difícil que uma situação se apresente, as resoluções são sempre lógicas e justas. Assim, dificilmente você se sente frustrado quando descobre como sair de uma situação complicada.

Os problemas basicamente consistem em algumas situações nas quais você para de resolver puzzles e se torna um personagem de game de plataforma; outras partes menos favorecidas são as repetições dos cenários e alguns probleminhas de queda brusca de frames. Isso pode tornar a jogatina potencialmente chata em locais que você demore muito para encontrar a solução ou que tenha que ficar voltando no mesmo local.

Fora isso, Quantum Conundrum é um game incrível, que tem a qualidade de fazer os jogadores se perderem (quase literalmente) no tempo. Vale a pena!