Lançados respectivamente em 2007 e 2009, Resident Evil: The Umbrella Chronicles e RE: The Darkside Chronicles trouxeram uma nova abordagem à renomada série da Capcom. Mesmo com a pouca representatividade dos títulos em primeira pessoa da série Survivor – lançados para PlayStation e PS2 –, a desenvolvedora resolveu investir na ideia mais uma vez, apostando em uma jogabilidade sobre trilhos para poder dar toda atenção à história.

Pensando assim, o nome Chronicles não é por acaso. Os dois títulos têm seu enredo contado pela visão de um dos personagens principais da série – Albert Wesker no primeiro e Leon Kennedy no segundo. Por meio dos relatos, os jogadores puderam revisitar acontecimentos clássicos da franquia e conhecer novas facetas de uma história que se expandia cada vez mais.

Agora, após incessantes pedidos dos fãs, a série Chronicles deixa de ser exclusiva do Nintendo Wii e desembarca no PlayStation 3 em uma versão melhorada, com gráficos em alta definição. Além do óbvio suporte ao periférico PlayStation Move, a nova edição também permite que a mira seja controlada pelo joystick, abrindo ainda mais o leque de opções de jogabilidade.

aprovado

Melhor do que nunca

Resident Evil: The Umbrella Chronicles e RE: The Darkside Chronicles estão entre os jogos third parties mais belos do Nintendo Wii, com destaque para o segundo game. Em alta definição, tudo parece muito mais bonito, apesar de não se equiparar a títulos produzidos para a atual geração.

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Os cenários são os mais beneficiados por esta atualização gráfica. Cheios de elementos que podem ser destruídos para obtenção de pontos, as áreas clássicas da franquia – como a Mansão de Spencer, as ruas de Raccoon City ou a delegacia de polícia – aparecem de maneira renovada, ainda mais ricas e interessantes. O nível de detalhes, que já impressionava no lançamento original, volta a ser um dos principais pontos positivos do game.

A falta de cuidado presente em outras remasterizações criadas pela Capcom – como Resident Evil 4 ou Devil May Cry – não aparece aqui. Em RE Chronicles HD Collection, mesmo os momentos que não são renderizados em tempo real – as cutscenes, por exemplo – aparecem com filtros e foram retrabalhados para que não destoem do restante da apresentação. Sem dúvida, seria interessante ver os belíssimos vídeos de The Darkside Chronicles em alta definição, mas o resultado dessa remasterização não faz feio.

Controles precisos

Uma das principais preocupações relacionadas à utilização do PlayStation Move é o delay na detecção dos movimentos, presente em diversos jogos que utilizam o periférico. Para alívio de todos, a Capcom soube usar o acessório da Sony tão bem quanto o Wii Remote e apresenta uma jogabilidade precisa e bastante rápida, exatamente o que é necessário para um título desse tipo.

Desde que a calibração do controle seja bem realizada antes do início de cada partida, o jogador não se verá prejudicado por problemas de controle. A movimentação da mira guiada pelo Move é rápida e acompanha perfeitamente o ritmo do jogador, dando a resposta instantânea necessária para os momentos de ação intensa.

Com os gráficos em alta definição, atingir áreas críticas do corpo dos inimigos – um dos requisitos necessários para uma boa pontuação ao final dos estágios – ficou mais fácil. Caso você seja veterano da franquia e esteja jogando em um televisor HD, com certeza sentirá a diferença.

reprovado

Um caso de amor com o periférico

Repare que todos os comentários positivos sobre os controles de Resident Evil Chronicles HD Collection estão relacionados apenas à utilização do PlayStation Move. Enquanto tudo funciona muito bem com o periférico, a jogabilidade com o controle comum do PS3 é simplesmente péssima.

Na tentativa de compensar um pouco a falta de agilidade proporcionada pela opção, a Capcom criou um sistema de assistência de mira, que facilita os disparos nos pontos fracos dos inimigos. Ainda assim, jogar Resident Evil Chronicles HD Collection apenas com o DualShock 3 é uma experiência das mais sofridas e coletar itens pelo cenário é tarefa praticamente impossível, principalmente com os rápidos movimentos de câmera realizados pelos personagens.

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Toda essa dificuldade explica com fatos um dos motivos pelos quais a série Chronicles nunca saiu do Nintendo Wii e por que essa remasterização não está sendo lançada para Xbox 360. Acredite, você não quer depender do joystick convencional para enfrentar o terror que se instaurou em Raccoon City.

Um velhinho maquiado para parecer jovem

Mesmo com uma remasterização bem feita, Resident Evil Chronicles HD Collection não esconde os efeitos da idade. Apesar dos cenários aparecerem bem bonitos, cheios de detalhes e elementos, o mesmo não pode ser dito dos modelos dos personagens, que muitas vezes aparecem chapados e praticamente não possuem expressões faciais.

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Problemas de sincronização entre os lábios dos protagonistas e as vozes que estão sendo emitidas também aparecem bastante e dão um ar de novela mexicana aos games. Além disso, ao longo das fases, é possível perceber áreas escuras que simplesmente não possuem texturas. No Wii, apenas os olhos mais treinados reparavam nelas. Agora, estão bem à vista de todos.

Mesmo com a remasterização, é impossível esconder o ar de jogo feito para um console com capacidade inferior. Resident Evil Chronicles HD Collection é muito bonito, mas já mostra sinais de envelhecimento.

vale a pena?

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Com sua mais nova remasterização, a Capcom mostra que aprendeu com os erros cometidos nas anteriores. O cuidado dado ao lançamento de Resident Evil Chronicles HD Collection é maior do que o dispensado em outros lançamentos e mostra uma disposição da empresa de realmente recriar seus principais títulos, disponibilizando-os para novas audiências.

Caso você tenha o Move e esteja em busca de um bom título, Resident Evil Chronicles é uma opção para você. Porém, se você pretende jogar apenas com o controle, é melhor pensar duas vezes. O jogo foi construído inteiramente para ser controlado com um periférico de movimentos e, apesar da opção de usar o DualShock 3 estar disponível, ela não é nada prática e resulta em uma jogabilidade simplesmente ruim.