vale a pena?
Atendendo a pedidos, o Baixaki Jogos tenta agora esmiuçar um dos maiores “hits” do PS2, Spartan: Total Warrior, lançado já há algum tempo — nos idos de 2005. O jogo foi desenvolvido pela Creative Assembly, uma desenvolvedora sem dúvida bastante experiente quando o assunto é guerras épicas em períodos longínquos, graças à sua aclamada série Rome: Total War.

Não, realmente não tem como comparar o estilo de jogo dessa premiada série de estratégia com Spartan: Total Warrior. Salvo o pano de fundo compartilhado, Spartan traz uma ação muito mais direta, com dúzias de inimigos, alguns poucos momentos pensantes e a possibilidade de um controle estragado após horas de botões sendo amassados. Enfim, um clássico “hack and slash”.

Não exatamente um sucesso de crítica

Alguma dúvida sobre o estilo do jogo? Uma dos fatos mais interessantes acerca de Total Warrior, é que não se trata, em absoluto, de um sucesso estrondoso de crítica, que conseguiu ver apenas um jogo comum, com uma jogabilidade divertida embora um pouco entediante às vezes e gráficos apenas passáveis. Bem, talvez seja isso mesmo.

Entretanto, é fácil perceber porque o jogo se tornou tão popular entre jogadores de PS2. Em primeiro lugar, porque o estilo “pancadaria a granel” parece nunca sair completamente de moda, trazendo um estilo simples, intenso e descompromissado de diversão.

Em segundo lugar, porque Total Warrior, embora se encaixe perfeitamente em uma fórmula já bem conhecida, traz uma interessante mescla entre pancadaria ação e outras tarefas, o que ajuda um pouco a quebrar a rotina — o que é um dos maiores fantasmas desse estilo de jogo.

Uma guerra épica com elementos míticos

Spartan: Total Warrior coloca o jogador na pele do guerreiro genérico Spartan que, ao lado do seu Rei Leonidas, tenta defender a lendária cidade Grega dos avanços do poderoso império romano. Esparta é na realidade o último reduto de resistência à dominação romana, o que torna as coisas ainda mais complicadas.

Certas coisas realmente não se encontra em livros de história...

Entretanto, já no início do conflito, Spartan ganha um auxílio bastante relevante de Ares. O deus da guerra se propõe a ajudar o recém ingresso soldado, conferindo o poder necessário para acabar com hordas de romanos em troca de uma vingança pessoal do deus — embora este pareça unicamente interessado na quantidade de sangue que se derrama nos campos de batalha.

Traços de história, poderes sobrenaturais e deuses envolvidos. Lembra alguma coisa? Pois é, Total Warrior é também um Total God of War, sem dúvida. Entretanto, vários elementos transformam o título em um pouco mais do que um arremedo do ainda mais famosos e popular título do PS2.

Cuide do portão! Proteja o rei! Traga reforços!

Um dos pontos altos de Total Warrior é sem dúvida a possibilidade de se receber várias incumbências ao mesmo tempo. Isso acrescenta uma variedade interessante entre as batalhas contra centenas de soldados, centuriões, esqueletos, bárbaros, zumbis...

Um dos primeiros momentos do jogo traz um bom exemplo dessa jogabilidade diversificada. Enquanto ajuda a guardar os portões do castelo da invasão romana — estrategicamente entornando óleo quente sobre quem quer que se aproxime —, Spartan deve também disparar várias catapultas contra uma imensa estátua ambulante romana que se aproxima; isso enquanto abre os portões para a entrada de reforços e combate vários inimigos no local.



Outra ocasião dá ao bravo guerreiro genérico a missão de proteger Archimedes, líder da rebelião espartana, de vários assassinos enquanto este tenta terminar um discurso. Depois de salvá-lo, será necessário ainda perseguir os espiões romanos pela cidade antes que eles entrem em suas casas, para, por fim, terminar escoltando Archimedes são e salvo para a sua própria casa.

Desafios mais longos são normalmente divididos em diversos “checkpoints”, o que é ótimo, já que um escorregão em uma escada não vai fazer com que se volte para o início da fase. Entretanto, pode acontecer — e provavelmente vai, acredite — de se passar em um determinado “checkpoint” com pouca energia para, em seguida, morrer. Ao voltar, pode esperar que o mesmo nível de energia estará lá, o que realmente pode ser um empecilho quando se tem pela frente uma legião de romanos pouco convidativa.

Pancadaria com personalidade

Outro elemento que ajuda bastante a quebrar algum possível momento de monotonia durante o jogo são os diferentes ataques e armas à disposição do herói. Embora inicialmente tenha-se apenas um escudo, uma arma e um espírito beligerante, as coisas vão ficando mais interessante conforme novos ataques vão sendo conhecidos e os especiais tornam-se disponíveis.

Alguns golpes sem dúvida ajudam a ganhar o dia. Os ataques básicos são realmente tudo o que se espera com um “hack and slash”. Alguns movimentos utilizando espada e escudo servem para atacar, defender, tirar inimigos do caminho e passar através da guarda do oponente (além de poder disparar flechas). Parece bastante? Bem, depois de centenas de inimigos derrotados, a coisa começa a ficar um pouco repetitiva.

Felizmente, conforme se avança através do jogo, novas armas e com elas novos poderes se tornam disponíveis. Após achar as Lâminas de Atena, por exemplo, será possível realizar um combo que deixa em apenas um lampejo vários soldados decapitados para trás — provocando um êxtase no deus da guerra, que normalmente não se abstêm de fazer um comentário entusiasmado.

E, quando tudo o mais falhar, existem ainda vários especiais que consomem um medidor de energia mágica de Spartan. Assim como nos combos, cada arma terá um golpe devastador único, que normalmente serve para limpar as imediações dos personagem (é realmente bastante comum terminar vez ou outra quase afogado em um mar de soldados). As já mencionadas lâminas emitem vários raios em um perímetro considerável ao redor do personagem.

Tudo isso torna-se uma ajuda muito bem vinda também para enfrentar os vários chefes de fase, ocasionando, com certeza, algumas das lutas mais interessantes do jogo. Salvo alguns elementos bastante clichês — como uma luta contra um Spartan maligno —, cada chefe vencido deixa uma boa sensação de missão cumprida.

Quem realmente gostar das lutas no modo história poderá ainda gastar algumas boas horas no modo “arena” de Total Warrior, que é uma espécie de modo de sobrevivência personalizável. Utilizando vários itens e armas (como flechas de fogo e explosivos) desbloqueados durante o modo principal de jogo, pode-se criar um desafio que terá como único objetivo permanecer vivo durante o maior tempo possível.

Detalhamento ou velocidade?

Bem, no caso de Total Warrior, obviamente a escolha da Creative Assembly foi a velocidade. O que é compreensível, já que colocar centenas de guerreiros simultaneamente em um cenário e ainda apresentar gráficos de tirar o fôlego não é das tarefas mais fáceis.

Assim sendo, têm-se um jogo dinâmico rodando a uma taxa de FPS (frames per second) satisfatoriamente estável mesmo com uma verdadeira enxurrada de inimigos despontando a todo o momento. Em contrapartida, Totas Warrior acabou não sendo um jogo propriamente belo, por assim dizer.

É claro que essa multidão toda não viria sem um preço.

Não obstante, têm-se sem dúvida os cenários que seriam esperados para um jogo do estilo, passando por diversas localidades dignas de cartão postal, como as ruínas de Tróia e, é claro, a própria cidade de Esparta.

Se por um lado os cenários são adequados ao tema do jogo, os diálogos e, principalmente, a trilha sonora não passam nem perto. Resumidamente? Os diálogos trazem um clima de novela mexicana e as músicas talvez ficassem bem dentro de uma continuação de Missão Impossível em lugar das já esperadas músicas orquestradas ou algo que o valha. Entretanto, a história de forma geral não deixa de ser envolvente.

Por fim, um “hit” popular que, mesmo não sendo totalmente original, pode ainda garantir várias horas de diversão para fãs de pancadaria. Ignore o clima melodramático, as texturas genéricas e a trilha sonora ligeiramente deslocada, e o que se tem é uma boa opção para o PS2... principalmente para quem já jogou God of War exaustivamente e precisa agora de algo diferente, mas ainda assim bastante semelhante.