Previsto para sair inicialmente em maio, o segundo episódio de The Walking Dead, Starved for Help, foi finalmente lançado na última semana para PlayStation 3, Xbox 360 e PC. Desta vez, a aventura se inicia três meses após os eventos ocorridos no primeiro episódio (cuja análise feita pelo Demartini pode ser vista aqui).

Após sobreviver todo esse tempo no hotel encontrado durante a primeira parte da aventura, o grupo de sobreviventes do qual o protagonista Lee Everett faz parte começa a ter dificuldade em encontrar alimentos, obrigando todos a fazer parte de um rodízio de jejum para poder sobreviver.


Em meio a isso, um encontro providencial com dois estranhos (os irmãos St. John) acontece. À procura de gasolina para abastecer os geradores de energia de sua fazenda, a dupla oferece comida e abrigo ao grupo em troca do combustível. Uma troca que, a princípio, é benéfica para todos.

aprovado

Dá para quase esquecer os zumbis

Calma, The Walking Dead continua sendo um jogo situado após um apocalipse zumbi. No entanto, em vez de concentrar a ação no combate aos mortos-vivos, o game prefere dar mais atenção às relações e tensões sociais provocadas pela ruína da sociedade. Se já era possível notar essa tendência no primeiro episódio, Starved for Help torna tudo isso ainda mais claro ao apresentar bem menos confrontos diretos com zumbis.

Por outro lado, ao apresentar os limites da humanidade, a Telltale Games assombra o jogador com eventos e intrigas extremamente angustiantes. Ter de distribuir quatro porções de comida entre dez pessoas famintas, por exemplo, tem um impacto emocional muito mais forte do que atravessar uma floresta infestada de zumbis com a ajuda de uma metralhadora. E essa é uma das razões que tornam The Walking Dead tão interessante.

Escolhas são para sempre

Novamente, o game apresenta um sistema de escolhas que devem ser feitas pelo jogador. Desde respostas a perguntas simples até decisões que podem alterar o destino de determinados membros do grupo, tudo é registrado pelo game.

Da mesma forma como no primeiro episódio, no entanto, algumas decisões parecem, em um primeiro momento, não ter muito peso. Independentemente do que você fizer, por exemplo, alguns personagens de Starved for Help irão morrer de qualquer jeito.

Contudo, as suas escolhas ainda são importantes, uma vez que elas terão efeito sobre a imagem que o restante do seu grupo irá construir a seu respeito. E isso pode ser decisivo para o seu destino nos próximos episódios do game.

Isso porque, como já estava implícito em A New Day, é apenas uma questão de tempo para que o grupo de Lee Everett acabe se rompendo. Com quem o protagonista irá permanecer, no entanto, parece ser uma pergunta respondida apenas pelas suas respostas e ações nesses primeiros momentos.

Roteiro classe A

Se já não bastassem todas as complicadas decisões impostas pelo game aos seus jogadores, The Walking Dead apresenta uma trama que se desenrola tão bem que você dificilmente verá as cerca de três horas de jogo passando.

Embora seja situado em sua maior parte em dos locais mais seguros possíveis em um apocalipse zumbi – uma fazenda com cercas elétricas à prova de mortos-vivos –, Starved for Help tem muito mais suspense do que seu predecessor.

Afinal, novas descobertas a respeito da praga que dizimou a sociedade, assim como a desconfiança em relação aos anfitriões do lugar marcam o clima do episódio, cuja trama intensa é capaz de impressionar até aqueles com estômago mais forte.

reprovado

Inconstância

Desde Jurassic Park: The Game, a Telltale tem sofrido com problemas durante cenas de ação. Se o primeiro episódio de The Walking Dead também enfrentou essa dificuldade, Starved for Help se sai um pouco melhor nesse quesito.

No entanto, dessa vez outros contratempos atrapalham a experiência. Tanto nos consoles como no PC, por exemplo, ocorreram problemas de sincronização da dublagem. Embora as falas puderam ser ouvidas perfeitamente ao reiniciar as cenas afetadas pelo problema, isso ocorreu mais de uma vez durante nossos testes.


E o calendário?

Starved for Help saiu dois meses depois do previsto. O acontecimento não é algo tão incomum dentro da indústria, sendo que muitos títulos acabam permanecendo mais tempo em desenvolvimento na tentativa (nem sempre bem-sucedida) de melhorá-los.

Enquanto o segundo episódio de The Walking Dead não é ruim, o atraso até poderia ser justificado. No entanto, como se trata de um game dividido em episódios, a situação se complica bastante. Afinal, isso acaba punindo os jogadores que investiram na ideia desde o início e incentivando o público a esperar títulos do gênero serem lançados completamente. Afinal, quem é que gosta de assistir seriados bimestrais?

vale a pena?

Como bem disse o Demartini no final de sua análise do primeiro episódio, The Walking Dead parece ser um dos melhores games já desenvolvidos pela Telltale Games. Interessante para os fãs dos quadrinhos, uma vez que a sua trama é uma extensão aos eventos narrados na graphic novel,o game também vale para quem nunca ouviu falar da série.

Tudo isso porque seu roteiro muito bem escrito é capaz de fazer qualquer um questionar as suas escolhas e se surpreender com os limites do homem. Mesmo um pouco engasgado em alguns momentos, The Walking Dead também é um dos melhores lançamentos do ano. Tomara apenas que novos atrasos não façam essa série ser concluída depois de 2012.