Violência, caos e medo; eis algumas características que de alguma forma ou outra sempre estiveram no rol de temas para os videogames. Desde o antigo título japonês Spacewars, onde tiros eram disparados contra hordas de alienígenas, até exemplos mais recentes como Postal, Hitman ou mesmo Mortal Kombat, é desnecessário afirmar que muitos dos jogos atuais realmente fazem proveito de temas controversos para excitar os jogadores e fornecer lucros para os desenvolvedores. No caso de Manhunt 2, esse título está atualmente sofrendo grandes penalidades devido aos órgãos de censura dos Estados Unidos, Irlanda e Inglaterra.
O estopim desse impasse começou com a previsão do jogo ser lançado para o Wii, plataforma até então dominada por jogos amigáveis e com um público amplo. Como sabemos, o Wii permite ao jogador usar 2 controles, um em cada mão, com sensores de movimentos que exigem que o jogador simule movimentos reais a fim de controlar sua contraparte virtual na TV.
Agora, some a isso um jogo em que o protagonista é um prisioneiro de um sanatório que passou por experiências macabras e inumanas, onde sua sanidade foi drenada e substituída por uma mistura de medo, ódio, vingança e sadismo. Ora, já é possível facilmente imaginar o espanto dos legisladores pelos vídeos fictícios apresentados pelos responsáveis dos órgãos de classificação etária, onde um garotinho gesticula com o Wii Mote para decapitar e macerar o crânio de algum azarado dentro do game.
Diante dessas possibilidades, o jogo foi classificado nos Estados Unidos como Adults Only — classificação muitas vezes reservada a jogos com nudez — o que resultaria para a Sony e a Nintendo em limitações expressivas no número de locais de revenda, inviabilizando desse modo os lucros. Diante disso, essas duas corporações já afirmaram que não irão lançar títulos sob esse rótulo. No caso da Irlanda e Inglaterra o problema foi mais além, já que o jogo teve sua venda proibida sob qualquer circunstância.
Eis que, após tantas adversidades, a Rockstar London — subsidiária da Rockstar North criada especialmente para este game — resolveu colocar Manhunt 2 novamente na prancheta e adiar o lançamento previsto para 13 de julho. Mas de onde vêm toda essa balbúrdia? Começa agora o pesadelo do protagonista, Daniel Lamb.
Tradição em enredos perturbadores
O enredo de Manhunt 1 remete à macabra cultura dos filmes ilegais onde vítimas são torturadas e submetidas a experiências de terror para alegrar os futuros telespectadores dessas obras. Você está na pele de John Earl Cash, um prisioneiro no corredor da morte sentenciado por motivos ocultos. Seu destino certo ao cemitério, contudo, é bloqueado pela mente sádica do diretor de filmes Starkwheater, um rico produtor de longas metragens com mortes reais, que paga os responsáveis pelo seu cárcere para lhe injetar uma dose inumana de drogas sedativas.
Com isso, você se tornará o novo astro do show de horrores de Starkwheater, tendo que matar gangues inteiras da forma mais cruel possível, através de enforcamentos, sufocamentos, choques elétricos e esquartejamento, tudo banhado com muito sangue.
Já em Manhunt 2, a história narra o pesadelo de Daniel Lamb, um cientista que possuía uma carreira sólida e uma família estável e feliz. Antes de sua derrocada, Lamb trabalhara junto com um cientista em um projeto que visava a formulação de drogas para a criação de super-soldados. Após um fechamento inesperado do projeto, Lamb insiste nesse plano junto com seu “amigo”, o cientista Doctor Pickman. Para tanto, Daniel Lamb comete a imprudência de se submeter como cobaia para os testes. Depois de manipular quimicamente de várias maneiras tudo o que tornava Daniel um ser humano normal, Pickman manda-o para um sanatório que abriga outras cobaias desse mesmo projeto.
Seis anos se passaram e após muitas experiências traumatizantes, Daniel vê a sorte lhe acenar após um problema de energia no sanatório. Com a possibilidade de escapar, ele parte com um colega chamado Leo. Cabe a ele agora investigar suas origens, o que aconteceu com o projeto que lhe arruinou a vida além, é claro, de tirar satisfação com Pickman.
Mecânica trevosa
Com a mesma mecânica de Manhunt 1, Daniel deve se esgueirar de maneira furtiva para achar modos de matar os carrascos interessados apenas em assassiná-lo. As sombras e os itens ao redor são eternos aliados do ex-cientista, dando a ele a possibilidade de executar os inimigos de diversas formas. Uma indicação do radar na tela dá pistas sobre o que o personagem pode usar para lhe auxiliar na execução. O barulho provocado também é algo a ser considerado — existe um termômetro que indica ao jogador quanto ruído ele está fazendo. No caso do PS2, o jogador poderá usar um headset (fone e microfone) para distrair os inimigos.
As execuções, por sua vez, são feitas conforme o sistema de três cores indicadas na tela, branco, amarelo e vermelho. Quanto mais tempo o jogador ficar por trás de um inimigo lhe espreitando, mais violenta será a morte do alvo. O custo disso envolve a habilidade manual do jogador em se manter invisível até que o tempo certo seja alcançado.
Apesar de haver uma infinidade de armas de diferentes letalidades, Daniel não é capaz de carregar muitos itens, o que resulta em trocas constantes do arsenal. O que há em comum em todas elas é que seu uso sempre se dará de uma maneira bastante agressiva e contundente. Ainda referente às sombras, o jogador será submetido a mini-games de combinações toda vez que um inimigo observar movimentos suspeitos vindos de onde o protagonista está situado.
Força gráfica
Desprezando-se uma comparação injusta do PS2 e Wii contra as plataformas da sétima geração, Manhunt 2 apresenta-se de maneira admirável. Os gráficos estão com equilíbrio luminoso impecável, assim como as texturas estão bastante maduras e uniformes — fruto da experiência da Rockstar em trabalhar com a plataforma de desenvolvimento para o PS2. Mesmo para o Wii o jogo possui uma apresentação boa, fornecendo a atmosfera adequada em termos de tensão psicológica. Sonoramente, Manhunt 2 está recheado de efeitos, gritos e grunhidos de origens desconhecidas, que permitem, perfeitamente, que o jogador adentre-se no universo de terror do game.
Enfim, esperamos que a Rockstar London não tenha que sacrificar esses elementos depois de sua restruturação para se adequar às exigências dos órgãos reguladores de idade. Apesar disso tudo, no site oficial consta a seguinte frase "coming in july", o que indica que o seu lançamento está próximo.