Em sua raiz, Okami é um jogo de ação/plataforma, sendo que entre os seus destaques está o apelo estético diferenciado, a jogabilidade fluida e o enredo que toma como base a cultura e arte japonesa. A utilização do filtro gráfico cel-shade, resultou em um visual que lembra bastante os animes, com traços que lembram uma tela de aquarela. O protagonista é a inusitada encarnação de um Deus sob a forma de lobo, dando uma exclusividade razoável à premissa do game.
Okami pertence ao rol de jogos “especiais” do PS2, onde se encaixam títulos como Katamari Damacy, Tokobot, Mojo e outros jogos que se destacam por apresentar jogabilidade, gráficos ou conceitos muito diferentes do padrão. É um jogo de plataforma muito bem concebido, que presta deferência à cultura oriental em seus cenários e detalhes.
Agora o deus Amaterasu Shiranui— protagonista do título — chega ao Nintendo Wii, salto que para muitos, era apenas uma questão de tempo, já que elementos próprios do seu sistema de jogo: com o pincel dos deuses, parecem ter sido desenvolvidos com a singularidade dos controles do Wii, em mente.
Amaterasu e o diabo na terra das cores
Okami extrai seus conceitos da religião xintoísta, nativa do Japão. Seu personagem principal, Amaterasu — representado por um lobo — é a principal divindade do xintoísmo, o deus-sol. De forma similar, outros personagens e acontecimentos do jogo são inspirados em lendas e crenças religiosas.
O ar exótico, auxiliado pelos gráficos que parecem pinturas, são responsáveis pelo maior atrativo de Okami, que peca às vezes na jogabilidade, mas mantém a satisfação aos olhos do jogador.
Aquarela dos deuses
Um dos elementos mais criativos da jogabilidade de Okami era a ferramenta, pincel celestial. Capaz de interagir com o cenário, sendo utilizada tanto em batalhas como na resolução de inventivos quebra-cabeças.
Na versão para o PS2 bastava segurar o botão R1, congelando a tela e permitindo que você desenha-se com o analógico da esquerda. Tal ferramenta parece ter sido desenvolvida com os recursos de captação de movimentos presentes no Wii-mote.
Nada seria mais natural do que reproduzir os movimentos do pincel no ar (segurando o Wii-mote) para traçar linhas na tela. Infelizmente as primeiras demonstrações do jogo revelaram alguns problemas com a ferramenta.
Comandos com resposta pouco eficientes prejudicavam a jogabilidade, bem como a diversão do jogador. Na versão do Wii, você deve segurar o botão B do Wii-mote para ativar a tela de desenho e segurar o botão A para efetivamente utilizar o pincel. Até ai tudo bem, o formato ergonômico do controle permite tal operação sem qualquer esforço.
Os problemas começam quando você tenta traçar algum contorno na tela. Linhas simples são captados sem muito esforço, entretanto na maior parte do jogo você terá desafios muito maiores pela frente e simples linha retas não serão suficientes para resolver os quebra-cabeças de Okami. Qualquer forma mais elaborada não era devidamente capturada na tela, seja por conta de uma falha na comunicação do Wii-mote ou um problema do próprio jogo em reconhecer os movimentos realizados com o Wii-mote.
Apesar da decepção destas primeiras versões de Okami, a Capcom parece ter consciência destes problemas e com o lançamento agendado para o dia 15 de abril, os desenvolvedores ainda terão algum tempo para solucionar tais falhas.