Qualidade gráfica dentro do esperado
Os gráficos de The Darkness são ótimos e de acordo com a nova geração de consoles. É bem verdade que não alcançam o patamar de Gears of War ou de jogos FPS mais recentes, como Bioshock, contudo conseguem suprir o nível desejado para a grandeza do título.
Os ambientes são ricos em texturas e as expressões faciais são interessantes, mas poderiam ser melhores. É possível ver piercings, cicatrizes, barba e até as veias das mãos das pessoas. Os olhos e o céu (em Nova Iorque e em Otherworld) estão bem legais e detalhados. Os efeitos gráficos são bem feitas, principalmente nos golpes de misericórdia. O efeito da fumaça que sai dos canos das armas também causa boa impressão. Mas nem tudo que reluz é ouro, serrilhados são visíveis e os personagens um pouco plastificados.
Ao ir ao banheiro, que por sinal é bem texturizado, você pode ver Jackie no espelho. É neste momento que se pode criticar o movimento dos cabelos, pois são bem rápidos e falsos. Utilizando os tentáculos, também nota-se eles atravessando as paredes de forma estranha. A taxa de quadros por segundo é estável e suave no console da Microsoft, garantindo alto desempenho nas cenas cruciais onde existem diversos inimigos, Darklings e objetos na tela. Ainda assim, as animações são fracas no geral.
Da melancolia ao som cru do metal
A trilha sonora e a sonoplastia de The Darkness recebem a maior nota dentre todos os quesitos avaliados. As músicas variam entre calmas e melancólicas (como a trilha do filme Babel) até o som bruto e pesado do metal.
A nuance entre os dois tipos de música é presente o tempo todo, quando há ação incessante, o ritmo rápido e elevado impera, mas quando Jackie recorda suas mais profundas lembranças, canções lentas com grande calor atmosférico são reproduzidas.
Os efeitos sonoros dos cacos de vidros, de fogo e principalmente das cobras são de ótima qualidade. Destaque maior para a equipe de dubladores contratados: Lauren Ambrose (da série Six Feet Under) que personifica Jenny, namorada de Jackie; Kirk Acevedo (de Band of Brothers) interpreta Jackie Estacado; e Mike Patton, vocalista da banda Faith No More, dubla a voz macabra das trevas.
Multiplayer sem sal
O modo online de The Darkness é limitadíssimo, deixando de lado todos os poderes adquiridos por Jackie na campanha principal. As batalhas acontecem entre humanos e Darklings, sendo o destaque a jogabilidade destes últimos, que permitem saltos longos e movimentações pelas paredes e faces superiores dos recintos.
Pela rigidez da engine, o sistema multiplayer com certeza poderia ter sido mais bem explorado. No entanto, faltou feijão com arroz para que trouxesse partidas disputadas e divertidas. Sem contar a demora de resposta entre os jogadores, presente na maioria dos combates. Realmente foi incluído no jogo apenas como um adicional.
Não é para quem tem estômago fraco
The Darkness apresenta boa qualidade gráfica, com destaque para os efeitos de iluminação, que são de tirar o chapéu, e para a interação, a qual, embora limitada, mostra que a Starbreeze não brinca em serviço.
Os filmes e vídeos passados nas televisões do jogo também devem ser lembrados: há videoclipes, filmes e até desenhos antigos, como um episódio completo do clássico Popeye. Estrelado por Frank Sinatra, “O Homem do braço de Ouro” pode ser assistido em sua totalidade.
Tal preocupação artística merece elogios, ainda mais quando se trata de uma adaptação dos quadrinhos que chegou à barreira de um milhão de cópias vendidas. O jogo é bem fácil e os controles simples, o que garante uma maior imersão de jogadores novatos.
As cenas e animações, com violência exagerada, podem ser chocantes; portanto, não deve ser jogado por menores de idades. A inclusão de elementos de terror e humor agrada, e a duração do game pode ser considerada mediana. A variedade de armas é limitada, mas retribuída pelos poderes macabros de Jackie, sendo o buraco negro o mais interessante. A jogabilidade é boa, mas um pouco repetitiva, principalmente pelo número de lâmpadas, lustres e luminárias que você terá de destruir. A inclusão de elementos de terror e humor agrada, entretanto a movimentação dos tentáculos e o modo online são fracos.
Finalmente, com gráficos ótimos, enredo amarrado e sonoridade de qualidade, The Darkness é divertido e pode ser uma ótima aquisição para os jogadores adultos que gostam de mesclar ação incessante com um enredo violento e instigante.