O lado profundo de RPG dessa mescla de ação com quests.
Não se trata simplesmente de um jogo de ação: Too Human apresenta uma jogabilidade mais profunda de RPG do que se poderia supor à primeira vista. Maiores informações são reveladas sobre as árvores de habilidade, classes de personagens e coleção de itens dessa fusão de ação frenética e RPG, que traz um enredo intrigante, misturando mitologia com ficção científica.
A reclamação veio diretamente do fundador e presidente da desenvolvedora Silicon Knights, Denis Dyack: Too Human foi extremamente mal compreendido como um jogo puramente de ação. Na verdade, os desenvolvedores pretendem oferecer uma experiência única, que mescla RPG e ação.
O mal entendido ocorreu por falta de maior desenvolvimento do jogo, desde que foi apresentado pela primeira vez na E3 de 2006. O revelado foram, quase exclusivamente, as suas características de ação, com um esquema de comandos simples e acessível que permite a execução de combos impressionantes, apenas com a movimentação do analógico direito — já que a movimentação da câmera é automática.
Sobre deuses e máquinas
E a mistura de dois gêneros não fica restrita à jogabilidade: o enredo também oferece uma mescla interessante de mitologia nórdica com ficção científica. Pouco ainda foi revelado sobre a história que circunda Too Human, justamente porque ela oferece reviravoltas e surpresas, sendo mantida a sete chaves pelos desenvolvedores.
Portanto sabe-se o essencial: o jogador assume o papel do deus mitológico Badur em sua missão de proteger os humanos do ataque das máquinas. Too Human mantém os aspectos da mitologia nórdica, adicionando um toque de cibernética, visto que os deuses utilizam-se dessa tecnologia avançada para se melhorarem constantemente. Os motivos dessa guerra ainda são desconhecidos e a Silicon Knights garante que há muito mais entre a luta de humanos, máquinas e deuses do que a nossa vã filosofia possa imaginar.
Evolução constante
Mas nem tudo é tão obscuro sobre Too Human, já que o que parecia ter apenas um leve toque de RPG, mostra-se como uma jogabilidade que se aprofunda consideravelmente no gênero, com uma campanha que pode ser jogada no modo cooperativo.
Primeiramente, há cinco classes de personagens: a classe campeão, com as habilidades de combate aéreo, tem a facilidade de fazer ataques enquanto está pulando sobre um inimigo, além de manter os adversários no ar, com golpes sucessivos; um berserker (guerreiro da mitologia nórdica, caracterizado por um ritmo frenético em combate) é especialista em ataques, utilizando-se de duas espadas; e o comando usa explosivos e armas de fogo, percorrendo a campanha com lança-granadas e rifles.
Há ainda o defensor, que é mais resistente a ataques do que as outras classes e se utiliza de um escudo, e bio-engenheiro, que tem o poder de curar a si mesmo e os outros jogadores no modo cooperativo. Em poucas horas de jogo, com qualquer uma dessas classes, o personagem já alcança um grande de desenvolvimento, conseguido através de sucessivos upgrades e coleta de itens.
Para os colecionadores
O sistema de coleção de itens é similar ao de jogos de RPG de multiplayer em massa. Entre os artefatos a serem encontrados, estão centenas de equipamentos, entre projetos (blueprints), seis partes de armadura (que ao serem conseguidas, na sua totalidade, desbloqueiam bônus), nove classes de armas de combate corpo-a-corpo e outras nove de armas de ataque à distância. Além disso, as runas oferecem missões secundárias, como matar 25 inimigos com explosivos, e, ao serem completados, esses objetivos também rendem bônus.
Esses equipamentos são deixados pelos inimigos derrotados e são classificados em cores diferentes, de acordo com a sua raridade, sendo que, como seria de se esperar, os menos encontrados são os mais poderosos. Há inclusive alguns dos mais raros, que só podem ser obtidos a partir de um projeto e com o investimento de uma grande quantidade de dinheiro para fabricá-los. Há também outros itens que podem ser potencializados com magia, ganhando, por exemplo, maior poder de ataque.
À medida que sobe de nível, o personagem ganha pontos que podem ser usados em uma das três árvores de habilidade disponíveis para cada classe. Nesse título, que é o primeiro de uma trilogia, o personagem pode evoluir até o nível 50 e será o mesmo a ser utilizado nos próximos jogos.
As árvores de habilidade são desbloqueadas a partir do nível 5 e não é possível evoluir em todas as habilidades, portanto, os jogadores terão que escolher em quais ramos investir, durante o seu percurso. Para um comando, pro exemplo, há, no começo, a opção de escolher entre melhorar o alcance de seu rifle ou aumentar o poder das granadas e, mais tarde, aparece também a opção de evoluir o personagem com implantes cibernéticos. Embora essa opção pareça bastante atraente, há um preço a se pagar por ela.
Universos enormes a serem explorados
Too Human se passa no mundo de Aesir, no qual se encontram diversas regiões, como a Floresta de Gelo, o Corredor dos Heróis e o Reino dos Mortos-Vivos — todos com um visual frio e futurista, servindo como arenas de combate. Esses lugares têm suas versões no ciberespaço, com áreas mais naturais e cheias de vegetação, onde o jogador pode explorar o cenário e executar algumas tarefas.
O ciberespaço serve como um contrabalanço de momentos extremos de ação, apresentando uma jogabilidade diferenciada, com pequenos quebra-cabeças, por exemplo. Ao explorar esses locais, o jogador altera o mundo de Aesir, desbloqueando portas trancadas. Há também a possibilidade de percorrer, praticamente, uma campanha secundária, passando por diversas fases e coletando itens raros no ciberespaço.
Como comentado na prévia anterior, Too Human se sobressai pela qualidade gráfica, oferecendo cenários com ótimos efeitos de luz e sombra, bem como modelos de personagens detalhados. O jogo também traz algumas inovações na narração da história, com cenas pré-renderizadas interativas, nas quais não há tempos de espera na transição para os momentos de ação.
Quanto mais se aproxima a data de lançamento ainda incerta de Too Human — que está prevista para 2008 — maiores detalhes são revelados sobre esse jogo enigmático, que mistura uma jogabilidade profunda de RPG, com momentos frenéticos de ação, envolvidos por cenários belíssimos e um enredo relevante e intrigante. Tudo leva a acreditar que será um dos grandes títulos do Xbox 360.